O que define a Identidade Nacional

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The Economist (02/02/2017) informa que a ascensão do populismo na Europa e nos Estados Unidos revelou que os eleitores estão profundamente divididos sobre a imigração. Nacionalistas e populistas, de Donald Trump ao Partido da Independência do Reino Unido e a Alternativa para a Alemanha (AfD), proclamam que os governos devem dar prioridade para manter os estrangeiros fora de seus países. Mas fixar o que exatamente faz de alguém realmente um nacionalista ou um xenófobo é complicado. Isto porque, em parte, a identidade é baseada em uma mistura nebulosa dos valores, da língua, da história, da cultura e da cidadania.

Uma nova pesquisa do Pew Research Center, um think-tank, tenta desvendar a idéia de como alguém pode ser julgado ser genuinamente americano, britânico ou alemão. Perguntou aos entrevistados várias características – língua falada, costumes observados, religião e país de nascimento – e como elas eram importantes para ser um nacionalista de seu país.

Onde você mora faz uma grande diferença. Em média, nos 15 países pesquisados, falar a língua pátria de um Estado nacional é visto como a característica mais importante. A taxa holandesa é mais alta do que a de quaisquer cidadãos de outros países, enquanto os canadenses são os menos preocupados com a habilidade linguística, já que apenas a metade deles diz que ser capaz de conversar em inglês ou francês (uma das duas línguas nacionais) é muito importante. Uma razão pode ser que o Canadá sempre esteve dividido pela linguagem. Outra é que, junto com a Austrália, tem a maior parcela de pessoas nascidas no exterior entre os países pesquisados, com mais de 20% da população.

As experiências recentes com a imigração parecem afetar diferentes países de maneiras diferentes. As pessoas na Grécia e na Hungria, que foram países de trânsito para um grande fluxo de migrantes vindos do Oriente Médio, colocam uma grande importância na partilha de costumes e tradições, além do nascimento no país. Os gregos também se importam fortemente em ser cristãos.

No entanto, na Alemanha, o destino final para muitos dos refugiados e migrantes, os entrevistados dão comparativamente pouco peso a esses fatores. Isso sugere que ainda pode haver vida em Willkommenskultur, ou pelo menos que o partido AfD ainda tenha um longo caminho a percorrer antes de se tornar um verdadeiro candidato ao poder.

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5 thoughts on “O que define a Identidade Nacional

  1. Este tema é fascinante e tem sido assunto de muitos ensaio filosóficos e literários. Há muito tempo que ele me interessa. Sou brasileira. Mas morei a maior parte da minha vida fora do Brasil. Tive a oportunidade de me tornar cidadã de dois países diferentes além do Brasil, e nunca o fiz. Primeiro porque em ambos os países [EUA e Portugal] sempre me senti com todos os direitos, sempre estive legalizada. A única restrição era direito de votar. Que não me abalou. Talvez seja porque também nunca estive em local nenhum como “imigrante” ou seja no sentido de não ter um lugar no país de origem. No meu caso, a identidade cultural fala mais alto do que a cívica: é a primeira língua, o humor, a cultura oral. Há ensaios interessantes sobre o assunto principalmente de imigrantes para os EUA e França, grandes escritores como Amin Maalouf, Orhan Pamuk, Bertrand Russell entre outros que se dedicaram à questão da identidade no exílio. Como o aumento das migrações no mundo atual — não só pelas guerras, mas pela facilidade de transporte em alta, é um questão de importância.

    Boa postagem, um abraço

  2. Prezado Fernando,

    ao visitar outros países – estive no Caribe, Santo Domingo, Panamá, Paraguai e Argentina nos últimos 2 anos – pelo menos como turista sempre fui muito bem tratado e moraria nesses países com tranquilidade.

    Talvez a religião tenha um peso negativo quando se trata de compartilhar culturas, pois coloca em choque os credos em deuses diferentes (coisas que não existem de forma alguma), levando os povos a terem ódio uns dos outros justamente por motivos milenares que não acrescentam nada de útil para a convivência mútua.

    Um exemplo é o caso do Iraniano: Jim Al-Khalili: https://pt.wikipedia.org/wiki/Jim_Al-Khalili Ateu e formado nas universidades inglesas como a University College London, o mesmo que depois de muita luta e insistência, aceitou como membro nada menos do que Ramanujan. Segue os trabalhos do autor:

    https://rcristo.com.br/2017/01/24/o-homem-que-viu-o-infinito-ramanujan-completo-e-dublado-ebooks/

    Enquanto os povos não acabarem com seus deuses, será muito, mas muito difícil a convivência mútua. Outro exemplo: Brasil, cujo congresso, supremo tribunal e senado, têm a teocracia como referência; e até mesmo na economia, em todas as nossas cédulas está escrito “deus seja louvado”!

    Isto é uma vergonha para o país, essa é a prova definitiva de que o povo que não acredita no valor humano independente de seus credos está fadado ao fracasso.
    Abs.

    1. Prezado Reinaldo,
      estou de acordo contigo. Tenho muita curiosidade em conhecer mais essa promiscuidade entre o privado e o público, o religioso e o profano, a teologia e a laicidade.

      Acho interessante que o pacto da Monarquia Constitucionalista/Parlamentarista inglesa, em 1688, envolve, até hoje, uma Estado anglicano e a proibição do catolicismo na Realeza. Isto por causa do impedimento pelo Papa do divórcio do Henrique VIII no século XV!

      Religião sempre se misturou com o Poder Estatal, inclusive em defesa de territórios, a maior riqueza no passado.
      abs

      1. Prezado Fernando,

        a igreja se juntou ao estado para fazer o trabalho sujo, algo que estava além das obrigações do estado ficava para a igreja resolver. Isso ocorre deste o século I da EC (era comum), cuja alegoria em que Pilatos lava as mãos é um símbolo da desobrigação do estado em resolver questões políticas delicadas como sentenciar um inocente à morte, aí entrava a igreja com a inquisição.

        E hoje os mendigos que se arrastam pelas ruas das cidades são os indigentes abandonados pela igreja. A igreja foi até eles e os catequisou (plantou a ideia absurda de Deus), depois os abandonou nas ruas fazendo-os acreditar que estão pagando os pecados, essa ideia os consome de dentro para fora igual aos parasitas.

        Até mesmo o ex-presidente americano Barak Obama – Ateu discreto – segundo os amigos mais íntimos e a maioria dos intelectuais na internet (vide debate), concorda que as políticas de todos os países precisam ser cada vez mais humanizadas (ser tratadas sem influências religiosas): http://www.debate.org/opinions/is-obama-an-atheist

        President Obama on Atheism | Real Time with Bill Maher (Web Exclusive)

        O Ateismo discreto de Obama

      2. Prezado Reinaldo,
        estou acabando de ler a trilogia de Lira Neto, “Getúlio”. É curioso como um positivista convicto, portanto, ateu e (pretensamente) científico, abandona a defesa do Estado laico por oportunismo político na hora das campanhas políticas.

        Eu não me candidato a Presidente do Brasil por duas razões:
        1. o nome “Fernando” teve seu “filme queimado” por duas vezes;
        2. a maioria do eleitorado rejeita um ateu, mesmo que ele tenha as melhores qualificações!
        🙂

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