Positivismo

 

positivismo-e-a-bandeiraO lema Ordem e Progresso na bandeira do Brasil é inspirado pelo lema positivista: “Amor como princípio e ordem como base; o progresso como meta“. A casta dos militares envolvidos na Proclamação da República do Brasil, seguidores das ideias de Auguste Comte, esqueceram-se de colocar o “Amor”… Falta amor na Nação! 🙂

Dada a influência do pensamento positivista na casta dos guerreiros-militares brasileiros, inclusive influenciando a Proclamação da República, o Estado laico e a insígnia (“ordem e progresso”) na bandeira nacional, importante na formação de todas as lideranças gaúchas – Júlio de Castilhos, Borges de Medeiros e, particularmente, Getúlio Vargas – da Primeira República (1889-1930) e da Era Vargas (1930-1954), torna-se necessário conhecê-lo para bem compreender a História do Brasil. Indiretamente, inspirou também a Teoria das Elites adotada por Francisco José de Oliveira Viana (1883 -1951), que foi muito influente sobre Getúlio.

Além do campo verde e o losango dourado da bandeira imperial anterior terem sido preservados – o verde representava a Casa de Bragança de Pedro I, o primeiro imperador do Brasil, enquanto o ouro representava a Casa de Habsburgo de sua esposa, a imperatriz Maria Leopoldina – a bandeira do Brasil é um reflexo dessa influência positivista na política nacional. Na bandeira lê-se a máxima política positivista Ordem e Progresso, resumida a partir da divisa comteana “O Amor por princípio; a Ordem por base; o Progresso por meta”, representando as aspirações a uma sociedade justa, fraterna e progressista.

Começando a pesquisa pelo Wikipedia, ela informa que o positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX. Os principais idealizadores do positivismo foram os pensadores Auguste Comte e John Stuart Mill. Esta escola filosófica ganhou força na Europa na segunda metade do século XIX e começo do XX. É um conceito que possui distintos significados, englobando tanto perspectivas filosóficas e científicas do século XIX quanto outras do século XX.

Desde o seu início, com Auguste Comte (1798-1857) na primeira metade do século XIX, até o presente século XXI, o sentido da palavra mudou radicalmente, incorporando diferentes sentidos, muitos deles opostos ou contraditórios entre si. Nesse sentido, há correntes de outras disciplinas que se consideram “positivistas” sem guardar nenhuma relação com a obra de Comte. Exemplos paradigmáticos disso são o positivismo jurídico, do austríaco Hans Kelsen, e o positivismo lógico (ou Círculo de Viena), de Rudolf Carnap, Otto Neurath e seus associados.

Para Comte, o positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu de processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799) como:

  1. o desenvolvimento sociológico do iluminismo,
  2. as crises social e moral do fim da Idade Média e
  3. o nascimento da sociedade industrial.

Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a Teologia e a Metafísica, embora incorporando-as em uma Filosofia da História. Assim, o positivismo associa:

  1. uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a
  2. uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.

O positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. De acordo com os positivistas somente pode-se afirmar que uma teoria é correta se ela foi comprovada através de métodos científicos válidos.

Os positivistas não consideram os conhecimentos ligados as crenças, superstição ou qualquer outro meio que não possa ser comprovado cientificamente. Para eles, o progresso da humanidade depende exclusivamente dos avanços científicos.

O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação dos fenômenos, opondo-se ao racionalismo e ao idealismo, por meio da promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência (na concepção positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico, subordinando a imaginação à observação, tomando como base apenas o mundo físico ou material.

O positivismo nega à Ciência qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos naturais e sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e inacessível, voltando-se para a descoberta e o estudo das leis, constatadas como relações constantes entre os fenômenos observáveis.

Em sua obra Apelo aos Conservadores (1855), Comte definiu a palavra “positivo” com sete acepções: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

O positivismo defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento verdadeiro. Assim sendo, desconsideram-se todas as outras formas do conhecimento humano que não possam ser comprovadas cientificamente.

Tudo aquilo que não puder ser provado pela Ciência é considerado como pertencente ao domínio teológico-metafísico caracterizado por crendices e vãs superstições. Para os positivistas o progresso da humanidade depende única e exclusivamente dos avanços científicos, único meio capaz de transformar a sociedade e o planeta Terra no paraíso que as gerações anteriores colocavam no mundo além-túmulo.

O positivismo é uma reação radical ao transcendentalismo idealista alemão e ao romantismo. Os afetos individuais e coletivos e a subjetividade são completamente ignoradas por ele, limitando a experiência humana ao mundo sensível e ao conhecimento aos fatos observáveis. Substitui-se:

  1. a Teologia e a Metafísica pelo “Culto à Ciência“,
  2. o Mundo Espiritual pelo Mundo Humano,
  3. o Espírito pela Matéria.

A ideia-chave do positivismo comtiano é a Lei dos Três Estados, de acordo com a qual o entendimento humano passou e passa por três estágios em suas concepções, isto é, na forma de conceber as suas ideias e a realidade:

Teológico: o ser humano explica a realidade por meio de entidades supranaturais (os “deuses”), buscando responder a questões como “de onde viemos?” e “para onde vamos?”; além disso, busca-se o absoluto;

Metafísico: é uma espécie de meio-termo entre a teologia e a positividade. No lugar dos deuses há entidades abstratas para explicar a realidade: “o Éter”, “o Povo”, “o Mercado (financeiro)”, etc. Continua-se a procurar responder a questões como “de onde viemos?” e “para onde vamos?” e procurando o absoluto. Na busca da razão e destino das coisas, é o meio termo entre teológico e positivo.

Positivo: etapa final e definitiva, não se busca mais o “porquê” das coisas, mas sim o “como”, por meio da descoberta e do estudo das Leis Naturais, ou seja, relações constantes de sucessão ou de coexistência. A imaginação subordina-se à observação e busca-se apenas pelo observável e concreto.

 

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