Matriz Energética Brasileira e o Fim de “O Petróleo é Nosso!”

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André Ramalho (Valor, 26/01/17) informa que, com o crescimento acelerado das renováveis, a matriz energética brasileira se tornará cada vez menos dependente do petróleo, ainda que o combustível fóssil se mantenha como o combustível dominante. A projeção é da petroleira britânica BP, que prevê que a energia eólica ultrapasse o gás natural como a segunda maior fonte de geração de energia elétrica do país em 2035.

A expectativa da BP é que o crescimento da importância da energia limpa, no Brasil, siga a tendência internacional. Globalmente, a previsão da britânica é que os combustíveis não fósseis respondam por metade do crescimento do fornecimento de energia nos próximos 20 anos. E que o petróleo e o gás, juntamente com o carvão, continuem como as principais fontes de energia que alimentarão a economia mundial, sendo responsáveis por mais de 75% da oferta mundial de energia em 2035, contra os 86% de 2015.

De acordo com o relatório BP Energy Outlook, divulgado pela multinacional, a parcela do petróleo na matriz de combustíveis, no Brasil, deverá cair dos atuais 41% para 34% em 2035, diante da tendência de crescimento das fontes limpas. A expectativa é que o consumo de renováveis (incluindo os biocombustíveis) cresça, em média, 4,8% ao ano no período.

As projeções da BP indicam que, com exceção do carvão, todas as demais fontes devem crescer no Brasil, com destaque também para o gás natural. A expectativa é que o consumo do combustível cresça 1,8% ao ano, acima da média global de 1,6%. Já o consumo de petróleo deve aumentar 0,8% ao ano, em linha com a média global.

A BP estima também que o consumo de energia elétrica deve crescer 2,2% ao ano entre 2015 e 2035. A hidroeletricidade continuará a dominar, mas sua participação na matriz elétrica cairá de 63% para 56%.

Do lado da produção, a previsão é que o aumento da produção de petróleo (70%) e gás natural (40%) mais do que compense a queda do carvão (-22%).

A produção de líquidos crescerá mais de 2 milhões de barris diários até 2035, para 5 milhões de barris/dia. Com o aumento da produção de petróleo e biocombustíveis, o Brasil continuará sendo o maior produtor de líquidos da América do Sul.

A previsão é que o país se torne exportador líquido de energia, com aumento das produções de petróleo, gás e hidroeletricidade, energia nuclear e renováveis. A produção de energia no Brasil, segundo o estudo, passará de 94% do consumo em 2015 para 112% em 2035.

Enquanto o futuro otimista não chega, no presente pessimista, as recentes licitações da Petrobras para a contratação da instalação da unidade de processamento de gás natural (UPGN) do Comperj, no Rio de Janeiro, e para a construção das plataformas de produção de petróleo dos campos de Libra e Sépia, no pré-sal da Bacia de Santos, que incluíram empresas estrangeiras, reacenderam a discussão sobre a manutenção de mão de obra no setor petrolífero brasileiro.

Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), entre 2013 e 2015 foi observada uma redução de mais de 15 mil postos de trabalho no mercado de petróleo, gás natural e indústria naval no Rio de Janeiro. Desse total, 10 mil postos são relativos à área naval e 5 mil à atividades de exploração e produção de óleo e gás. Os dados não incluem números relativos a 2016. Espera-se que para o ano de 2016 o saldo seja ainda mais negativo!

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho, o setor de atividade extrativa mineral (que inclui petróleo, gás e mineração) fechou 11.888 vagas no país em 2016.

No fim do ano passado, a Firjan encabeçou um grupo de 14 associações e entidades representantes da indústria para lançar o “Movimento Produz Brasil”. O objetivo é:

  1. defender o conteúdo local como um dos mecanismos de política industrial e
  2. ressaltar a contribuição da produção nacional na geração de emprego, renda e arrecadação de impostos.

Na ocasião do lançamento da iniciativa, o presidente da FIRJAN chamou a atenção para a necessidade de urgência que o governo golpista precisa ter para discutir medidas de manutenção de empregos na cadeia de petróleo e gás do país. Na época, em seu discurso mais contundente em relação ao governo até então. E a FIESP golpista, onde está ela? Inflando ainda o “patinho-amarelo”?!

Preocupada com a manutenção de empregos no setor, a recém-criada Associação Brasileira de Engenharia da Construção Onshore, Offshore e Naval (Abecoon) planeja criar cursos para engenheiros e técnicos da área desempregados para não deixarem o segmento.

Os cursos incluem também aulas de planejamento financeiro, para que esses profissionais se equilibrem do ponto de vista financeiro, durante o período de falta de vagas no setor.

“Esses profissionais que estão ficando desempregados acabam indo para outras atividades e, daqui a dois ou três anos, o mercado é sazonal, se não dermos capacitação continuada para esses profissionais, não teremos profissionais bons no mercado para essa nova onda que pode vir”, diz o presidente da Abecoon.

“Acabar com o conteúdo local, com o waiver [perdão pelo não cumprimento dos índices de conteúdo local] que a Petrobras está pedindo [à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)], acho que é radicalização demais. Fazer tudo no Brasil também é radicalização demais”, completa ele.

Em nota divulgada segunda-feira, a Petrobras destacou o óbvio que a recuperação da economia brasileira passa pela retomada de investimentos e geração de empregos. A companhia esclareceu ainda que a Constituição brasileira não diferencia empresas de acordo com a origem de seu capital. “O emprego gerado por essas companhias [estrangeiras] é tão necessário e tão bem-vindo quanto qualquer outro”. A Petrobras, que foi criada por uma campanha nacionalista, abandonou o nacionalismo! É o fim do “petróleo é nosso”!

A indisposição do setor privado em investir colabora para que o país não saia da mais longa recessão da nossa história provocada pela volta da Velha Matriz Neoliberal a partir de 2015 e mantida pelo governo golpista.

Diante da retomada dos leilões do pré-sal em 2017 e das mudanças no marco regulatório do setor, haverá melhoria da confiança da indústria brasileira de óleo e gás? Estudo da consultoria norueguesa DNV GL mostra que executivos do setor ainda esperarem um ano difícil, mas já estão mais otimistas com as oportunidades de negócios.

O levantamento, que ouviu 723 profissionais, dos quais 50 do Brasil, mostra que a confiança nas perspectivas para a indústria de óleo e gás mais que triplicou no país, de 16% em 2016 para 50% em 2017. A média global, para efeitos de comparação, é de 32%.

A pesquisa reflete um otimismo maior dos executivos brasileiros com algumas sinalizações regulatórias importantes. Ele cita como exemplo:

  1. o fim da obrigatoriedade da operação da Petrobras no pré-sal,
  2. as discussões em torno da mudança do marco regulatório do gás natural e
  3. a intenção do governo de instituir um calendário de leilões anuais de blocos exploratórios.

Apesar do anunciado aumento da confiança, os executivos no Brasil ainda esperam que 2017 seja um ano ruim para os negócios. A minoria (44% dos entrevistados) espera aumentar ou manter estável os investimentos este ano, embora a indústria mundial se mostre mais pessimista: a média global é de 39%. O percentual de brasileiros que esperam contratar para aumentar seu quadro de pessoal é de 22%, dez pontos percentuais acima da média global.

Do ponto de vista da lucratividade dos seus negócios, no entanto, a indústria brasileira está mais pessimista. Segundo a DNV GL, apenas um quarto (26%) dos profissionais seniores do setor no Brasil esperam alcançar suas metas de lucro neste ano, contra 34% das expectativas globais.

A indústria está se preparando para um crescimento que pode vir só após 2018, ano eleitoral para derrubar este governo golpista. Atualmente, os executivos ainda acreditam na queda das receitas. As mudanças geralmente têm um período de maturação até que gerem projetos tangíveis.

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O corte de investimentos da Petrobras em exploração derrubou o volume de reservas provadas da companhia pelo segundo ano seguido, para os níveis mais baixos desde 2001. Pelos critérios da SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, as reservas da empresa caíram 8% em 2016, para 9,672 bilhões de barris de óleo equivalente (BOE).

Os dados mostram que a petroleira até conseguiu incorporar mais barris às suas reservas do que em 2015, mas que as novas descobertas têm sido insuficientes para compensar as perdas provocadas pela produção e pelos desinvestimentos. Em 2016, a companhia repôs apenas 25% daquilo que perdeu.

A estatal adicionou as suas reservas 103 milhões de barris de óleo equivalente (BOE) ao incorporar novas descobertas, sobretudo no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. Volume mais que cinco vezes maior que as descobertas de 2015.

Esses barris a mais, contudo, não foram suficientes para compensar a produção, que consumiu 925 milhões de BOE; e os ativos vendidos, sobretudo na Argentina, que subtraíram 153 milhões de BOE das reservas.

O Bradesco BBI, no entanto, minimizou a redução das reservas. O banco de investimentos acredita que a queda terá efeito neutro sobre as ações da petroleira, porque o resultado já era “amplamente esperado” em meio ao corte de investimentos nos últimos dois anos. A expectativa da instituição, aliás, é que as reservas caiam novamente em 2017.

O Bradesco BBI acrescentou que o total de reservas da Petrobras é confortável para a longevidade da companhia e destacou que os números reportados pela estatal ainda não refletem totalmente os ativos da cessão onerosa. A estimativa do banco é que, se a Petrobras for de fato confirmada como credora da União após a renegociação do contrato da cessão onerosa, terá direito a receber uma reserva adicional de 3,5 bilhões de BOE.

No futuro, o banco espera que os números de reservas de 2017 experimentem outra queda, como resultado de um menor investimento em exploração, mas não acredita que seja a ponto de prejudicar o crescimento da produção de petróleo da companhia.

Na verdade, os números divulgados pela Petrobras são preocupantes, ainda mais porque os efeitos da queda do preço do barril do petróleo – que influencia no tamanho das reservas economicamente viáveis – já haviam sido contabilizados em 2015.

Claramente, a falta de investimentos exploratórios está afetando seriamente o valor da Petrobras. Seu maior patrimônio são as reservas de petróleo e o reabastecimento delas deveria ser um processo contínuo e ininterrupto. Esperava-se que o pré-sal estivesse contribuindo mais com a renovação das reservas.

Em 2016, a estatal declarou a comercialidade de apenas um novo campo no Brasil: Guriatã, na Bacia do Recôncavo. O número inexpressivo reflete a redução do ritmo exploratório. Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Petrobras perfurou em 2016 apenas dez poços, o menor patamar desde 1954! É um crime lesa-pátria!

A tendência é que as atividades continuem em baixa nos próximos anos. Isso porque o plano de negócios da estatal prevê, na média, investimentos de US$ 1,3 bilhão ao ano na área de exploração até 2021 – um corte de US$ 1 bilhão em relação ao montante que investiu em 2015, valor que já era baixo.

É um absurdo o que este golpista está fazendo na economia brasileira sob a omissão do Poder Legislativo e o Poder Judiciário!

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