Rota da Seda Mapeada por Imagens de Satélite e Software de Mapeamento Geográfico.

Ricardo Bonolume Neto (FSP, 10/03/17) publicou reportagem de divulgação científica sobre as milenares rotas comerciais entre Oriente e Ocidente, batizadas de Rota da Seda. Eram vários caminhos distintos cruzando o centro da Ásia, mas a seda era apenas uma das mercadorias valiosas que eram transportadas; também havia ouro, prata, jade, âmbar, vinho e especiarias levados em camelos, cavalos, muares.

Se, de um lado, havia o poderoso Império Romano e sua demanda pela seda e outros produtos exóticos, do outro, havia a igualmente rica China, interessada em mercadorias diferentes produzidas em “um mundo antes desconhecido”, pois os chineses se consideravam autossuficientes, pois “a China era tudo que existia sob o céu”. Estradas bem cuidadas nos dois grandes impérios facilitavam o comércio, assim como as grandes cidades ao longo da rota.

Mas para que leste e oeste pudessem realizar essas trocas foi preciso antes a abertura de caminhos mais difíceis entre as elevadas montanhas da Ásia central. E quem fez isso foram pastores nômades e as milhares de patas de seus rebanhos que criaram uma rede de trilhas agora desvendada graças a por

Baseados em modelos computacionais que simulam o fluxo de água no ambiente, especialmente em torno de elevações, os pesquisadores adaptaram a simulação para os movimentos dos pastores ao longo das encostas das montanhas em busca das pastagens ideais. No verão, era possível levar os rebanhos a até 4.000 metros de altitude; no inverno era preciso descer para em torno de 750 metros.

Mas os nômades não escolhiam os caminhos mais fáceis, e sim os que tinham maior qualidade de pasto sazonal.

O modelo usa variáveis que são relevantes para o nomadismo nas montanhas para simular a ‘acumulação de fluxo’ do pastoreio anual através das terras altas da Ásia, sem usar dados dos sítios conhecidos da Rota Seda.

Eles então compararam as redes simuladas de ‘fluxo’ com os locais históricos nas montanhas de sítios da Rota da Seda, testando:

  1. a relação entre a mobilidade nômade e
  2. a interação com a geografia das montanhas da rota.

Pastores móveis são reconhecidos como importantes agentes de trocas entre centros comerciais antigos de leste a oeste. No entanto, determinar seu impacto na geografia das estradas e nos nós sociais que sustentaram a interação histórica da rota da seda é algo bem menos explicitamente documentado e raramente quantificado.

[FNC: perceba o uso da Ciência da Complexidade com seus conceitos-chave: inter conexões entre nós ou interações entre múltiplos componentes que permitem a emergência de um sistema complexo, cuja auto organização pode ser examinada em diversas escalas].

Para eles, as difíceis trilhas descobertas nas montanhas indicam que provavelmente os mercadores e viajantes raramente cobriam longas distâncias, mas faziam seu intercâmbio em uma série de trocas em distâncias curtas.

As fontes históricas também falam de artesãos itinerantes, mercadores, nômades, monges e outros que deixam as rotas mais fáceis das terras baixas e oásis e se embrenham nas montanhas.

Obs.:

Antropologia cultural é o ramo da antropologia que trata do estado da cultura do homem, em todos os seus diferentes aspectos, utilizando dados, métodos e conceitos de outras ciências, como arqueologia, etnologia, etnografia, linguística, sociologia, economia etc.

Arqueologia é a ciência que trata das culturas e civilizações antigas e desaparecidas, estudando-as por meio de artefatos, fósseis, habitações, monumentos e outros testemunhos materiais que delas restaram.

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