Contas Nacionais de 2016: Paralisia do Governo Temeroso contra Grande Depressão

O PIB totalizou R$ 6,267 trilhões em 2016. O PIB per capita, ou seja, a divisão do PIB pela população do país, teve queda de -4,4%, alcançando R$ 30.407.

Os investimentos sofreram mais ainda pelo locaute empresarial no ano do golpe, reduzindo 10,2% no acumulado do ano. O consumo das famílias, pressionado pelo aumento contínuo do desemprego, desde janeiro de 2015, e pela interrupção do endividamento das famílias, despencou -4,2% no mesmo período, queda ainda maior do que a contração de -3,9% já registrada em 2015.

Estas são apontadas como as principais razões para o empobrecimento dos brasileiros que não possuem riqueza financeira. Os que têm ganharam renda do capital, de maneira a compensar eventual perda de renda do trabalho, com a média da taxa básica de juros de 14,1% ao ano em 2016, que foi ainda superior à de de 2015, cuja média anual foi de 13,3%.

Impulsionadas pela desvalorização da moeda nacional, principalmente no início do ano, as exportações expandiram 1,9% em 2016, enquanto as importações caíram 10,3%.

O consumo do governo, gasto público que substitui o gasto privado durante Grande Depressão, não propiciou elevação da demanda agregada no país, pois também teve queda no ano passado, de 0,6%, embora menor do que a registrada um ano antes, de 1,1%, quando Joaquim Levy era Ministro da Fazenda.

Este estelionato eleitoral, devido à pressão política da casta dos comerciantes-industriais-financistas, sinalizou a volta da Velha Matriz Neoliberal de depressão e desemprego, com o corte dos gastos públicos e o fim da política de crédito anticíclica praticada pelos bancos públicos.

Em 2016, o PIB caiu 3,6% em relação ao ano anterior, queda ligeiramente menor que a ocorrida em 2015, quando havia sido de 3,8%. Houve recuo na agropecuária (-6,6%), na indústria (-3,8%) e nos serviços (-2,7%). O PIB totalizou R$ 6.266,9 bilhões em 2016.

O PIB caiu 0,9% no 4º trimestre de 2016 frente ao 3º trimestre, levando-se em consideração a série com ajuste sazonal. É o oitavo resultado negativo consecutivo nesta base de comparação. A agropecuária cresceu 1,0%, enquanto que a indústria (-0,7%) e os serviços (-0,8%) recuaram.

Na comparação com o 4º trimestre de 2015, o PIB sofreu contração de 2,5% no último trimestre de 2016, o 11º resultado negativo consecutivo nesta base de comparação. Houve queda na agropecuária (-5,0%), na indústria (-2,4%) e nos serviços (-2,4%). O ano 2016 foi um desastre político e econômico!

A publicação completa da pesquisa do IBGE pode ser acessada aqui.

PIB recua 3,6% em 2016 e fecha ano em R$ 6,3 trilhões

PERÍODO DE COMPARAÇÃO
INDICADORES
PIB
AGROPEC
INDUS
SERV
FBCF
CONS. FAM
CONS. GOV
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (c/ ajuste sazonal)
-0,9
1,0
-0,7
-0,8
-1,6
-0,6
0,1
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
-2,5
-5,0
-2,4
-2,4
-5,4
-2,9
-0,1
Acumulado em 4 trimestres / mesmo período do ano anterior (s/ ajuste sazonal)
-3,6
-6,6
-3,8
-2,7
-10,2
-4,2
-0,6
Valores correntes no trimestre (R$ bilhões)
1.630,6
52,9
298,6
1.058,9
254,8
1.042,2
369,3
TAXA DE INVESTIMENTO (FBCF/PIB) 2016 = 16,4%
TAXA DE POUPANÇA (POUP/PIB) 2016 = 13,9%
TABELA I.1 – Principais resultados do PIB do 4º Trimestre de 2015 ao 4º Trimestre de 2016
Taxas (%)
2015.IV
2016.I
2016.II
2016.III
2016.IV
Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior
< Anexo: Tabela 3 >
-3,8
-5,4
-4,5
-4,0
-3,6
Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores
< Anexo: Tabela 4 >
-3,8
-4,7
-4,8
-4,4
-3,6
Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior
< Anexo: Tabela 2 >
-5,8
-5,4
-3,6
-2,9
-2,5
Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal)
< Anexo: Tabela 7 >
-1,2
-0,6
-0,3
-0,7
-0,9
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Contas Nacionais

PIB cai 0,9% em relação ao 3º tri de 2016

A queda de 0,9% no 4º trimestre de 2016 resulta dos seguintes desempenhos: agropecuária (1,0%), indústria (-0,7%) e serviços (-0,8%). Na indústria, houve crescimento de 0,7% na extrativa mineral. A indústria de transformação (-1,0%) e a construção (-2,3%) apresentaram queda. Já a atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana registrou variação negativa de 0,1% no trimestre.

Nos serviços, todas as atividades apresentaram resultado negativo, especialmente os serviços de informação (-2,1%) e transporte, armazenagem e correio (-2,0%), seguidas por comércio (-1,2%), outros serviços (-0,9%), intermediação financeira e seguros (-0,7%), administração, saúde e educação pública (-0,6%) e atividades imobiliárias (-0,2%).

Pela ótica da despesa, o consumo das famílias (-0,6%) caiu pelo oitavo trimestre seguido, e a formação bruta de capital fixo (FBCF) manteve resultado negativo (-1,6%). A despesa de consumo do governo (0,1%) manteve-se praticamente estável em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Em relação ao 4º trimestre de 2015, PIB recua 2,5%

Com a queda de 2,5% frente ao 4º trimestre de 2015, o valor adicionado a preços básicos caiu 2,3% e os impostos sobre produtos líquidos de subsídios recuaram em 3,3%.

A agropecuária apresentou queda de 5,0% em relação a igual período do ano anterior. A indústria teve queda de 2,4%, sendo que a transformação também recuou 2,4% e a construção caiu 7,5%. Já a extrativa mineral se expandiu em 4,0% em relação ao quarto trimestre de 2015, puxada principalmente pelo crescimento da extração de petróleo e gás natural. A atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana registrou expansão de 2,4%.

O valor adicionado de serviços caiu 2,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para a contração de 7,5% de transporte, armazenagem e correio e de 3,5% do comércio (atacadista e varejista). Também apresentaram resultado negativo as atividades de intermediação financeira e seguros (-3,4%), serviços de informação (-3,0%), outros serviços (-2,6%) e administração, saúde e educação pública (-0,7%). As atividades imobiliárias (0,1%) mantiveram-se praticamente estáveis no período.

Pelo sétimo trimestre seguido, todos os componentes da demanda interna apresentaram queda, sendo que o consumo das famílias (-2,9%) apresentou a oitava queda seguida. Este resultado pode ser explicado pelo comportamento dos indicadores de crédito, emprego e renda ao longo do período.

Já a formação bruta de capital fixo caiu 5,4%, a 11ª queda consecutiva. Este recuo é justificado, principalmente, pela queda das importações de bens de capital e pelo desempenho negativo da construção neste período. A despesa de consumo do governo variou negativamente em 0,1% em relação ao quarto trimestre de 2015.

PIB tem queda de 3,6% em 2016

Em 2016, o PIB sofreu contração de 3,6% em relação a 2015. Essa queda resultou do recuo de 3,1% do valor adicionado a preços básicos e da contração de 6,4% nos impostos sobre produtos líquidos de subsídios. O resultado do valor adicionado refletiu o desempenho das três atividades que o compõem: agropecuária (-6,6%), indústria (-3,8%) e serviços (-2,7%).

O PIB per capita teve queda de 4,4% em termos reais, alcançando R$ 30.407. O PIB per capita é definido como a divisão do valor corrente do PIB pela população residente no meio do ano.

O decréscimo da agropecuária em 2016 (-6,6%) decorreu, principalmente, do desempenho da agricultura. Na indústria, o destaque positivo foi o desempenho da atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, que cresceu 4,7% em relação a 2015. A indústria de transformação teve queda de 5,2% no ano. A construção sofreu contração de 5,2%, enquanto que a extrativa mineral acumulou recuo de 2,9%, influenciada pela queda da extração de minérios ferrosos.

Dentre as atividades que compõem os serviços, transporte, armazenagem e correio sofreu queda de 7,1%, seguida por comércio (-6,3%), outros serviços (-3,1%), serviços de informação (-3,0%) e intermediação financeira e seguros (-2,8%). As atividades imobiliárias variaram positivamente em 0,2%, enquanto que a administração, saúde e educação públicas (-0,1%) ficou praticamente estável em relação ao ano anterior.

Na análise da despesa, pelo terceiro ano seguido houve contração da FBCF (-10,2%). Este recuo é justificado pela queda da produção interna e da importação de bens de capital, sendo influenciado ainda pelo recuo da construção. A despesa de consumo das famílias caiu 4,2% em relação ao ano anterior (quando havia caído 3,9%), explicado pelo deterioração dos indicadores de juros, crédito, emprego e renda ao longo de todo o ano de 2016. A despesa do consumo do governo, por sua vez, caiu 0,6%, ante uma queda de 1,1% em 2015.

Já no setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 1,9%, enquanto que as importações de bens e serviços caíram 10,3%.

PIB atinge R$ 6,3 trilhões em 2016

O Produto Interno Bruto em 2016 totalizou R$ 6.266,9 bilhões. A taxa de investimento no ano de 2016 foi de 16,4% do PIB, abaixo do observado no ano anterior (18,1%). A taxa de poupança foi de 13,9% em 2016 (ante 14,4% no ano anterior).

Confira que, desde 1947, quando se passou a calcular as Contas Nacionais,  oficialmente, nunca se registrou tão Grande Depressão acumulada em dois anos seguidos. E ainda tem neoliberal dizendo que não se acha responsável por ela!

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