Casta dos Guerreiros na Proclamação da República (1889)

oficiais_brasileiros_canhao_1886

A partir da década de 1880, surgiu uma nova geração de militares turbulentos e indisciplinados. Os antigos militares monarquistas, entre os quais se destacava Luís Alves de Lima e Silva (duque de Caxias), haviam falecido. Em um Exército com um efetivo de somente 13.000 homens, 7.526 haviam sido presos em 1884.

Os cadetes aprendiam o Positivismo na Escola Militar e ignoravam por completo qualquer instrução militar. Tanto a geração que sucedeu aos militares monarquistas como a mais nova formada por oficiais de baixa patente, ambas defendiam a implantação de uma ditadura militar. Um jornalista que fizera críticas ao comportamento dos militares foi assassinado por oficiais do Exército a luz do dia em uma rua movimentada em 1882.

Os ativistas republicanos incentivaram o comportamento indisciplinado de uma parcela dos militares do Exército, durante os anos de 1887 e 1888, alegando falta de atenção e consideração por parte do governo às Forças Armadas. Em 1888, cerca de 19% do orçamento era destinado as Forças Armadas. Apesar do percentual ter diminuído quanto a receita em geral, o valor real ainda assim aumentou. A inflação no período monárquico era extremamente baixa (para efeitos de comparação, em 1887 ocorreu uma deflação de 16,1%), o que não deve ter prejudicado o orçamento das Forças Armadas. Em 1899, já no período republicano, o orçamento destinado ao Exército era apenas um terço do valor de 1889. Contudo, somente no período 1890-1895 a inflação média anual foi de 50%, de maneira que o valor real do orçamento do Exército teria seria ainda mais baixo.

Em 15 de Novembro de 1889, a Monarquia foi derrubada por tropas do Exército, lideradas pelo marechal Deodoro da Fonseca, que se tornou o líder da primeira ditadura brasileira. Estimou-se que, de início, cerca de 20% do efetivo do Exército Imperial apoiou o golpe de Estado para a Proclamação da República.

Nos dias seguintes, diversos batalhões do Exército espalhados pelas províncias do país participaram de confrontos armados com o intuito de impedir o golpe.

Um exemplo foi o do 25º Batalhão de Infantaria que se encontrava em Desterro (atual Florianópolis) e atacou o Clube Republicano em 17 de novembro de 1889. Um mês depois em 18 de dezembro no Rio de Janeiro foi a vez do 2º Regimento de Artilharia. Militares monarquistas participaram da Revolução Federalista ocorrida em 1893 com o intuito de restaurar o Império. Os que não faleceram nas batalhas, foram presos, deportados ou fuzilados.

Após o golpe de Estado, que instaurou o regime de governo republicano no país, foi-se prometido aos militares:

  1. o aumento em seus salários,
  2. a instituição da reforma compulsória,
  3. a alteração dos planos de organização do Exército,
  4. a reforma do ensino militar e
  5. a regulamentação de promoções visando aperfeiçoar a instituição.

Entretanto, a reorganização do Exército limitou-se a aumentar o número de batalhões e regimentos, sem que fosse modificado a quantidade de militares.

As promoções que foram concedidas pelo novo governo desrespeitaram a hierarquia, antiguidade e competência, tendo-se como critério apenas interesses políticos.

Foram extinguidos três arsenais de guerra, a fábrica de pólvora fora arruinada, não houvera a criação de oficia para armamentos modernos e os armamentos comprados em geral eram completamente ultrapassados.

Os gastos com o Exército em 1889 atingiram o montante de 1.666.000 libras, enquanto mais de dez anos depois, o valor gasto na manutenção da instituição era de apenas um terço deste valor, ou seja, 555.333 libras.

Apenas nos cinco primeiros anos da República, a inflação corroera a moeda nacional, atingindo uma média de 50% por ano, o que revela a grave situação da Força Armada neste período. Ela deveria se manter com um valor extremamente reduzido, graças à inflação descontrolada, em relação ao que ocorrera no Período Imperial.

No ano seguinte à Proclamação da República, em 1890, o ensino militar no Brasil foi reformado. Isto ocorreu por inspiração pelos ideais positivistas dos líderes republicanos. Nas escolas militares e nas casernas pregava-se a ideia de uma paz universal duradoura.

Ancorado na Filosofia Positivista, durante os anos 1889-94, ocorreu o primeiro período na história brasileira no qual o exército dirigiu o país, tentando impor suas diretrizes políticas e projetos de desenvolvimento nacional ao restante da sociedade. A instabilidade gerada pelo entrelaçamento da crise sucessória que desaguou na Revolta da Armada, agravada por uma grave crise econômica, abortou esta primeira tentativa de reger o país sem oposição.

A chamada Revolta da Armada foi um movimento de rebelião promovido por unidades da Marinha do Brasil contra o governo de Floriano Peixoto, supostamente apoiada pela oposição monarquista à recente instalação da República. Desenvolveu-se em dois momentos:

  1. em novembro de 1891, registrou-se como reação à atitude do presidente da República, marechal Deodoro da Fonseca que, em meio a uma crise institucional, agravada por uma crise econômica, e com dificuldades em negociar com a oposição, em flagrante violação da Constituição recém promulgada em 1891, ordenou o fechamento do Congresso;
  2. Unidades da Armada na baía de Guanabara, sob a liderança do almirante Custódio de Melo, sublevaram-se e ameaçaram bombardear a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República;
  3. para evitar uma guerra civil, o marechal Deodoro renunciou à Presidência da República no dia 23 de novembro de 1891;
  4. em março de 1892, treze generais enviaram uma Carta-Manifesto ao Presidente da República, marechal Floriano Peixoto, exigindo a convocação de novas eleições presidenciais para se cumprir o dispositivo constitucional e se estabelecesse a alternância de poder na nação;
  5. Floriano reprimiu duramente o movimento, determinando a prisão de seus líderes;
  6. apoiado pelo Exército brasileiro e pelo Partido Republicano Paulista, o presidente da República conteve o movimento em março de 1894, para o que fez adquirir, às pressas, no exterior, por meio do empresário e banqueiro estadunidense Charles Ranlett Flint, alguns navios de guerra, cuja frota foi tripulada por mercenários estadunidenses: “a pior escória de filibusteiros americanos”.

2 thoughts on “Casta dos Guerreiros na Proclamação da República (1889)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s