Demografia Médica

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Pelo Censo Demográfico de 2010, existiam 241.510 médicos ou 0,4% da população ocupada (PO). Cerca de 29% deles estavam no 1% mais rico dessa população, sendo que neste top 11,1% eram médicos. Fora os 2.274.184 profissionais com Ensino Superior que trabalhavam com Administração, Negócios e Economia (3,6% do total da PO), que eram 15,4% do top 1% mais rico, mas só 4,3% estavam no 1% mais rico, nenhuma categoria profissional de nível superior superava a dos médicos em renda. Por natureza ocupacional, encontravam-se em sexto lugar no ranking de riquezas per capita e em oitavo lugar no ranking de rendas per capita.

Neste último ranking, fora os Titulares de Cartório, superavam os médicos só as ocupações próximas do(s Três) Poder(es), ou seja, aqueles profissionais que têm o poder de fixar a própria rendaAlguns médicos mercantilistas obtém esse poder junto às famílias do cliente rico na “hora da morte”, amém

Foram 331.988 médicos declarantes DIRPF 2015 – AC 2014 (veja tabelas acima). As deduções com Despesas Médicas foram as maiores, somando R$ 56,58 bilhões, superando até mesmo os R$ 55,34 bilhões com Previdência Oficial e Funpresp. Planos de Saúde no Brasil recebem os maiores pagamentos: R$ 47,52 bilhões ou 23,32% do total de Pagamentos e Doações. Somam-se a eles os pagamentos com “Hospitais, Clínicas e Laboratórios no Brasil” (11,93 bilhões ou 5,85%) e “Médicos no Brasil” (R$ 2,26 bilhões ou 1,11%), atingindo esses gastos com saúde dos 27.581.083 declarantes.

Estas despesas dedutíveis das castas — e não dos párias, que são atendidos por SUS –, atingem 30,28% dos gastos totais. Supera bastante as despesas com Instrução no Brasil (21%), sendo que as declaradas com um teto como limite de deduções somaram R$ 20 bilhões.

Os dados dessa fonte são interessantes de serem comparados com os do Censo do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de SP). O número de médicos no Estado de São Paulo cresceu em ritmo quase quatro vezes superior ao da população paulista nos últimos 35 anos. Enquanto a população paulista aumentou 78% entre 1980 e 2015, o número de médicos no Estado cresceu 287%, chegando a 124 mil profissionais, segundo o levantamento Demografia Médica.

O número de médicos chegou a 2,79 para cada mil habitantes — acima da média nacional, de 2,1, mas bem abaixo das médias do Rio de Janeiro (3,75) e Distrito Federal (4,9). Esses profissionais se concentram não só nos grandes centros urbanos, mas também em áreas mais ricas das cidades. Na capital paulista, a densidade é de 4,58 médicos por mil habitantes. Ainda assim, faltam médicos para atuar na rede pública na periferia.

Dada a escassez de médicos, cuja oferta é controlada pelo lobby das Associações Médicas e dos Conselhos, eleva o poder de barganha da corporação. A sociedade brasileira presenciou esse corporativismo em suas críticas ao Programa Mais Médico do saudoso Governo Dilma. Éramos felizes e não sabíamos…

As cidades com mais médicos por habitante no Estado de São Paulo são Santos (6,9 profissionais por mil pessoas), Botucatu (6,45), Ribeirão Preto (6,2), Presidente Prudente (5,82) e São José do Rio Preto (5,56). Todas essas cidades possuem cursos de medicina. Em todo o Estado, diz o conselho, há 46 faculdades de medicina.

O problema não está no número de faculdades, mas nos locais em que as novas instituições solicitam a abertura da unidade. Ele cita como exemplo o pedido de duas novas instituições na região de Santos.

Em Santos já há duas faculdades de medicina, mas recebemos no último ano pedido de abertura para Cubatão e Guarujá. É absolutamente desnecessário. Seria melhor ter um programa de residência médica em áreas em que você não tem esse tipo de programa, como no Vale do Ribeira, região próxima ao litoral norte. As regiões mais carentes são a de Registro (0,86) e de São João da Boa Vista (1,37).

De acordo com levantamento, 40% dos médicos não possuem especialização. As áreas mais procuradas são pediatria, clínica médica, cirurgia geral, ginecologia obstetrícia. Essas são as áreas mais procuradas porque o pronto-socorro precisa dessas áreas, além da alta demanda. A pediatria está “hiperespecializada”, com poucos pediatras gerais, o que também dificulta o atendimento.

Medicina esportiva, radioterapia, cirurgia de mão e genética médica são as que têm o menor número de médicos especialistas. O principal problema é a falta de especialistas em medicina da família e comunidade. O investimento em medicina da família reduziria custos aumentaria a eficiência no tratamento das doenças.

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