Por que Investir em Renda Variável se há Renda Fixa Pós-fixada no Brasil?

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Adriana Cotias (Valor, 15/12/16) informa que o mercado de ações brasileiro, a despeito das evoluções aparentes nas últimas duas décadas em infraestrutura de mercado, tecnologia e arcabouço regulatório, fica abaixo da média mundial em tamanho, atividade e eficiência.

Desde os primeiros anos do Plano Real, somente em 2009, quando houve recuperação generalizada das cotações após a crise financeira global de 2007 e 2008 que sucedeu a quebra do banco americano Lehman Brothers, é que ensaiou ganhar um valor de mercado em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) proporcionalmente páreo ao de outras economias que passaram por um crash brutal. A partir dali, só perdeu dinamismo.

É isso que dá para inferir do estudo “Desenvolvimento do mercado de ações no Brasil“, feito pelo professor Antonio Zoratto Sanvicente, da Escola de Economia e Negócios da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Para chegar a tal conclusão, o pesquisador se valeu de dados disponíveis na base do Banco Mundial, que contempla mais de duas centenas de mercados acionários. No caso brasileiro foi possível observar a evolução dos três indicadores a partir de 1996 e confrontá-los com a média mundial nesse mesmo intervalo.

O que mais impressionou nesse período longo avaliado é que o mercado brasileiro, em qualquer dos três indicadores que o Banco Mundial acompanha, fica abaixo da média mundial e não tem avançado. O mercado não subiu, ficou estagnado. O que dá para imaginar é que as melhorias na regulação, em tecnologia, podem ter sido equivalentes ou até maiores em outros países. Não houve aumento em termos absolutos de companhias abertas e nem em número de investidores no Brasil.

O indicador de tamanho leva em conta a capitalização de mercado das empresas listadas na BM&FBovespa em relação ao PIB, ambos medidos em dólar e deflacionados a cada fim de período. Em dezembro de 2015, essa proporção era de 28,3% em relação aos demais mercados analisados. O maior resultado da amostra foi registrado em 2009, quando o valor de mercado/PIB no Brasil representava 96,62% na comparação com os pares globais. Um indicador acima de 100% demonstraria que houve crescimento acima da média dos demais países.

Conforme observa Sanvicente, um salto importante nesse indicador ocorreu em 2007, quando houve dezenas de ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês). Isso fez com que os valores de mercado de tais empresas fossem agregados à capitalização geral. É patente que o tamanho do mercado nacional só fez cair a partir de 2009, e terminou 2015 no segundo pior nível de todo o período.

O indicador de atividade, por sua vez, é medido pelo valor total de negociações em ações em relação ao PIB e determina a relação entre a liquidez do mercado brasileiro e a da média das bolsas globais. Nesse quesito, o Brasil tinha, ao fim de 2015, uma das proporções mais baixas, de 14,09% em relação à média do conjunto. A bolsa brasileira atravessou anos difíceis de 2000 a 2004, mas recuperou-se a partir, atingindo seu segundo nível mais alto em 2012, passando a cair rapidamente depois. O índice alcançado em 2015 coloca o mercado local de volta aos níveis da pior fase.

Sanvicente lembra que a facilidade de negociação dos ativos é benéfica não só para os investidores, institucionais ou pessoas físicas, que têm melhores condições para comprar e vender ações quando for mais conveniente para suas necessidades de liquidez e estratégia. É também condição fundamental para as empresas emissoras, pois equivale a um custo mais baixo de entrada e saída no mercado de capitais, além de contribuir para a melhor revelação de valor para os respectivos negócios.

O indicador de eficiência mede o valor financeiro negociado em ações sobre a capitalização de mercado da bolsa. Após os níveis elevados dos primeiros anos do Plano Real, de 1996 a 1998, quando chegou a superar os 100%, essa relação sofreu forte queda em relação à média mundial e passou mais de dez anos oscilando entre 30% e 40%. No fim de 2015, estava em 52,7%.

Para Sanvicente, o mercado acionário brasileiro não ganha impulso porque há grande competição das aplicações de renda fixa, num ambiente macro em que as taxas de juros altas monopolizam a atenção dos aplicadores por modalidades seguras e mais simples. “Fora a lenda de que ações são para especuladores, como se não existisse especulação na renda fixa também.”

Do lado da empresas, ele sustenta que praticamente todas as companhias listadas na bolsa brasileira têm recursos tomados no BNDES com taxas vantajosas. A seu ver, as promessas para reduzir o tamanho da participação do banco de fomento no financiamento de longo prazo no Brasil ainda não se materializaram. “Isso não ocorre de uma hora para outra. Mesmo que o BNDES não empreste para mais ninguém, as empresas não vão sair correndo para emitir ações”.

Ora, o que seria do desenvolvimento socioeconômico brasileiro se não existissem o BNDES e os demais bancos públicos? Seria bom para os acionistas minoritários se fosse ruim para a economia brasileira?!

Se essa gente de O Mercado desse a última palavra na escolha de prioridades da Nação, imagina o que seríamos… Eles não sabem nem escolher seus automóveis!

O carro que um gestor de fundo de hedge dirige diz algo sobre sua capacidade para a tomada de risco – e sobre sua capacidade de gerar retornos superiores aos obtidos pelo restante do mercado.

Os donos de minivans, em particular, administram fundos que tendem a assumir muito menos risco e a exibir uma volatilidade mais baixa do que os gestores que possuem carros esportivos, segundo um novo estudo dos acadêmicos Yan Lu, Sugata Ray e Melvyn Teo. A falta do que fazer e o “publish or perish” levam acadêmicos a correlacionar todas duplas de variáveis possíveis — tipo buscar ovo em casca de ovo ou chifre em cabeça de cavalo –, buscando causalidades mecânicas reducionistas que explicariam o mundo!

Os pesquisadores afirmam que a posse de um carro pode ser um bom indicador de uma característica que eles chamam de “busca de sensações“, que tem sido ligada ao abuso de substâncias e a crimes — comportamento pouco reconfortante quando diz respeito à gestão de fundos de investimentos.

Eles descobriram que a propensão maior pela tomada de risco se dá “sem ser compensada com retornos maiores”. Em um exemplo, os retornos ajustados ao risco tiveram redução de mais de 21% para os proprietários de carros esportivos na comparação com o fundo médio. Dito de outra forma, o fundo de hedge médio comandado pelo dono de um carro esportivo é mais de 16% mais volátil do que os dos gerentes que dirigem carros mais “práticos”.

Os resultados se mantêm quando controlados por outros fatores, como idade ou restrições de ações, disseram os pesquisadores. Além disso, o significado das preferências dos gerentes para os carros vai além do simples desempenho do fundo. É também um prenúncio de resultados mais terríveis.

“Os donos de carros de alto desempenho têm maior probabilidade de encerrar seus fundos, de se envolver em comportamento fraudulento, de acumular ações de fora dos índices e de sucumbir ao excesso de confiança”, escreveu o trio pesquisador de correlações espúrias. Coisa de (pré-conceito de) gênio!!!

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