Casta de Mercadores: Inflando uma Bolha de Ativos

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Os membros da casta dos mercadores-financistas se apossaram dos cargos-chave na área econômico-financeira do governos temeroso: ex-presi de banco estrangeiro é o MinFaz e ex-economista-chefe de banco nacional privado é presi do BCB. Daí vão brotando “ideias-geniais” para elevar a riqueza financeira enquanto a economia brasileira vive uma Grande Depressão já trienal. Ela foi provocada com a volta da Velha Matriz Neoliberal ao comando da economia, em 2015, e se mantém, recebendo a louvação ilusória, cotidianamente, de colunistas idolatras do PIG.

A última ideia de “gênio-da-raça” foi esvaziar o funding da Caixa para financiamento de construção de Habitações de Interesse Social, cujos mutuários necessitam de recursos subsidiados do FGTS. De acordo com esse “populismo de direita”, o dinheiro sairá do FGTS e, provavelmente, irá abastecer o regime de capitalização dos fundos de Previdência Privada Complementar.

Sob o ponto de vista individualista do detentor de FGTS é uma manobra racional deixar de receber 3% aa + TR e passar a receber, p.ex., 13,04% como ocorreu no ano passado (2016) em PGBL com RF Crédito Privado.

Sob o ponto de vista social, considerando que a sociedade brasileira necessita cobrir o déficit habitacional em que 95% se refere às famílias que recebem menos de 5 salários mínimos, a medida é irresponsável!

Sob o ponto de vista dos financistas, a carência de ativos que agregam valor na produção levará à busca aos dados ativos financeiros. O choque de demanda na caça por “formas de manutenção de riqueza” (ativos) levará a uma alta artificial dos ativos — p.ex., ações de grandes empresas brasileiras — e, com o enriquecimento súbito de alguns apaniguados de O Mercado, a uma falsa euforia. Depois, quando a bolha de ativos se revelar sem sustentação em valor agregado, virá o pânico

Edna Simão (Valor, 05/01/17) informa que o lucro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de 2016 será puxado pelos ganhos com títulos públicos corrigidos pela taxa básica de juros (Selic) e deverá ficar na casa dos R$ 15 bilhões em 2016. De julho de 2015 a outubro de 2016, a taxa básica de juros ficou estagnada em 14,25% ano. Em dezembro, a Selic caiu para 13,75%. Em 2015, o lucro do fundo foi de R$ 13,3 bilhões, refletindo também o comportamento da Selic.

No fim do ano passado, o governo golpista e temeroso da reação popular decidiu distribuir 50% do lucro do FGTS com as aplicações do fundo, após serem retiradas as obrigações com programas de financiamento habitacional e de saneamento. O rateio será depositado direto na conta do FGTS dos trabalhadores. Com a medida, o objetivo é melhorar a rentabilidade do trabalhador, que atualmente é de 3% mais TR ao ano.

Segundo a justificativa para edição da MP 763, que trata da distribuição do lucro e da permissão de saque de saldos de contas inativos até fim de 2015, “estudos recentes demonstram que destinar 50% do resultado alcançado pelo fundo aos detentores de contas vinculadas não traria riscos à liquidez ou ao seu desenvolvimento de médio e longo prazo, mas permitiria uma elevação da rentabilidade média das contas de 3,7% ao para 5,5% ao ano, sem impor qualquer ônus às taxas de aplicação do FGTS”.

A assessoria de imprensa da Caixa informou que a ideia é divulgar até o fim do primeiro trimestre o resultado do FGTS para que a distribuição do lucro seja realizada. A expectativa é que os trabalhadores recebam o valor a partir do segundo semestre. Ainda está sendo estudada a forma com que será feito, por exemplo, o repasse do dividendo para quem sacar as contas inativas.

Para técnicos do governo que são contrários à medida, a decisão vai reduzir as disponibilidades do fundo para investimentos em habitação e infraestrutura e não terá impacto relevante para a retomada da economia. Eles dizem ainda que a tendência é que a lucratividade do fundo caia no decorrer do tempo com a perspectiva de baixa da taxa Selic, o que também reduzirá os recursos do FGTS.

Com a permissão para o saque de contas que estavam inativas até o fim de 2015, o governo estima que serão retirados R$ 30 bilhões do fundo, uma injeção de 0,5% do PIB em recursos na economia. “Essas medidas, em função da magnitude e tempestividade de seus efeitos sobre a economia, devem contribuir para a retomada do crescimento tão necessária ao desenvolvimento do país”, informou a justificativa da MP. 🙂

pgbl-vgbl-2016Daniela Meibak (Valor, 04/01/17) informa que os brasileiros estão a temer a reforma previdenciária anunciada pelo governo golpista. Este temor tem levado os fundos abertos de Previdência Privada (PGBL/VGBL) a bater recorde de captação ano após ano. As entradas líquidas de recursos são de quase R$ 48 bilhões de janeiro até 29 de dezembro de 2016, último dado da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Em 2015, a captação líquida havia ficado em R$ 39 bilhões.

A captação e a rentabilidade dos recursos elevaram o patrimônio líquido desses fundos a R$ 614 bilhões — ou 18% dos recursos totais da indústria de fundos. Desse volume, 96% está concentrado na categoria de renda fixa e o restante se divide em fundos balanceados, multimercados e de ações. Até agora esses investidores estão corretos na estratégia de não correr riscos em renda variável se a renda fixa oferece uma taxa de juros real ex-post de cerca de 6% aa.

O ano foi bem positivo para a previdência privada no geral, com o reflexo de um investidor mais consciente que elevou a sua parcela de investimento de longo prazo para aposentadoria. A medida que a Previdência Social está sujeita a revisões que irão reduzir benefícios do trabalhador, a Previdência Privada se fortalece como alternativa para alegria de financistas de O Mercado.

A Brasilprev segue sendo o destaque entre as maiores captações no período. Até outubro, a instituição tinha entrada líquida de R$ 20,8 bilhões, o que representava 46% de novos recursos de todo mercado de previdência. De acordo com o presidente da instituição, Paulo Valle (ex-secretário adjunto da STN que administrava a dívida pública brasileira), a rede de distribuição do Banco do Brasil é um dos principais diferenciais, além dos consultores que dão suporte aos gerentes do banco.

Dentre as diferentes categorias de fundos, os que se saíram melhor em rentabilidade foram aqueles com maior participação na bolsa de valores que correm o risco de volatilidade. O primeiro destaque fica com os fundos de ações que tiveram valorização de 35,9% no período, seguidos pelos balanceados com parcela de investimento em renda variável acima de 30%, com valorização de 23,4%. Na sequência vêm os fundos multimercados, aqueles com aplicação de 15% a 30% em renda variável, os de renda fixa e os balanceados com até 15% em renda variável. Quase todos recursos investidos, no entanto, ficam em renda fixa. Prudência é necessária de acordo com o ciclo de vida.

Os gestores continuam ensaiando o aumento do risco nas carteiras e seguem conservadores em meio às incertezas que rondam o ano de 2017. Depois de um ano difícil, com o golpe no Brasil, asaída do Reino Unido da UE e a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, muitas consequências dessas catástrofes ainda são desconhecidas e o grau de incerteza visto em 2016 poderá aumentar ainda mais.

Constatada a ilusão do golpe parlamentarista, a economia não retomou o crescimento, pelo contrário, as expectativas estão mais negativas. Há quem espere um resultado para o PIB de 2017 igual a zero ou negativo. Incertezas continuam tanto no mercado local quanto na geopolítica internacional.

A visão cautelosa dos insiders, por um lado, vê incertezas e, por outro, vê pouco prêmio nos ativos. Depois do rali (choque de demanda sobre os preços dos ativos), os títulos já precificavam boa parte da perspectiva mais favorável, então reduzem um pouco risco.

Em 2017, é menos provável um ano especulativo em renda variável como foi o ano passado. Por isso, os profissionais estão com uma alocação de neutra para mais reduzida esperando a entrada retardatária dos outsiders. Encurtam a carteira de renda-fixa e agora têm prazos médio e curto, com risco menor.

No início de 2016, as carteiras da casa estavam muito concentradas em títulos de inflação de curto prazo para diminuir a volatilidade. Ao longo do ano, os prazos foram sendo alongados e, com a inversão do cenário de inflação e a expectativa de fechar dezembro em torno de 6,5%, a estratégia mudou e aumentou a participação de pré-fixados.

A recente comunicação do Banco Central já aponta uma redução dos juros mais acelerada. Esse é um cenário propício para investimento em prefixados desde que não ocorra o esperado “efeito Trump” — e consequente retomada da alta de juros aqui para segurar o repatriamento de capital para lá.

No geral, é comum os especuladores espalharem a boataria de que 2017 deverá ter uma maior participação da alocação de recursos em títulos corporativos de renda fixa. Durante 2016, a visão do mercado era que a dificuldade econômica levaria as empresas a ter um resultado operacional pior, o que impactaria os balanços e o funding. Com “a visão menos negativa da economia” [?!], a tendência de queda dos juros e a falta de ativos no mercado tornam os títulos de dívida corporativa mais atraentes para esses investidores. 🙂

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