Sistema Complexo e Interações Entre Seus Componentes: Visão em Escalas Macroscópica e Microscópica

A propósito de um comentário do estimado seguidor deste modesto blog pessoal, Reinaldo Cristo, sobre um viés que funciona como uma falsa representação do foco, ideia ou tentativa de resolver um problema apresentado, trocamos ideias que desejo compartilhar com todos os leitores. Antes, não deixe de ver o vídeo acima, enviado por meu irmão, Eduardo Nogueira da Costa.

Reinaldo pergunta: como procurar uma agulha no palheiro, ou um gato numa pilha de entulhos? Se fizermos a pergunta, onde devemos procurar primeiro ou quem deve procurar?

A falsa representação ocorre quando pensamos (ou memorizamos): sou “eu” que devo procurar. Mas este é o primeiro erro cometido pelo simples fato: “não sou eu”, mas sim meu cérebro. Esta diferença é crucial. Para resolvermos determinados problemas de representação, antes o foco deve estar em nosso cérebro e não em nossa personalidade ou personificação.

O mesmo princípio pode ser aplicado na técnica de montagem de um quebra-cabeça, não adianta simplesmente ficar procurando as peças antes de termos um quadro formado em nosso cérebro. Quando esse quadro estiver pronto, a velocidade na montagem do quebra cabeça será impressionante, na realidade, não são nossos olhos que estão procurando as peças, é nosso cérebro, com base na imagem formada.

A aprendizagem é a construção de novas redes neurais que chamam cada vez mais neurônios para montar as sinapses necessárias à formação da memória de aprendizagem. Você e eu, somos apenas observadores, quem na realidade está aprendendo é nosso cérebro. É por isso que determinadas crenças são inibidoras da construção de novas correntes ou agrupamentos neurais (os chamados ruídos mentais).

Caso alguém ainda tenha dúvidas sobre algum assunto hoje em dia, o erro está, quase sempre, na dificuldade em fazer as perguntas corretas — e não na dúvida propriamente dita.

Nosso sistema educacional está aos frangalhos, justamente pela construção de tautologias (redundâncias) que afetam do começo ao fim – do Primário ao Doutorado – a formação de nossos jovens. Isso precisa mudar urgente. O físico Richard Feynman afirmou: enquanto vocês estiverem decorando fórmulas nunca saberão o que é o mundo físico. Abs.

Segue as conclusões de Feynman sobre o ensino de Física no Brasil: http://www.uel.br/cce/fisica/pet/EnsinoRichardFeynman.pdf

Respondi-lhe:

O nosso cérebro deve observar o todo, selecionando os nódulos-chave na rede de interconexões entre os componentes, de onde há emergência daquele todo. Então, invertemos a tradicional lógica de agregar as partes para tentar alcançar o todo. Ao fim e ao cabo, com os sofismas de composição, verificamos que “o todo é maior do que a soma das partes”, i.é, ele possui movimentos auto-organizados (e não equilibrados) que não enxergamos quando analisamos cada parte.

Nessa trilha, percebemos como é reducionista o conhecimento compartimentado em que dividimos o trabalho entre especialistas, tentando somar o conhecimento de cada qual para entender o mundo real!

Viva a multidisciplinaridade! Necessitamos de conhecimento genérico sobre o todo para, depois, especializarmos (e aprofundarmos) na pesquisa de cada componente!

One thought on “Sistema Complexo e Interações Entre Seus Componentes: Visão em Escalas Macroscópica e Microscópica

  1. Prezado Fernando,

    agradeço a ênfase nas proposições apresentadas e gostaria de acrescentar à sua explicação um detalhamento de como concebemos os pontos dentro das redes neurais para expandir a aprendizagem.

    A auto-organização é a união de pontos adjacentes que expandem a malha da complexidade para vetores (direções) alternativos no âmbito de atuação dos sistemas complexos. O item mais importante é: começar pela primitiva que deu origem a essa explicação: o ponto {.}

    Parece simples, mas não é. Esse ponto {.}, continha todo nosso universo (matéria, energia, espaço-tempo – nas concepções físicas atuais); ao falarmos dele, estamos minimizando nossas redes neurais para que o cérebro tenha um começo seguro e não ocorram dúvidas que possam interromper o processo de aprendizagem – correndo o risco de cair no buraco negro metafísico!

    O que é o ponto {.}? É a origem, o foco, não há dimensão, tamanho, forma ou qualquer outro qualificativo categórico, é apenas a captura de nossa atenção com o intuito de normalizar nossas redes neurais possibilitando maximizá-las (direcioná-las) para assuntos mais elaborados.

    Segue uma lista de pontos importantes:

    Ponto cego: não há foco, ou foco nulo!
    Ponto de convergência: para onde todas as linhas convergem, ou seja, um vetor ou direção para onde algo se dirige – a luz no fim do túnel!
    Ponto de perspectiva: pode ser o foco de observação centrado no horizonte ou algum outro plano no espaço!
    Ponto de encontro: quando duas ou mais pessoas se unem!

    Uma janela para o cosmos

    Nossa consciência é a verdadeira janela para o cosmos, quanto mais a expandimos, mais pontos são unidos em nossas redes neurais e mais significados são formados e percebidos. Abs.

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