Porque eu amo o Futebol

Eu tinha me esquecido que haveria este jogo de futebol, mas por acaso tive a oportunidade de assistir pela TV os dez minutos finais do jogo de ontem: com um gol aos 49 min do segundo tempo, o Barcelona bateu o Paris Saint-Germain por 6 a 1 e avançou às quartas de final da Liga dos Campeões Europeus de 2016-17. Como foi um épico, valer registrar neste modesto blog pessoal alguns fatos deste jogo, para nossa memória, pois falaremos no futuro muito de suas lições sobre a vida — e seus acasos:

  1. Circunstâncias: após perder na França por 4 a 0, o time espanhol precisava ganhar em casa por pelo menos cinco gols de diferença, pois não marcou nenhum “gol fora”, para garantir a classificação: comentaristas diziam que era impossível...
  2. No primeiro gol aos 3 minutos a bola não bateu na rede, porém visivelmente ultrapassou a linha de gol: árbitros e auxiliares brasileiros, que só marcam o que é impossível contemporizar, poderiam não ter validado
  3. A 30 minutos do fim do jogo, o Barcelona vencia por 3 a 0, com gols do uruguaio Luis Suárez, Kurzawa (contra depois de um lance genial de calcanhar de Iniesta) e argentino Lionel Messi cobrando um pênalti porque um jogador do PSG escorregou e com isto impediu a ultrapassagem do brasileiro Neymar com chance de gol: árbitros e auxiliares brasileiros, que só marcam o que é impossível contemporizar, poderiam não ter marcado…
  4. Bastava mais um gol para o Barcelona levar o duelo para a prorrogação, mas o uruguaio Cavani aproveitou um dos poucos ataques da equipe francesa e marcou com um belo chute, deixando o PSG próximo de obter a classificação: comentaristas brasileiros já falavam que o Barcelona tinha “acabado” e teria de “remontar todo o time”
  5. De frente para o goleiro Ter Stegen, dois minutos mais tarde, com “gol quase feito”, que provavelmente classificaria o time, quem perdeu o gol na cara do goleiro foi o argentino Di Maria. Ele optou por sua consagração individual, e nem chutou direito e nem passou a bola para o uruguaio Cavani, que estava logo à sua direita, pronto para “matar o jogo”: craques sul-americanos estão brilhando nos gramados da Europa, enquanto na Argentina os futebolistas que ainda não conseguiram ir estão em greve por falta de pagamento…
  6. Faltando quatro minutos para o fim do tempo regulamentar, o Barcelona vencia por 3 a 1 e precisava fazer mais três gols; aos 42 min, o atacante brasileiro Neymar pediu a bola em uma cobrança de falta sofrida por ele na entrada da área, quando o batedor oficial é o argentino Lionel Messi, e colocou a bola batendo no ângulo direito da trave e entrando — o goleiro não conseguiu se mexer: Neymar deixou de ser Macunaíma e mostrou caráter…
  7. Três minutos mais tarde, o uruguaio Luiz Suárez sofreu pênalti do brasileiro Marquinhos; mais uma vez, Neymar tomou a frente e fez a cobrança que normalmente seria de Messi, anotando o quinto: árbitros e auxiliares brasileiros, que só marcam o que é impossível contemporizar, poderiam não ter marcado, quando Marquinhos esticou o braço para impedir Suárez e logo retirou, este caiu para demonstrar a falta já cometida…
  8. Ainda faltava mais um gol nos cinco minutos dos acréscimos dados pelo árbitro para o Barcelona conseguir a classificação. O jogo virou um duelo entre ataque contra defesa. Até mesmo o goleiro Ter Stegen abandonou a defesa e passou a jogar na linha, na esperança de desviar uma bola para dentro da rede adversária. No último minuto da prorrogação (49 min 2º tempo), com os 11 jogadores dentro da área, Neymar recupera a bola, dá o corte em um zagueiro e faz um lançamento na área, para o lateral Sergi Roberto marcar o sexto gol e dar a classificação para o Barcelona: árbitros e auxiliares brasileiros, que só marcam o que é impossível contemporizar, poderiam não ter marcado porque o jogador do Barcelona estava na mesma linha de um zagueiro e tinha outros impedidos
  9. Para o técnico do Barça, o ex-jogador Luis Enrique, a classificação teve um significado ainda mais simbólico, pois na semana passada ele anunciou que não continuará no cargo na próxima temporada, após uma enxurrada de críticas que recebeu sobre o seu trabalho com a derrota de 4X0 em Paris, com muitos comentaristas esportivos, inclusive brasileiros, já o classificando como o responsável pelo maior vexame do Barça nos últimos anos: a eliminação nas oitavas de final. Em contrapartida, o técnico do PSG, Unai Emery, que até o último minuto era um herói, para a imprensa francesa virou o vilão, sendo considerado o bode-expiatório para ser sacrificado pelos caçadores-de-bruxa: lá como cá muitos da imprensa emitem comentários emocionais, não racionais
  10. “Com o gol de Cavani, nos vimos eliminados. Quando marcamos o quarto e converti o pênalti, retomamos a esperança”, afirmou o brasileiro Neymar após o confronto, completando: “Essa foi a melhor partida que eu já joguei. Estou em um momento muito bom”.
  11. Conclusão: enquanto aqui, na América do Sul, os estádios estão esvaziados, lá na Europa estão com as lotações completas, com as plateias vendo craques sul-americanos brilharem: em Terrae Brasilis de “herói sem nenhum caráter” — tal como juízes e jornalistas que resolvem suas tarefas de forma imperfeita, dando solução incompleta ao problema ou à situação, acomodando, ajustando, contornando, contemporizando ou entretendo para ganhar tempo até o problema resolver por si só, não se importando de manipular e se adaptar ao gosto e à vontade da opinião pública (des)informada, mas dominante — a colonização não é só econômica, mas também cultural e… futebolística!

One thought on “Porque eu amo o Futebol

  1. Fernando, realmente foi épico! Eu assisti só uma parte, pois estava assistindo, acredite: Real Betis x La Coruña pelo campeonato espanhol…rsrs…

    Aproveitando, no seu item 5, quem perdeu o gol na cara do goleiro foi o argentino Di Maria…foi fominha e nem chutou direito e nem passou a bola para o Cavani, que estava logo à sua direita, pronto para matar o jogo.

    Abraços!

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