Apertem os cintos, parem o avião, o piloto enlouqueceu!

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André Rocha (Valor, 14/12/16) afirma que “a casa desarrumada com incerteza fiscal e possibilidade de insolvência é a responsável pela manutenção de juros elevados apesar da profunda recessão dos últimos dois anos”. Mentira. Ilusionismo para camuflar a elevação da concentração de riqueza financeira que a casta dos comerciantes-financistas desfrutam no Brasil, acumulando renda do capital financeiro (juros), fixados arbitrariamente por seus representantes que sitiaram o BCB, em vez de correrem risco de expandir a capacidade produtiva para gerar emprego para um número cada vez maior de desocupados no País!

O endividamento é positivo quando o retorno sobre ativos (ROA) de uma empresa consegue superar a taxa de juros. Nesse caso, as companhias conseguem aumentar sua lucratividade ao alocar os recursos dos empréstimos em ativos produtivos. Mas não é o que tem acontecido.

“Se pegarmos o ROA das empresas que compõem o Ibovespa, tomando por base os últimos doze meses finalizados em setembro de 2016, apenas Ambev (ABEV3) e Cetip (CTIP3) com 13,3%, CCR (CCRO3) com 11,8%, Engie Brasil (EGIE3), antiga Tractebel, com 10,9%, Lojas Renner (LREN3) com 10,6% e Smiles (SMLE3) com 19,2% apresentaram retorno de dois dígitos que rivalizam com os juros primários da economia. Embora grandes empresas possam obter empréstimos a menor custo, saber que apenas seis companhias do universo do Ibovespa apresentaram retorno próximos à Selic é preocupante”. 🙂

Os altos juros não prejudicam apenas as empresas pelo lado da captação de recursos, mas também a demanda por seus produtos. Consumidores com pesadas dívidas não possuem fôlego para consumir. Compras a prazo também se tornam proibitivas.

Outra barreira ao crescimento é a baixa taxa de investimentos. Inversões não serão necessárias por um bom tempo em decorrência da elevada capacidade ociosa das empresas, dos juros altos e da baixa demanda. A crise também afeta o canal do câmbio, tornando-o mais volátil o que aquece a inflação e impede a queda mais célere dos juros.

Mas André Rocha está certo em seu diagnóstico de “o que mais assusta é a incerteza política. O governo de Michel Temer parece possuir base parlamentar para obter sucesso. Contudo, a operação Lava-Jato continua a fazer estragos nos mais diversos partidos e não está descartada a hipótese de atingir a própria presidência, o que torna frágil qualquer prognóstico. Ainda não está claro qual governante assumirá em 2018 e qual diretriz econômica adotará. Essa incógnita é mais uma razão para os investidores postergarem os investimentos. O Estado brasileiro, a residência que a todos acolhia, virou a “casa da Mãe Joana”. Os brasileiros de hoje como os de outrora assistem bestializados à baderna que ocorre no interior de sua própria casa”.

Fernando Rocha (Valor, 01/12/16) avalia que “já começa a haver uma reversão dos índices de confiança e das expectativas de crescimento. A média das projeções do Boletim Focus para o aumento do PIB em 2017 chegou a 1,3% em agosto, mas já caiu para 1,0%. Alguns analistas já falam em crescimento zero no ano que vem e há até quem aposte em recessão.

Diante desse quadro, é necessário refletir sobre as consequências de um crescimento menor. Em primeiro lugar, o déficit primário de R$ 139 bilhões projetado no Orçamento de 2017 para o setor público consolidado ficaria difícil de ser atingido. Com o menor crescimento, a arrecadação de impostos tenderia a se reduzir. Além disso, a elasticidade do crescimento da arrecadação em relação ao PIB, que já está muito baixa, não encontraria espaço para melhorar.

Quando o Orçamento de 2017 foi elaborado, o governo [golpista] previa crescimento real do PIB de 1,2% e inflação de 4,8%, o que geraria um crescimento nominal de 6,1% do PIB. Ainda segundo o Orçamento, a receita tributária cresceria 5,4% em termos nominais, apresentando uma elasticidade de 0,9 em relação ao PIB nominal.

Vamos supor que o crescimento real do PIB seja zero, mantendo-se a inflação em 4,8%. Nesse caso, o crescimento nominal do PIB seria de 4,8%. Vamos considerar ainda que a elasticidade da arrecadação em relação ao PIB fique em 0,5, ao invés de 0,9 como considerado no Orçamento. Desse modo, a arrecadação cresceria 2,4%, bem inferior aos 5,4% projetados no Orçamento.

Cada ponto de crescimento a menos na arrecadação representa perda de R$ 13 bilhões. No cenário considerado, haveria uma perda de R$ 39 bilhões na arrecadação federal em relação ao que foi orçado. Resta considerar ainda a perda de arrecadação nos Estados e municípios, que poderia elevar a perda total de impostos para R$ 60 bilhões, ou aproximadamente 1% do PIB. Esse rombo teria que ser coberto com mais emissão de dívida pública.

O crescimento baixo tem um efeito duplamente negativo sobre a relação entre dívida e PIB porque, além de ser necessário emitir mais dívida para financiar o déficit, o PIB menor eleva a relação dívida/PIB, que é a variável chave que analistas e agências de classificação de risco olham para determinar se o país é solvente ou não. Portanto, as consequências fiscais de um crescimento significativamente menor são muito relevantes.”

Flavia Lima e José de Castro (Valor, 14/12/16) reportam a camuflagem realizada pelo presidente do Banco Central do Brasil. “No debate sobre política monetária, há uma espécie de confusão entre a discussão sobre a “calibragem” dos juros e o nível estrutural da taxa de juros no Brasil, afirmou ontem o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

O nível estrutural da taxa de juros?! Candidatou-se a um Prêmio Nobel da Economia inventando esse conceito! Trocou a taxa de juro natural, conceito existente há 2,5 séculos na Teoria Monetária, à qual a taxa de juro de mercado deveria se igualar, por essa inovação conceitual!

Segundo Ilan, o debate sobre o ajuste fino da política monetária – se a taxa Selic deve cair 0,25 ou 0,5 ponto – faz parte do jogo e os Bancos Centrais tendem a lidar melhor com ele. Já a discussão mais antiga, sobre o juro estruturalmente alto do Brasil em relação a seus pares, é outra e está relacionada ao crescimento das despesas, disse Ilan, em evento na Fecomércio, em São Paulo. “O período em que juro estrutural não cai é o mesmo em que despesa não para de crescer”, afirmou.

Ora, o infeliz reclama da “expansão da demanda agregada” com a taxa de desemprego em 12% da PEA?! Apertem os cintos, parem o avião, o piloto enlouqueceu!

Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), o colegiado do BC informou que alguns membros chegaram a discutir a intensificação do alívio monetário. Opa! Que açodamento! O que é isso, ouvindo os reclamos populares e não escutando a voz da razão capital, i.é, a dos donos do capital?!

Todos os membros do Copom, contudo, votaram por corte de 0,25 ponto percentual da meta Selic, o que acabou gerando críticas de que o BC estaria sendo excessivamente conservador em meio à recessão. Imagina! Que injustiça! Afinal, estão todos os trabalhadores se arriscando a perder o emprego e sem renda do capital como eles viverão sem juros?!

Ilan, no entanto, preferiu focar os juros estruturalmente mais altos. Como explicação, ou melhor mitificação, além do crescimento da despesa fora de controle, ele lembrou que mais da metade do sistema financeiro roda a taxas subsidiadas, recorrendo à ideia de “meia- entrada” — uma referência neoliberal ao peso do crédito direcionado na economia brasileira.

Os neoliberais brasileiros agora descobriram essa “gracinha”: o problema dos cinemas vazios é responsabilidade da existência da meia-entrada para estudantes “ricos” e gratuidade para idosos “ricos”. O populismo de direita deles justifica o juro alto porque existe juro baixo no País! Pergunte aos empresários se eles não são dependentes desse juro baixo de BNDES, BB e Caixa…

Dentre os caminhos apontados para resolver a questão, Ilan citou reformas como a que estabelece um teto para os gastos públicos, aprovada em segundo turno no Senado. Simplesmente, essa política fiscal anti-keynesiana agravará a Grande Depressão no Brasil! Não haverá gasto público para substituir a carência de gasto privado em investimentos!

Não dará certo e os neoliberais (ir)responsáveis falarão que “o problema está na falta de implementação de uma agenda microeconômica”: mudanças das regras que impõem dificuldades de se fazer negócio no país.

Segundo Ilan, fazendo bem o seu papel a política monetária ajuda a recuperação econômica, mas sozinha produz um alívio apenas temporário e precisa vir acompanhada de outras reformas. O próximo passo, disse ele, é aprovar a reforma da Previdência. Isto! Medidas impopulares para matar os véios! Não haverá déficit previdenciário sem aposentados para receberem pensão! Adeus, geração baby-boom, fomos rebeldes enquanto vivemos…

Como recado à parte do mercado que demanda uma aceleração do ritmo de corte da Selic, Ilan disse que “recessões causadas por processo de desalavancagem tendem a demorar mais, já que o estímulo ao investimento fica prejudicado“. Segundo ele, “esse processo de desalavancagem ainda está em curso e a política econômica tem papel de suavizar os efeitos desse ajuste sobre a atividade. A política econômica ajuda. Pode não ser no ‘timing‘ desejado, mas ajuda”. 🙂

Com a queda da inflação corrente e das expectativas para os preços, afirmou ele, “parece que há espaço para queda mais sustentável dos juros do que no passado“. “E isso pode ajudar na retomada da economia”. Ilan ressaltou ainda que “estamos vivendo mais incertezas do que gostaríamos no campo político“, e isso “obviamente” tem impacto. 🙂

Segundo ele, é preciso trabalhar para reduzir incertezas “econômicas e não econômicas”. “Na parte que me toca, eu tento ajudar a reduzir incertezas econômicas trabalhando numa conjuntura de incertezas que vão além das econômicas”, disse. 🙂

Ele ponderou que só a queda das expectativas de inflação já colabora para a melhora de percepção na economia. “Os horizontes se alongam, você consegue fazer contas, os prêmios de risco diminuem.” Ilan disse ainda que o BC tem interlocução com outras áreas do governo, mas que a política monetária atua de forma “autônoma”. “Pensa-se junto, mas cada um no seu quadrado.”

Ora, este “gênio da raça” não merece um Prêmio Nobel de Economia? Independentemente da conjuntura de Grande Depressão, defende que cada órgão público use seu instrumento de política econômica de maneira descoordenada que, no final, o equilíbrio geral do mercado prometido em livros-textos norte-americanos se cumprirá!

Onde ele estudou? De origem judaica, nasceu em Haifa, Israel. Parte de sua criação deu-se no Rio de Janeiro, onde estudou no Colégio Israelita Brasileiro A. Liessin. Em 1988, graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em 1991, obteve mestrado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) – da qual se tornaria professor. Em 1995, obteve doutorado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Economista Chefe e Sócio, Itaú Unibanco (abr/2009 – mai/2016). Ora, tá explicado: PUC-RJ-MIT-ITAÚ-UNIBANCO-BCB…

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