Política Educacional do Governo Golpista: EAD

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No ano do golpe, estima-se que a política educacional do governo golpista levou a uma queda de 6,7% no volume de matriculados nos cursos presenciais e redução de 3,6% no EAD. O volume de calouros caiu 1,96% no presencial e ficou estável nos cursos a distância.

Beth Koike (Valor, 17/02/17) informa que o número de alunos matriculados em cursos a distância deve ultrapassar o ensino presencial daqui a seis anos. Em 2023, a estimativa é de 9,2 milhões de estudantes em faculdades privadas, sendo que 51% deverão estar matriculados em cursos on-line, de acordo com dados da consultoria Educa Insights. Em 2015, último dado disponível no Ministério da Educação (MEC), cerca de 20% dos universitários faziam cursos a distância.

A projeção leva em conta o histórico de crescimento dos últimos cinco anos, mas também considera a entrada de instituições privadas renomadas no mercado de graduação on-line como FGV e PUC, e universidades públicas como USP e a Federal Fluminense, que tem cerca de 10 mil inscritos.

Um curso a distância é rentável a partir de 10 mil alunos. A força da marca no presencial é importante porque atrai para os cursos on-line. Mas a instituição precisa ter fôlego financeiro porque o ensino a distância demanda um investimento alto antes da geração de receita, ou seja, antes dos alunos começarem estudar. Aliás, isto é um “mero detalhe”, parece não importar a qualidade do ensino, mas apenas a diplomação para efeito estatístico

A Unigranrio, conhecida pelo curso presencial de medicina, investiu R$ 4 milhões numa plataforma tecnológica da Blackboard, empresa americana de tecnologia aplicada à educação, que possibilita acesso às aulas até pelo celular e um conteúdo pedagógico mais interativo. A universidade carioca espera dobrar ainda neste ano o número de matriculados nos cursos a distância, que hoje é de 2,8 mil.

“Nossa previsão é que o ensino presencial fique estável, sem crescimento, porque no Rio a crise está ainda pior. Os servidores estão sem salário e fica difícil arcar com o custo dos estudos. O ensino a distância é uma opção mais em conta”, disse Jeferson Pandolfo, diretor acadêmico da Unigranrio, que está focando as ações comerciais na captação de alunos nessa modalidade.

Segundo a Educa Insights, o valor médio das mensalidades de cursos a distância é de R$ 260. Em outros termos, pagando R$ 12.480,00 através de 48 prestações — quatro anos — obtém-se um diploma de Ensino Superior! Evidentemente, o diplomado formado em Curso Superior (sic) pertencerá de direito, mas não de fato à casta de sábios-universitários. 😦

Outro impulso vem do Ministério da Educação (MEC). O governo golpista tem liberado um grande número de polos – como são chamadas as unidades onde são realizadas avaliações presenciais dos cursos a distância – para variados grupos de ensino e aprovado novas graduações on-line, como engenharia e outras na área da saúde. Até 2014, os cursos a distância eram basicamente de administração, pedagogia e licenciaturas.

A Uninter, uma das maiores instituições de ensino a distância, aposta em novos cursos como o de jornalismo e publicidade, lançados neste começo de ano. Trata-se do primeiro curso a distância de comunicação no país. “É difícil adaptar o conteúdo desses cursos para o on-line e é preciso investir em laboratórios e equipamentos”, disse Benhur Gaio, reitor da Uninter.

Os cursos on-line são a única opção para algumas pessoas que moram em regiões distantes dos grandes centros. Em 2015, havia 434 municípios que contavam somente com graduações a distância. Essas cidades juntas contam com cerca de 153 mil alunos.

Hoje, há em operação no país cerca de 3,8 mil polos de ensino a distância. A Kroton, maior grupo de ensino privado, tem 1,5 mil polos. Em seguida vem Unip e Uninter, com 1 mil unidades cada.

O MEC do governo temeroso tem um projeto neoliberal com novas regras para o segmento. Entre elas, está permitir que que universidades e centros universitários tenham autonomia para abrir polos, sem precisar de aval do ministério. Hoje, a aprovação de pedidos de aberturas dessas unidades pode levar anos. Com isso, a concentração de polos nas mãos dos atuais grupos tende a diminuir.

Em apenas 20 dias, o Ministério da Educação (MEC) do governo golpista liberou a abertura de 529 novos polos de ensino a distância, segundo levantamento feito pelo Santander. Deste total, 202 unidades foram para a Kroton que entra o próximo ano com 910 polos de ensino a distância. Atualmente, 605 mil alunos da Kroton estudam por meio dessa modalidade de aprendizado.

Outras instituições que conseguiram um número expressivo de polos foram a Estácio, cuja quantidade de unidades para aulas on-line aumentou de 170 para 231, e a Unip que poderá abrir 154 polos no próximo ano letivo. A Ser Educacional obteve autorização para oferecer cursos de EAD por meio da UnG, instituição adquirida no ano passado.

A liberação de quase 530 polos em tão pouco tempo gerou alguns questionamentos do mercado, uma vez que o Ministério da Educação costuma levar anos para credenciar novos polos. As unidades aprovadas no último mês do ano do golpe, por exemplo, foram solicitadas pelas instituições de ensino em 2012. O credenciamento desses polos ocorre em um momento de:

  1. aprovação do marco regulatório do ensino a distância,
  2. redução drástica do Fies, programa de financiamento estudantil do governo que atende cursos presenciais, e
  3. aprovação do Orçamento de 2016 que definirá como será feito o pagamento das parcelas do Fies em atraso.

O marco regulatório do ensino a distância é bastante aguardado pelo setor porque poderá dar autonomia para as instituições de ensino com boas notas de qualificação abrirem cursos e polos de ensino a distância sem necessidade de vistoria do MEC. “Se os critérios da nova regulamentação forem, de fato, baseados no Conceito Institucional [que vai de 1 a 5], acreditamos que a Ser Educacional e Estácio podem ser beneficiadas porque têm instituições com conceitos 4 e 5”, informa relatório do Santander, assinado pelos analistas Bruno Giardino e Leonardo Olmos.

Apesar do número de polos credenciados ter chamado atenção há ainda outros 2,3 mil pedidos em tramitação no MEC. O problema é que as regras protegem os grandes grupos e bloqueiam a competitividade dos novos que ficam limitados a pedidos de apenas 20 polos em cada solicitação de credenciamento ou ampliação. Tem um desvio absoluto nas regras que prejudicam a competição. No último credenciamento, 354 polos ficaram com Kroton e Unip e 64 foram distribuídos entre Unigran, Unipar e Unijorge.

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