Dos Clãs às Dinastias

Dinastia é uma sequência de governantes considerados como membros da mesma família. A etimologia da palavra dinastia deriva (via latim) do grego δυναστεία (dunasteia), “poder, do domínio, dominação”, que vem de δυνάστης (dunastēs): “senhor, governador”, em si de δύναμις (dunamis), “poder“, e, finalmente, a partir de δύναμαι (dunamai), “ser capaz“. Na Grécia antiga, dinasta era o nome dado a membros de algumas oligarquias ou a reis de pequenos territórios.

Houve muitos estados soberanos na história compreendidos dentro do domínio de sucessivas dinastias, por exemplo, o Antigo Egito e a China imperial. Grande parte da história política europeia é dominada por dinastias, como os Carolíngios, Capetianos, Bourbons, Habsburgos, Stuarts, Hohenzollerns e os Romanovs.

Até o século XIX, foi dado como certo que era uma missão legítima de um monarca engrandecer sua dinastia, ou seja, para aumentar:

  1. o território,
  2. a riqueza e
  3. o poder dos membros da família.

Dinastia também é muitas vezes chamado de Casa Real, por exemplo, a Casa de Windsor. Pode ser descrito como imperial, real, ducal, principesca, ou condal, dependendo do título de seus governantes.

A dinastia também pode se referir à época em que a família reinou, bem como para eventos, tendências e artefatos da época, por exemplo, um “vaso da dinastia Ming”.

Enquanto na língua inglesa inclui referências a um conjunto de famílias proeminentes e influentes como dinastias, em grande parte do mundo, a palavra tem sido associada com a monarquia – e definida via linhagem paterna. Parentesco e herança foram predominantemente visto e legalmente calculado através da descendência de um ancestral comum na linhagem masculina. No entanto, os homens descendem de uma dinastia através de mulheres. Por vezes, adotou-se o nome de dinastia quem reivindicarva sua posição ou herança, por exemplo, Casa de Orange, Casa de Bagratione, Casa de Habsburgo-Lorena.

O Japão tem a mais longa dinastia existente: a dinastia Yamato, que consiste de uma família imperial e o imperador. A dinastia foi fundada em 660 a.C e dura até os dias de hoje. Seu poder, no entanto, tem oscilado entre o absolutismo monárquico e uma função estritamente cerimonial ou figurativa. Atualmente, acima como em países europeus, reina uma Monarquia Constitucional, tendo sido superada a Monarquia Absolutista.

Em geral, a sucessão do soberano obedece à regra da primogenitura. A partir do primogênito, os demais membros da família do soberano fazem parte da linha sucessão, segundo o grau de parentesco. Nem sempre, porém, o parentesco precisa ser biológico: a dinastia romana dos Antoninos, por exemplo, era formada por filhos adotivos.

Embora seja uma postura política usual da Monarquia, também nos regimes republicanos o termo é usado, por analogia, para descrever uma família que se mantém no poder ao longo de gerações, como a “dinastia Somoza“, na Nicarágua ou a “dinastia Kim“, na Coréia do Norte.

A família imperial brasileira tem sua origem na família real portuguesa, descendendo diretamente da Casa de Bragança, em comunhão com as Casas de Habsburgo e de Bourbon. Com o casamento de D. Isabel de Bragança, princesa imperial do Brasil, com o príncipe Gastão de Orléans, conde d’Eu, em 1864, a Casa Imperial associou-se à Casa de Orléans, que compõe a Casa Real de França. Iniciou-se, assim, um novo ramo dinástico do Brasil: Orléans e Bragança, que nunca teve a oportunidade de reinar no Brasil.

Entre os descendentes do casamento entre da princesa Isabel do Brasil com o Conde d’Eu, ou seja, os Orléans e Bragança, existem dois ramos dinásticos que disputam o extinto trono imperial brasileiro:

  1. os descendentes do primogênito do casal, Pedro de Alcântara de Orléans e Bragança, são chamados de ramo de Petrópolis,
  2. os descendentes de seu irmão, segundo filho do casal, Luís Maria Filipe de Orléans e Bragança, são chamados de ramo de Vassouras, detentores atuais de jure do título de Príncipe Imperial do Brasil e de Chefe da Casa Imperial do Brasil.

A Dinastia de Avis, ou Dinastia Joanina, foi a segunda dinastia a reinar em Portugal. Após a morte de seu irmão D. Fernando, último rei da dinastia de Borgonha, D. João foi aclamado rei em 1385 perante as Cortes de Coimbra. A dinastia durou até a morte do Cardeal-rei D. Henrique, em 1580, sem deixar herdeiro legítimo.

D. António, Prior do Crato (1531-1595), apelidado de o Determinado, o Lutador ou o Independentista, era filho natural do Infante D. Luís e neto de D. Manuel I, tendo sido um dos candidatos ao trono português durante a crise sucessória de 1580. Sobrinho do Cardeal-rei, D. António foi afastado por ser tido como filho ilegítimo, se não o fosse, ele estaria mesmo antes do cardeal D. Henrique na linha de sucessão!

Instaurada a crise de sucessão, chega ao trono o Rei Filipe II de Espanha, ou Filipe I de Portugal que, com sucessivas vitórias militares, apoio estrangeiro e da alta nobreza e clero locais, iniciou a União Ibérica através da integração de todos os reinos da dinastia de Habsburgo ou dinastia filipina ou dinastia de Áustria.

Durante os sessenta anos (1580-1640) dessa União, ocorreu a Invasão Holandesa no Brasil em 1630. A Restauração Portuguesa, em 1640, conduziu:

  1. à assinatura de uma trégua de dez anos entre Portugal e os Países Baixos e
  2. ao abalo do domínio espanhol com a guerra de independência dos Países Baixos.

Na região Nordeste, sob domínio da Companhia das Índias Ocidentais, em 1644, Maurício de Nassau, suspeito de improbidade administrativa, é chamado de volta aos Países Baixos. Os novos administradores da companhia passaram a exigir a liquidação das dívidas aos senhores de engenho inadimplentes, política que conduziu à Insurreição Pernambucana de 1645 e que culminou com a extinção do domínio neerlandês após a segunda Batalha dos Guararapes. Formalmente, a rendição foi assinada em 26 de Janeiro de 1654.

Em consequência das invasões holandesas à Região Nordeste do Brasil, o capital neerlandês passou a dominar todas as etapas da produção de açúcar, do plantio da cana-de-açúcar ao refino e distribuição. Com o controle do mercado fornecedor de escravos africanos, passou a investir na região das Antilhas.

O açúcar produzido nessa região do Caribe tinha um menor custo de produção, devido, entre outros:

  1. à isenção de impostos sobre a mão de obra (tributada pela Coroa Portuguesa) e
  2. ao menor custo de transporte.

Sem capitais para investir, com dificuldades para aquisição de mão de obra e sem dominar o processo de refino e distribuição, o açúcar português não conseguiu concorrer no mercado internacional, provocando uma crise na economia do Brasil (e a de Portugal) que atravessaria a segunda metade do século XVII até a descoberta de ouro nas Minas Gerais. Essa dependência de trajetória foi resultado de um encadeamento de acontecimentos desde uma crise de sucessão dinástica

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As Dinastias da Câmara de Deputados

Declínio de uma família política abre o caminho para mudanças no Brasil

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