Golpe contra Bancos Públicos

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Por que um neoliberal aprecia tanto a carreira profissional PUC-RIO-BCB-ITAÚ-UNIBANCO, mas não gosta de crédito bancário, especialmente direcionado por bancos públicos? Sem considerar a concorrência destes com seus bancos privados, cujo eufemismo é “externalidades“, teoricamente, você poderia responder que é por causa da Doutrina da Poupança Forçada.

Esta prega que os bancos podem apenas agir como intermediários financeiros neutros, canalizando exatamente a poupança preexistente para o investimento, sem um tostão sequer a mais. Caso isso não ocorra assim, o crédito financiará investimento em demasia, que se desequilibrará com a poupança, provocando expansão da demanda agregada além da oferta agregada disponível. De acordo com com esse modelo mental estático-comparativo, tal desequilíbrio provocaria inflação, corroendo o poder aquisitivo dos salários reais, ou seja, forçando uma queda do consumo até o nível de poupança necessário àquele nível de investimento financiado pelo “excesso de crédito”. Genius, não?

Só falta o economista ortodoxo saber lidar com a variável tempo, pensar de maneira dinâmica e direcionar o crédito para investimento em infraestrutura e capacidade produtiva, aumentando a oferta agregada.

Na prática, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$ 3.074 bilhões em janeiro de 2017, com redução de 3,9% em doze meses. A relação crédito/PIB decresceu para 48,7%, ante 53,2% em janeiro de 2016.

A carteira de crédito com recursos livres recuou -5,1% em doze meses, situando-se em R$ 1.532 bilhões.  O crédito direcionado totalizou R$ 1.541 bilhões (-2,7% em doze meses), destacando-se as liquidações de créditos com recursos do BNDES.

Fábio Graner (Valor, 20/02/17) informa que, mesmo com a devolução de recursos ao Tesouro em dezembro de 2016, o caixa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) cresceu nos últimos meses e supera R$ 100 bilhões. O setor empresarial tem se queixado do banco ao governo golpista [chora, “pato amarelo”], alegando que a instituição tem travado os desembolsos, apesar de ter dinheiro para emprestar.

Para um integrante da equipe do presidente golpista, o elevado caixa do banco seria um indicador de que a crítica dos empresários faz sentido e que o ritmo de concessões pode prejudicar a recuperação da economia. “O BNDES pode acabar prejudicando o processo de recuperação. Ele precisa emprestar mais”, disse.

Outra fonte reconhece que a mudança na gestão pode ter afetado as concessões, por conta da revisão de processos, mas considera que o movimento foi temporário e defende a instituição. “Essa diminuição temporária é normal e o banco voltará a emprestar de modo mais eficiente possível e cumprir sua função normalmente.”

O BNDES afirma que não promove represamento de crédito e que está à disposição de quem tem bons projetos e quer financiamento.O diretor da área de crédito do banco, Claudio Coutinho Mendes, ressalta que a demanda por crédito de investimento está aquém do normal por conta da recessão e da capacidade ociosa das empresas. Assim é fácil, né? Não se esforça para ser proativo

Segundo o banco, a disponibilidade de caixa cresceu no fim do ano principalmente por conta de um pré-pagamento de R$ 20 bilhões pela Petrobras, em dezembro. Em 2016, os desembolsos da instituição caíram 35% ante 2015, somando R$ 88,3 bilhões.

Para José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast, entidade que representa a indústria do plástico, o BNDES é o “ponto fora da curva” da gestão do governo temeroso. “É consenso no empresariado a reclamação sobre o BNDES. Ele está travado. O banco está sentado em cima do dinheiro e até devolveu recursos ao Tesouro no ano passado”, disse, referindo-se ao pré-pagamento de R$ 100 bilhões ao Tesouro.

Roriz reconhece que há menor demanda por crédito ao investimento, por conta da capacidade ociosa elevada, mas salienta que o banco poderia reestruturar dívidas e dar capital de giro a um custo baixo para as empresas relevantes nas cadeias produtivas. “Não é para ser um hospital. Mas o BNDES precisa ajudar a destravar a economia”, disse. “O produto que o banco está oferecendo não é o que o mercado está demandando. Sem melhorar sua saúde financeira, as empresas não voltarão a investir”.

Outra fonte do setor privado questiona o argumento do banco de que a queda no crédito está relacionada à demanda. Segundo ela, a queda nas consultas, um termômetro da demanda, foi de 11%, bem menor do que nos desembolsos. “Há uma decisão de gestão da política econômica, de redução do BNDES. O banco deveria ajudar a suprir a economia em momento de choque e não intensificar”, disse a fonte. O BNDES diz não ser adequado comparar consultas e desembolsos no mesmo semestre.

Olhando só dados da nova gestão, iniciada em junho de 2016, a fonte mostra que houve queda de 17,2% nas consultas no segundo semestre (ante igual período de 2015), enquanto os desembolsos caíram 30,5% e as aprovações, 41%. Nem torturando os números, os golpistas conseguirão eles confessarem que há crescimento!

Apesar de surgirem ideias no governo de usar o caixa do banco para nova antecipação de recursos ao Tesouro, fontes da equipe econômica dizem que não nenhum movimento nesse sentido. Um interlocutor pondera, entretanto, que “a ideia de mais uma devolução antecipada poderia ser interessante, dado que a redução da dívida pública representaria um ganho de percepção sobre a solvência fiscal e ajudaria a reforçar a retomada do crescimento”. Não é uma estupidez essa ideia de economista ortodoxo que os empreendedores pensam com tivessem a mesma cabeça-oca que eles, tomando decisões empresariais microeconômicas com base em indicadores macroeconômicos de finanças públicas?!

Pior acontece com o Banco do Brasil, depois da volta da Velha Matriz Neoliberal, cuja direção encasqueta que ele tem de lucrar igual banco privado para satisfazer seus acionistas minoritários. “Atingir retorno compatível com o dos bancos privados é mais importante que participação de mercado”, diz seu presidente Caffarelli. Em outras palavras, o lucro se tornou mais importante que a concessão de crédito por parte de um banco público!

Sendo assim, Carolina Mandl, Talita Moreira e Vinícius Pinheiro (Valor, 17/02/17) informam que, depois de sete anos, o Banco do Brasil perdeu a liderança entre as maiores instituições financeiras para o Itaú Unibanco. Com a nova orientação de dar prioridade à rentabilidade no lugar do crescimento, o banco público encerrou o ano passado com R$ 1,401 trilhão em ativos, pouco abaixo do volume de R$ 1,425 trilhão do concorrente privado.

A perda da liderança, contudo, não foi encarada como uma má notícia pelos acionistas minoritários que só veem lucro em curto prazo e pouco se lixam para que o banco sirva ao País. Ao contrário, a projeção de uma alta de até 74% no lucro deste ano, apesar de uma expectativa ainda fraca para o crédito, fez as ações do BB fecharem em alta de 2,23%.

O BB era o líder entre as instituições financeiras brasileiras até perder a posição no fim de 2008, com a fusão entre Itaú e Unibanco. A liderança foi reconquistada no ano seguinte com a aquisição da Nossa Caixa, e mantida desde então. A distância para os concorrentes privados aumentou durante o governo Dilma, quando os bancos públicos aceleraram a concessão do crédito em uma atuação anticíclica, contra a Grande Depressão. A revisão da prática pelo BB diante do agravamento da crise, além da recente incorporação do chileno CorpBanca, permitiram ao Itaú retomar o primeiro lugar em ativos.

Os efeitos da política de forte expansão no crédito ainda se refletem nos números do banco público. O lucro líquido ajustado foi de R$ 7,171 bilhões em 2016, queda de 38,2% em relação ao ano anterior. A rentabilidade ajustada sobre o patrimônio líquido caiu de 13% para 7,5%, a menor entre os quatro maiores bancos de capital aberto.

Em entrevista na sede do banco em São Paulo, o presidente do BB, Paulo Caffarelli, reafirmou a prioridade de recuperar os índices de rentabilidade da instituição. “Atingir um retorno compatível com o dos bancos privados é mais importante que a participação de mercado”, disse. Ele não deu prazo para alcançar esse objetivo, mas afirmou que o retorno do banco terá crescimento “sustentado e progressivo”.

O lucro do BB no ano passado foi afetado, entre outros fatores, pelas despesas de provisão contra calotes, que aumentaram 35%, para R$ 27 bilhões. Para este ano, os gastos com a chamada PDD devem variar entre R$ 20,5 bilhões e R$ 23,5 bilhões — uma redução de 24% no melhor cenário.

O índice de inadimplência do banco encerrou dezembro em 3,29%, abaixo dos 3,50% de setembro, mas quase 1,1 ponto percentual acima do fim de 2015. A expectativa é que o índice de atrasos ainda apresente alguma oscilação no primeiro semestre e se estabilizar na segunda metade do ano.

A carteira de crédito ampliada do BB, que inclui as operações de avais e fianças, registrou retração de 11,3% no ano para R$ 708 bilhões. Para este ano, a estimativa do banco é de um crescimento de 1% a 4% nas operações no país, em linha com as projeções dos concorrentes privados.

Mesmo com a queda no crédito, o BB conseguiu ampliar em 13% a margem financeira no ano. Analistas atribuem o resultado ao aumento nos spreads aplicado pela instituição na renovação de operações realizadas ainda na época do programa “Bom Pra Todos”, que tinham taxas mais baixas.

A retração do crédito ajudou o BB a melhorar o índice de Basileia, que mede a capacidade de um banco de emprestar em relação a seu patrimônio. Esse era um dos pontos de maior preocupação dos analistas com o banco. O indicador de capital principal (de melhor qualidade) encerrou o ano em 9,6% – alcançando a meta que estava traçada apenas para o início de 2019. “O crescimento do capital nos dá segurança para dizer que não contamos com aporte do Tesouro”, disse o presidente do BB. Logo, não haverá política de crédito anticíclica contra a Grande Depressão que elevou a taxa de desemprego para mais de 12% da PEA!

Além de diminuir o ritmo de concessão de financiamentos, o banco anunciou o plano de vender ativos, desde que não relacionados à atividade principal. Foi o caso recente da venda da participação na empresa de silos Kepler Weber.

Questionado sobre a participação do BB no Banco Votorantim, Caffarelli afirmou que o foco é melhorar a rentabilidade da instituição, controlada em conjunto com a família Ermirio de Moraes. Em 2016, o Votorantim teve lucro de R$ 426 milhões, queda de 11,6%, e com retorno sobre o patrimônio de 5,2%.

Os dados de ativos nos balanços não incorporam a participação de 50% que o BB detém no Votorantim. Pelo critério do BCB, que inclui esses ativos e deixa de fora os negócios em seguros, a expectativa é que o BB ainda apareça à frente do Itaú no ranking de maiores bancos.

A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Vejam o resultado do golpe alimentado pela FIESP.

Fábio Graner (Valor, 20/02/17) informa que um dos setores que mais sentiram o efeito da crise econômica, a indústria teve ao longo do ano passado um processo significativo de redução de endividamento. Boletim setorial recentemente publicado pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda mostra que em 2016, até setembro (quando foi divulgada a última safra de balanços de empresas de capital aberto), houve queda de 14% na dívida bruta das empresas industriais.

Com base em números da consultoria Economática, a Fazenda mostra que a dívida dessas companhias saiu de R$ 1 trilhão para R$ 865 bilhões, entre 2015 e 2016.

Apesar da queda, o nível de endividamento industrial ainda se mostrava em um nível elevado, olhando-se para a história recente. De acordo com o boletim, em 2014, por exemplo, as empresas abertas do setor tinham R$ 725 bilhões em débitos. Em 2012, foram R$ 516 bilhões, cerca de metade do verificado em 2015. Além do pagamento do principal de dívida, a valorização do real também ajudou, já que diminuiu o valor em reais de empresas industriais devedores em dólar, como a Petrobras.

Fontes da área técnica explicam que a intenção do boletim é mostrar uma visão mais agregada da saúde financeira dos setores econômicos. “E os dados mostram que a saúde financeira está melhorando”, disse uma fonte, explicando que se essa tendência continuar, e outras variáveis econômicas ajudarem, o cenário fica mais favorável para a volta dos investimentos das empresas.

O boletim ressalta que a indústria representa cerca de 12% do PIB e que as dez maiores empresas em valor de mercado respondem por 80% do setor. O relatório aponta que “o processo de recuperação mostra sinais relevantes” e que “a melhora no mercado de trabalho, do nível de confiança e da estabilidade inflacionária deverão ser forças motrizes em um processo lento e gradual para a retomada da economia”.

Fontes da área técnica explicam que outras métricas de endividamento do setor também recuaram, como a dívida bruta sobre o valor de mercado (de 1,56 para 1,18 entre 2015 e 2016) e dívida líquida, que considera alguns ativos das empresas, embora no boletim esse dado não apareça.

Enquanto as empresas industriais se desalavancaram ao longo do ano passado, a lucratividade delas subiu. O lucro líquido conjunto saiu do terreno negativo para o positivo (R$ 11,9 bilhões) e o lucro operacional triplicou, atingindo R$ 64,7 bilhões no acumulado até setembro.

Os números mostram que houve uma redução da distância entre o resultado líquido e o operacional, o que indica um menor peso do endividamento sobre o desempenho das companhias.

O boletim da Secretaria de Política Econômica também aponta a queda dos investimentos, que foi ainda mais intensa do que a das dívidas. O chamado Capex caiu de R$ 154 bilhões em 2015 para R$ 126 bilhões até setembro do ano passado.

As empresas normalmente usam dívida para investir. Como estão reduzindo o endividamento, isto é consistente com a queda do investimento. Além desse processo, pesou sobre a decisão de investir:

  1. o clima de intranquilidade política e
  2. a prolongamento da grave recessão econômica.

A pergunta-chave é quem durará mais: o governo temeroso ou a Grande Depressão?

Carolina Mandl, Talita Moreira e Vinícius Pinheiro (Valor, 17/02/17) informam que, sem a perspectiva de recuperação da economia, os grandes bancos brasileiros pretendem manter o racionamento do crédito neste ano. No melhor cenário, Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco projetam um crescimento médio de 4,3% no saldo de financiamentos. Em termos reais, descontada a inflação, a expansão do crédito será próxima de zero em 2017. Mesmo emprestando pouco, no entanto, as instituições devem lucrar mais, graças à expectativa de queda nas despesas para cobrir perdas com a inadimplência.

É essa perspectiva que tem levado os especuladores na Bolsa de Valores a recuperarem o ânimo com as ações de bancos. “Com a normalização dos fundamentos macro e do mercado de crédito no Brasil, acreditamos que a rentabilidade dos bancos têm espaço para crescer novamente enquanto a percepção de risco deve manter a tendência de queda, representando uma poderosa combinação para o valor dos bancos”, afirmam os analistas do BTG Pactual. Os especuladores nesta Bolsa raquítica lucram — e se lixam para o estado do País!

É a partir da redução dos calotes neste ano que os bancos esperam se recuperar dos resultados mais fracos de 2016. O lucro líquido combinado de Itaú, BB, Bradesco e Santander caiu 18,8% em 2016, para R$ 50,3 bilhões. Em termos ajustados, sem eventos extraordinários, o lucro líquido sofreu um pouco menos. O resultado geral teve queda de 10,2% no ano passado, para R$ 53,8 bilhões.

Houve uma escalada dos gastos para cobrir perdas com créditos de liquidação duvidosa no ano passado. Essas despesas foram de R$ 83,4 bilhões, valor 26,5% maior que em relação a 2015. O índice médio de inadimplência acima de 90 dias dos quatro grandes fechou dezembro em 3,90%, o que representou uma alta de 0,7 ponto percentual ante igual período do ano anterior.

Esses números não englobam perdas que os quatro bancos também tiveram com empréstimos dados via títulos, como debêntures. Itaú, BB, Bradesco e Santander fizeram baixas contábeis para títulos emitidos por empresas cuja capacidade de pagamento ficou comprometida. Só os três bancos privados fizeram baixas que somaram R$ 3,8 bilhões em 2016.

Com o risco de crédito mais acentuado, os bancos também reduziram os desembolsos para consumidores e empresas no ano passado. O estoque de empréstimos dos quatro maiores bancos teve queda de 5,8% em um ano, fechando dezembro em R$ 2,11 trilhões. Só o Bradesco, a partir da incorporação do HSBC Brasil, é que conseguiu elevar sua carteira de crédito em 2016.

Para compensar o encolhimento do crédito, os bancos reforçaram outras frentes de receita. As receitas de serviços cresceram acima da inflação nas quatro instituições. Somados, os valores faturados pelos bancos com tarifas, seguros, cartões e outros produtos ficaram em R$ 96,7 bilhões, em alta de 9,3% na comparação com 2015.

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