Fascismo Latente: Chocando o “Ovo da Serpente”

bolsonaro

Similaridade não é igualdade. É similar o que é da mesma natureza ou espécie. É parecido ou semelhante a outro, mas não é o outro.

O “ovo da serpente” foi chocado durante a hiperinflação alemã nos anos 20 do século XX. Sua casca se quebrou, nos anos 30, durante a Grande Depressão.

Em 1933, o Partido Nazista se tornou o maior partido eleito no Reichstag, com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado Chanceler da Alemanha no dia 30 de janeiro do mesmo ano. Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o Parlamento aprovou a Lei Habilitante de 1933, que começou o processo de transformar a República de Weimar na Alemanha Nazista, uma ditadura de partido único totalitária e autocrática de ideologia nacional-socialista (nazi).

Hitler pregava:

  1. a eliminação dos judeus da Alemanha e
  2. o estabelecimento de uma Nova Ordem para combater o que ele via como injustiças pós-Primeira Grande Guerra, em uma Europa dominada pelos britânicos e franceses.

O conservadorismo crescente que assistimos hoje, aqui e em todo o mundo ocidental, tem raízes similares às desse “ovo da serpente”?

É reação dos reacionários xenófobos contra a imigração dos desterrados pela miséria ou guerra?

É fruto da insatisfação do operariado com perda do emprego industrial e de status social, provocada seja pela globalização, seja pela Grande Depressão pós-2008, e capitalizada politicamente por milionários/bilionários populistas de direita?

Quando lemos os comentários violentos, levianos e estúpidos, seja de colunistas da “grande imprensa brasileira”, seja postados embaixo de qualquer reportagem pró igualitarismo social, ou seja, favorável à esquerda, e lembramos dos ataques fascistas contra minorias na Europa pré-II Guerra Mundial, há similaridade?

Cabe usar o conceito de fascista para classificar a direita brasileira?

Segundo Edda Saccomani, no Dicionário de Política, organizado por Norberto Bobbio, na literatura referente ao Fascismo é normal depararmos com definições diversas e frequentemente contraditórias deste conceito. A multiplicidade de definições é demonstrativa não só pela real complexidade do objeto estudado, como também pela pluralidade de enfoques, cada um dos quais acentua, de preferência, um ou outro traço considerado particularmente significativo para a descrição ou explicação do fenômeno.

Preliminarmente, podemos distinguir três usos ou significados principais do termo.

  1. o primeiro faz referência ao núcleo histórico original, constituído pelo Fascismo italiano em sua historicidade específica;
  2. o segundo está ligado à dimensão internacional que o Fascismo alcançou, quando o nacional-socialismo se consolidou na Alemanha com tais características ideológicas, tais critérios organizativos e finalidades políticas, que levou os contemporâneos a estabelecerem uma analogia essencial entre o Fascismo italiano e o que foi chamado de Fascismo alemão;
  3. o terceiro, enfim, estende o termo a todos os movimentos ou regimes que compartilham com aquele que foi definido como “Fascismo histórico”, de um certo núcleo de características ideológicas e/ou critérios de organização e/ou finalidades políticas.

Nesta última acepção, o termo Fascismo assumiu contornos tão indefinidos, que se tornou difícil sua utilização com propósitos científicos. Por isso, vem-se acentuando cada vez mais a tendência de restringir seu uso apenas ao Fascismo histórico, cuja história se desenrola na Europa entre os anos 1919 e 1945 e que está essencial e especificamente representado no Fascismo italiano e no nacional-socialismo alemão.

Em geral, se entende por Fascismo um sistema autoritário de dominação que é caracterizado:

  1. pela monopolização da representação política por parte de um partido único de massa, hierarquicamente organizado;
  2. por uma ideologia fundada no culto do chefe, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo dos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema de tipo corporativo;
  3. por objetivos de expansão imperialista, a alcançar em nome da luta das nações pobres contra as potências plutocráticas;
  4. pela mobilização das massas e pelo seu enquadramento em organizações tendentes a uma socialização política planificada, funcional ao regime;
  5. pelo aniquilamento das oposições, mediante o uso da violência e do terror;
  6. por um aparelho de propaganda baseado no controle das informações e dos meios de comunicação de massa;
  7. por um crescente dirigismo estatal no âmbito de uma economia que continua a ser, fundamentalmente, de tipo privado;
  8. pela tentativa de integrar nas estruturas de controle do partido ou do Estado, de acordo com uma lógica totalitária, a totalidade das relações econômicas, sociais, políticas e culturais.

charge-latuff-lobao

 

One thought on “Fascismo Latente: Chocando o “Ovo da Serpente”

  1. Sobre a abrangência da definição de fascismo recomendo a leitura de “Friendly Fascism- The New Face Of Power In America” de Bertram Gross. Foi escrito em 1980, acabei de ler, é um 1984 de não ficção, tristemente profético.

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