Atividade Autônoma

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Autonomia designa a capacidade de autogovernar-se, de dirigir-se por suas próprias leis ou vontade própria, possuir soberania. É faculdade própria de algumas instituições quanto à decisão sobre organização e normas de comportamento, sem se dobrar ou ser influenciadas por imposições externas.

Autonomia, em Política, é a autodeterminação político-administrativa de que podem gozar partidos, sindicatos, corporações, cooperativas etc., em relação ao país ou comunidade política dos quais fazem parte. Em Administração, é o direito de se administrar livremente, dentro de uma organização mais vasta, liderada por um poder central. Refere-se à liberdade moral ou intelectual do indivíduo, cuja independência pessoal deriva do direito de tomar decisões livremente.

Na Filosofia de Kant, autonomia é a liberdade do homem que, pelo esforço de sua própria reflexão, dá a si mesmo os seus princípios de ação, não vivendo sem regras, mas obedecendo às que escolheu depois de examiná-las. Já em Psicologia, autonomia é a preservação da integridade do Eu.

No caso das máquinas, autonomia é a distância máxima que um veículo, aeronave ou navio podem percorrer (ou tempo de percurso, voo e navegação) sem necessitar de reabastecimento. Em tecnologia, autonomia contempla o Intervalo de tempo em que um sistema ou equipamento pode se manter em funcionamento sem a ação de agentes externos. Na 4a. Revolução Industrial, as “fábricas sem iluminação” operam, incessantemente, 24 horas por dia! Dada a ausência de motoristas, as frotas de caminhões autônomos só param, rapidamente, para se abastecer!

Automóveis autônomos ou automatizados poderão ser compartilhados por uma demanda programada de acordo com horários e locais para o uso contínuo de maneira mais eficiente. Poderemos deixar de ver, especialmente nas metrópoles, automóveis estacionados na maior parte do dia. Calcule o custo da hora parada de seu automóvel: quanto você pagou por ele (e gasta com sua manutenção e tributação) em termos do tempo que você o usa efetivamente…

Atividade autônoma não deve ser confundida com o “trabalho doméstico”. A atividade doméstica, principalmente a devida à divisão sexual do trabalho que é próprio do industrialismo, deixou de ser autônoma e autodeterminada, tornando-se uma condição e apêndice subalterno do trabalho assalariado do homem, imposto como o essencial.

À medida que o tempo de trabalho diminui em favor do tempo livre, o trabalho heterodeterminado tende a se tornar acessório e as atividades autônomas tornam-se preponderantes. Uma revolução dos costumes e uma reviravolta do sistema de valores tendem então:

  1. a conferir uma nova nobreza às atividades familiares ou domésticas e
  2. a abolir a divisão sexual das tarefas.

A abolição do trabalho não é nem aceitável nem desejável para todos os que se identificam com seu trabalho, fazem dele o centro de sua vida e podem ou esperam poder nele se realizar. Eu! Eu! Eu!

Os trabalhadores orgulhosos de seu ofício, conscientes do poder real ou virtual que ele lhes confere, têm como o objetivo estratégico central a apropriação do trabalho, dos meios de trabalho e do poder sobre sua produção. No entanto, a automatização é percebida pela camada de trabalhadores que têm um ofício como um ataque direto contra sua classe. Sua principal preocupação, de imediato, é repelir esse ataque e não se utilizar dos meios com os quais o ataque é desfechado para finalidades opostas às de quem os ataca. Em vez de defender o trabalho tal como se apresenta, atualmente, trata-se de buscar o controle do modo de sua abolição.

A abolição do trabalho, em contrapartida, é um objetivo central para aqueles que acham que “seu” trabalho jamais poderá constituir para eles uma fonte de realização pessoal nem o conteúdo principal de suas vidas. Isto enquanto “trabalho” for sinônimo de horários fixos, de tarefas predeterminadas e de limitação de competências, de assiduidade durante anos, de impossibilidade de ter ao mesmo tempo várias atividades, etc. Estes “alérgicos ao trabalho” constituem a maioria real dos ativos que considera seu trabalho como uma necessidade fastidiosa com a qual é impossível envolver-se plenamente. Perde-se a vida, ganhando-a…

A opção não está entre:

  1. abolir o trabalho ou
  2. fazer renascer ofícios completos em que cada um possa se realizar.

A escolha é entre:

  1. a abolição libertadora e socialmente controlada do trabalho ou
  2. sua abolição opressiva e anti-social.

É impossível fazer renascer por toda a parte e, para todos, os ofícios completos. Não há como equipes autônomas de trabalhadores assegurarem o domínio da produção e do produto ao mesmo tempo que a realização e o desenvolvimento pessoal. O caráter pessoal do trabalho se perde necessariamente na medida em que o processo de produção se socializa. O trabalho socialmente necessário nunca será comparável à atividade dos mestres-artesãos ou dos artistas.

É utópica alcançar uma atividade social autodeterminada em que cada pessoa ou equipe define soberanamente as modalidades e o objeto, o toque pessoal, inimitável, que imprime sua marca particular ao objeto. A socialização da produção exige que os meios ou instrumentos sejam intercambiáveis qualquer que seja o lugar em que tenham sido produzidos e, portanto, que o trabalho, assim como as máquinas, ambos tenham, em qualquer parte, características intercambiáveis.

Essa intercambialidade, para André Gorz, é uma condição fundamental para a redução da duração do trabalho e para a distribuição, por toda a população, do trabalho social necessário. A despersonalização, a padronização e a divisão do trabalho são o que, a um só tempo, permite a redução da duração do trabalho e a torna desejável. O trabalho de cada um pode ser reduzido porque há outros que podem realiza-lo em seu lugar. E deve ser reduzido para que se possa ter atividades diferentes, mais pessoais.

A heteronomia do trabalho, consequência de sua socialização e de sua produtividade multiplicadas, também é o que torna possível e desejável a liberação do tempo, a expansão das atividades autônomas. Não basta “autogestão” para transformar o trabalho complexo em trabalho pessoal e realizador para todos.

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