Formação Econômica do Brasil

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Celso Monteiro Furtado (1920-2004) foi um economista brasileiro e um dos mais destacados intelectuais do país ao longo do século XX. Sua Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico é a única obra de autor brasileiro que aparece entre os clássicos da História do Pensamento Econômico. Ele enfatizava o papel do Estado na economia para superar o subdesenvolvimento com a adoção de um modelo de desenvolvimento econômico com base na industrialização.

Na tentativa de explicar as causas do subdesenvolvimento brasileiro, Celso Furtado analisou a história do país considerando o modelo centro-periferia, apresentado no pensamento econômico da CEPAL. Para ele, o Brasil era periferia em relação ao centro, composto por países europeus e pelos Estados Unidos, até o fim do ciclo do café. Por consequência, o dinamismo do país era desproporcionalmente dependente das condições econômicas do centro.

Além dessa condição, o Brasil possuía uma lógica social e econômica própria na qual uma economia de subsistência e com muito baixa produtividade existia ao lado de uma economia altamente dinâmica voltada à exportação. A relação entre as duas caracterizou os diferentes ciclos do país:

  1. ciclo da cana-de-açúcar,
  2. ciclo do ouro e
  3. ciclo do café.

Esse último permitiu o início de um processo de industrialização no país. No entanto, por conta de sua posição de periferia e o dualismo interno, o Brasil teve que constantemente enfrentar dois grandes problemas:

  1. inflação e
  2. desigualdade de renda.

Formação Econômica do Brasil é um livro de história econômica brasileira, escrito por Celso Furtado em 1958, quando o autor se encontrava na Universidade de Cambridge, Inglaterra, fazendo estudos de pós-doutoramento. Publicado no Brasil em janeiro de 1959, desde então é lido por todas as gerações de economistas. Foi traduzido em oito idiomas: inglês, francês, castelhano, italiano, romeno, polonês, japonês e chinês.

“A originalidade do enfoque de Celso Furtado foi debruçar-se sobre o passado para esclarecer o presente, isto é, buscar nos cinco séculos da história brasileira as raízes dos problemas que entravavam o desenvolvimento do país. Também inovadora era a combinação do método histórico com a análise econômica, que levou o autor a esboçar uma visão interpretativa da sociedade brasileira e a abrir novos horizontes da compreensão do passado”.

Esse “modo amplo de ver”, como escreveu na época o historiador Francisco Iglesias, foi uma das razões que fez seu colega francês, o historiador Fernand Braudel, considerar Formação econômica do Brasil um dos grandes livros de história econômica do mundo.

Celso Furtado é tido como um dos grandes intérpretes do Brasil. A obra representa um marco na história das Ciências Sociais no Brasil. Inspirou estudos de gerações de pesquisadores e universitários não só na área de Economia e Sociologia, como também no campo da Política e da História.

O livro é dividido em cinco partes.

Na Primeira Parte, trata dos fundamentos econômicos da ocupação territorial, da expansão comercial à empresa agrícola, dos fatores do êxito da empresa agrícola, das razões do monopólio, da desarticulação do sistema, compara com as colônias de povoamento do hemisfério norte, analisa as consequências da penetração do açúcar nas Antilhas e mostra com foi o encerramento da etapa colonial.

Na Segunda Parte, trata da economia escravista de agricultura tropical séculos XVI e XVII, mostrando o nível de capitalização e nível de renda na colônia açucareira, o fluxo de renda e crescimento, a projeção da economia açucareira na pecuária, a formação do complexo econômico nordestino e a contração econômica e expansão territorial.

Na Terceira Parte, trata da economia escravista mineira século XVIII, com o povoamento e articulação das regiões meridionais, a análise do fluxo da renda e da posterior regressão econômica, tendo em contrapartida a expansão da área de subsistência.

Na Quarta Parte, trata da economia de transição para o trabalho assalariado século XIX, mostrando seu impacto no Maranhão e a falsa euforia do fim da época colonial, por causa do passivo colonial, crise financeira e instabilidade política. Faz o confronto com o desenvolvimento dos Estados Unidos e destaca o declínio em longo prazo do nível de renda na primeira metade do século XIX. Apresenta a gestação da economia cafeeira e o enfrentamento do problema da mão-de-obra, primeiro com análise da oferta interna potencial, depois com a imigração europeia, mostra o que denomina transumância amazônica e finaliza mostrando a solução do problema da mão-de-obra com a eliminação do trabalho escravo. O nível de renda e ritmo de crescimento na segunda metade do século XIX ainda eram dependentes do fluxo de renda na economia de trabalho assalariado, revelando uma tendência ao desequilíbrio externo. Depois, os desafios passaram a ser a defesa do nível de emprego e a concentração da renda. Após a descentralização republicana, houve a formação de novos grupos de pressão.

Na Quinta Parte, trata da economia de transição para um sistema industrial século XX. Mostra a crise da economia cafeeira e analisa os mecanismos de defesa e a crise de 1929, provocando o deslocamento do centro dinâmico. A economia brasileira não consegue superar o desequilíbrio externo e sua propagação, até recorrer ao reajustamento do coeficiente de importações. Por fim, analisa os dois lados do processo inflacionário e encerra traçando a perspectiva dos próximos decênios, traçada no final dos anos 50.

O texto corrido tem 252 páginas e os capítulos são relativamente curtos. Em uma série de posts, destacaremos:

  1. a comparação com o desenvolvimento dos Estados Unidos no século XIX,
  2. o deslocamento do centro dinâmico após a crise de 1929,
  3. a análise do processo inflacionário brasileiro,
  4. a abordagem estruturalista da industrialização, e
  5. a análise da tendência à concentração regional da renda.

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