Formação de Preço de Automóvel no Brasil

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Dora Martinelli e Alberto Cataldi (Valor, 03/03/17) informam que a carga tributária não é o único fator que justifica o preço alto dos carros no Brasil. Cinco são as principais causas desses preços mais elevados.

O primeiro fator são os impostos: o preço final quase dobra por conta deles, pois nos EUA, por exemplo, a média do imposto cobrado é de 7% a 9%, enquanto aqui ultrapassa os 40%

Os juros também são muito mais altos: o custo que as montadoras têm para financiar as vendas é muito maior que no resto do mundo, a falsa propaganda de “taxa zero” no financiamento, evidentemente, está embutida no preço.

Outro ponto é o custo da parte eletrônica, que geralmente não é fabricada no País e tem que se importar essa tecnologia, por isso, o carro no Brasil normalmente tem menos tecnologia eletrônica.

O volume de produção é outro fator que compõe o preço, devido à economia de escala: quanto maior a produção, mais baixo o custo unitário; a indústria automobilística brasileira instalou um parque para mais de quatro milhões de carros por ano e está fabricando dois milhões, então, todas as fábricas têm um custo variável maior que o possível.

Finalmente, em alguns casos, as marcas podem ditar o preço de oligopólio no mercado, porque têm carros mais procurados: o Corolla, por exemplo, é líder de vendas mundial, tem uma imagem que faz com que seja mais desejado, nesse caso, a Toyota pode cobrar um pouco mais, porque as pessoas estão dispostas a pagar.

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3 thoughts on “Formação de Preço de Automóvel no Brasil

  1. Eles mal tangenciaram a margem de lucro das montadoras, às vezes o dobro daquelas de outros países.
    E, se aqui os impostos são mais de 40% e no exterior, 9%, isto só aumentaria o preço em uns 30%, não em 100% (dobrar, segundo eles).

    Azar, é o sr. Mercado. Se há quem pague caro, há quem venda caro.

    1. Prezado José Antônio,
      o Sr. Mercado poderia ganhar mais na massa de lucro, vendendo em maior escala (~3,5 milhões) — e não apenas na taxa de lucro, vendendo menos (~2,5 milhões).

      Porém, o “spread” contém uma imensa cunha fiscal. Sem ICMS, IPI e outros tributos como os Estados amortizariam os conflitos em sociedade tão desigual?
      att.

  2. O viés ideológico desses comentaristas da grande imprensa é gritante. Então, como justificar que o mesmo veículo fabricado na Córeia, e transportado por navio para o Brasil e Estados Unidos, custe até 3 vezes mais caro em dólar no Brasil do que custa nos Estados Unidos?

    Simples para a nossa imprensa: os impostos. Sempre os impostos. Afinal nenhum liberal que se preza aceita impostos. Aqui apela para o senso comum do leitor que aceita esse argumento sem pestanejar.

    Em seguida, a parte eletrônica. Que assim como o caro, não é fabricada no Brasil. Apesar da reportagem reconhecer que é pouco usada nos carros do Brasil, os reporteres consideram o 2º fator mais importante a encarecer o preço. Em outras palavras, a mesma eletrônica custa mais caro no Brasil do que nos Estados Unidos para o mesmo carro fabricado na Córeia ou Japão e exportado para os dois países.

    Depois, o volume de produção. Apesar do Brasil ser o 5º maior mercado de automóveis, para nossa imprensa ainda é pouco para usufruir os ganhos de economia em escala. A capacidade ociosa só é levada em consideração nos últimos 02 anos. Mas, não explicam por que o preço ainda era alto quando não havia ociosidade.

    Só no final depois de construirem a própria defesa, eles podem agora culpar o oligopólio. Bravo!

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