Rentabilidade de Fundos Inversamente Proporcional à Taxa de Administração

taxas-de-administracao-de-fifs

Quando for negociar com um gerente de banco uma aplicação financeira, sem dúvida, decida logo por aquela pós-fixada, para aproveitar a elevadíssima taxa de juro real brasileira sem risco de MtM (“marcação-a-mercado”) de títulos prefixados, mesmo se indexados à índice de preço (IPCA como o NTNs).

  • Se for isenta de tributos, como as LCI/LCA, ótimo, barganhe o % de CDI.
  • Se for FIF RF DI, decida por aquele que cobra menor taxa de administração.

O gerente dirá “pintinho, este milho não é para seu bico”, tem de ter volume de negócios, i.é, “bala-na-agulha”! Contra-argumente que “o banco tem que crescer conjuntamente com o cliente” e se ele te oferecer FIF (Fundo de Investimento Financeiro) tipo “Private Banking“, você jura que no futuro será um desses clientes! Aí você verificará que um Fundo que cobra 0,5% de taxa de administração exige volume de negócios (em todas as aplicações do banco) inicial de um milhão de reais. Só…

Adriana Cotias (Valor, 19/12/16) informa que, com o alívio monetário que começou a ser empreendido pelo Banco Central (BC), o setor de fundos de investimentos deve se ver forçado a reduzir as taxas de administração em 2017, segundo análise da Moody’s Investors Service, especialmente nas carteiras de renda fixa. Em meio ao processo que pode levar a Selic para a casa dos 10% ao ano, dos 13,75% atuais, a agência de classificação de risco espera um movimento de consolidação que deve tirar do jogo principalmente as gestoras de recursos independentes de pequeno e médio portes.

Ao longo de 2016, as comissões cobradas dos investidores permaneceram relativamente estáveis, em parte pelas altas taxas de juros da economia brasileira, que reduzem a pressão para que os gestores de recursos cortem as tarifas. Todavia, com o Banco Central já relaxando a política monetária — parece que não haverá o Efeito Trump em um pedacinho do mundo —, as taxas de administração estarão sob pressão em 2017, especialmente nos fundos de renda fixa, que devem enfrentar uma forte competição com depósitos de poupança alternativos.

O custo médio dos fundos de renda fixa foi de 1,03% neste ano, com os multimercados cobrando 1,82% e as carteiras de ações, 2,11%. A taxa de administração influi, direta e inversamente proporcional,  na rentabilidade do investidor.

Ao mesmo tempo, a Moody’s espera que os fundos multimercados (“hedge“) brasileiros e os fundos de ações fiquem isolados das pressões competitivas porque esses portfólios tipicamente focam na gestão ativa. Fundos nessas duas categorias geralmente exibem alto grau de diferenciação, oferecendo uma vasta gama de estratégias de investimentos, dando aos gestores maior poder na formação de preços.

Em meio à pressão para reduzir tarifas que os juros menores tendem a impor, a agência antevê algum movimento de consolidação no setor, na medida em que gestoras independentes de pequeno e médio portes podem sofrer alguma deterioração para reter receitas e não contam tipicamente com o suporte de grandes conglomerados financeiros.

Após uma forte recuperação no fluxo de captações líquidas para os fundos de investimentos brasileiros em 2016, que atraíram cerca de US$ 23 bilhões, a Moody’s espera uma desaceleração no ano que vem. Para a agência de classificação de risco, que acompanha 200 portfólios de renda fixa na América Latina, o ambiente de crescimento persistentemente fraco no Brasil vai pesar mais uma vez sobre o emprego e a capacidade de poupança dos investidores.

A ressaca da profunda e maior recessão do país em 25 anos continuará a afetar os fluxos de investimentos. As condições econômicas continuarão trazendo dificuldades para os gestores de recursos baterem seus benchmarks, limitando o crescimento das taxas de performance. Para a agência, apenas um crescimento econômico mais acelerado do que o antecipado poderia incrementar a captação líquida do segmento. No Brasil, os recursos sob gestão representam um percentual de 40% do PIB. Em novembro de 2016, somavam R$ 3,4 trilhões.

Assim como se observou neste ano, a expectativa é que o segmento mais resiliente da indústria de gestão de recursos será o de Fundos de Previdência Complementar, impulsionado pelos estímulos fiscais que fomentaram a crescente demanda dos investidores por Planos de Previdência Privada (PGBL e VGBL). Segundo especialistas do setor, com a reforma do sistema público prevista para 2017, um contingente maior de pessoas tende a acessar a previdência complementar. Os fundos de pensão provavelmente continuarão a ganhar participação de mercado na indústria.

Apesar do ciclo de corte da Selic, a expectativa da agência é que na alocação os gestores mantenham a concentração em títulos do governo e em operações compromissadas, dada a alta taxa nominal de juros. Conforme calcula a agência, 69,9% dos ativos nos portfólios correspondem a esse tipo de risco. Papéis emitidos por empresas representam 17,2%, enquanto ações outros 8,8%.

Independentemente da maturidade, os ativos do governo são líquidos, com risco relativamente baixo e taxas de carregamento atrativas. Como consequência, os gestores de recursos dependem pesadamente das emissões do governo ao planejar as suas estratégias, especialmente os investidores de longo prazo, como os fundos de pensão, que têm alternativas limitadas de duração maior.” Tal preferência significa que a solvência da renda fixa e dos fundos de pensão está altamente associada ao risco soberano brasileiro. Este não pode ser associado a um governo golpista temeroso tipo cai-não-cai! Lá vem contragolpe!

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s