Desemprego Tecnológico na 4a. Revolução Industrial nos EUA

 

Por Andrew Tangel e Patrick McGroarty (WSJ, 18 de Dezembro de 2016) informam que as fábricas já estavam voltando a operar nos Estados Unidos antes mesmo da promessa de revitalizar o setor industrial que ajudou a levar Donald Trump à presidência do país.

Mas os números de postos de trabalho que estão sendo verificados não são os mesmos do passado, uma realidade que tornará difícil para Trump — ou qualquer outra pessoa — impulsionar as taxas de emprego no coração industrial dos EUA, como ele prometeu. A tecnologia e a automação tornaram possível para as empresas manufatureiras funcionar, e mesmo prosperar, com menos empregados do que nunca antes.

A produção industrial do país está próxima dos níveis anteriores à recessão. Mas cerca de 1,5 milhão de empregos em fábricas — aproximadamente 20% dos postos perdidos durante a recessão — não retornaram. As indústrias empregaram 12,3 milhões de pessoas em novembro de 2016, bem abaixo dos 13,7 milhões registrados em dezembro de 2007, quando a recessão começou oficialmente.

A produção industrial americana ficou inalterada em novembro de 2016, ao mesmo tempo em que os empregos no setor caíram em relação ao mês anterior, de acordo com dados do Fed, o banco central americano, e do Departamento do Trabalho dos EUA. Na verdade, a produção industrial do país já se recuperou desde a recessão, mas o emprego nas fábricas está ficando para trás.

No geral, o número de postos de emprego nos EUA cresceu 11% entre junho de 2009, quando a recessão oficialmente acabou, e novembro de 2016, quando o Departamento do Trabalho computou 145 milhões de empregos, excluindo-se aqueles na agricultura. As folhas de pagamentos das fábricas cresceram apenas 5% no período.

A demanda é alta por trabalhadores bem treinados. O número de postos disponíveis no setor industrial é o mais elevado em 15 anos. Mas operários de baixa qualificação não conseguem se recolocar no setor que conta cada vez mais com alta tecnologia, independentemente de o quão rápido a economia cresça.

Há duas economias, uma moderna — a robótica — e a outra — a obsoleta — não vai pegar fogo, não importa quanta gasolina você jogue nela.

Espera-se que a parcela de trabalhadores americanos empregados em fábricas continue caindo dos atuais 8,5% à medida que a produtividade e a eficiência eliminem a necessidade de grandes forças de trabalho. Está se vendo essas tendência há anos, e não há razão para ver porque isso mudaria.

Trump tem sugerido o contrário do que esta quarta revolução industrial sugere. Em um comício recente ele reiterou planos de eliminar regulações e reformular as relações comerciais com a China, o que ele diz que irá gerar crescimento econômico e empregos.

Em novembro, Trump convenceu a Carrier, da United Technologies Corp., a manter em Indiana um terço dos 2.100 empregos que a firma planejava transferir para o México em troca de US$ 7 milhões em incentivos num período de dez anos. Ele também criticou pelo Twitter os planos da Rexnord Corp. de transferir cerca de 350 empregos para o México.

Não está claro se essa abordagem do presidente eleito ou um crescimento econômico ainda maior farão as indústrias voltarem a contratar em grandes números.

Muitas empresas simplesmente afirmam que é mais fácil produzir mais com menos empregados. Investimentos na automação em última análise significam que haverá menos empregos.

Por alguns cálculos, os investimentos em tecnologia de fabricação estão sendo feitos lentamente nos EUA, mas, se houver uma recuperação nesses gastos, o que em outubro já deu sinais de estar acontecendo, segundo a Associação de Tecnologia Industrial, o número de empregos no setor manufatureiro poderá sofrer ainda mais.

Quando se descarta os planos da empresa de transferir suas fábricas de máquinas dos EUA para o México, salvando os empregos de milhares de pessoas, há com uma contrapartida: uma reforma de mais de US$ 200 milhões em várias fábricas da empresa que ainda poderia resultar na substituição de centenas de operários por máquinas.

Há gente empregada em demasia. Você anda por fábricas e vê oportunidades de automatização por todos os lados. Só um aumento na demanda permitirá contratar mais operários.

Esses empregos nas fábricas modernizadas vão exigir qualificações melhores do que as dos operários atuais. Funcionários de baixa qualificação que deixam empresas podem acabar ficando para trás.

Algumas empresas modernas sequer estão contratando. Desde sua eleição, Trump reconheceu a tendência de cada vez mais automação nas fábricas, mas afirmou que os EUA passariam então a fazer mais produtos, incluindo os robôs que poderiam substituir os trabalhadores.

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