Casta dos Guerreiros na República Velha (1889-1930)

acampamento_exercito_brasileiro_1885

O marechal Hermes da Fonseca, ao assumir a pasta da Guerra, em 1906, deu vigoroso impulso à reforma da estrutura militar do país. Estabeleceu o serviço militar obrigatório, por sorteio, e reorganizou o exército em bases modernas, reequipando-o. A Lei do Sorteio teve muitos protestos, porém, foi efetivamente aplicada em 1916, após a Guerra do Contestado, pela contingência da entrada do país na Primeira Guerra Mundial.

A Guerra do Contestado foi um conflito armado entre a população cabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro, travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916, em uma região rica em erva-mate e madeira, disputada pelos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. Originada nos problemas sociais, decorrentes principalmente da falta de regularização da posse de terras e da insatisfação da população hipossuficiente, em uma região em que a presença do poder público era pífia, o embate foi agravado ainda pelo fanatismo religioso, expresso pelo messianismo e pela crença, por parte dos caboclos revoltados, de que se tratava de uma guerra santa.

A região fronteiriça entre os estados do Paraná e Santa Catarina recebeu o nome de Contestado, devido ao fato de que os agricultores contestaram a doação que o governo brasileiro fez aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company. Como foi uma região de muitos conflitos, ficou conhecida como Contestado, por ser uma região de disputas de limites entre os dois estados brasileiros.

Devido ao afundamento de navios mercantes brasileiros na costa europeia por submarinos Alemães, durante o primeiro semestre de 1917, o Brasil declarou guerra aos Impérios Centrais em 26 de outubro daquele ano. O Exército Brasileiro participou do conflito no envio de um grupo de oficiais e sargentos para o Front Ocidental que foram incorporados a unidades do Exército Francês.

Um terço dos oficiais enviados foi promovido por atos de bravura em ação. Dentre esses, se encontrava o então tenente José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que atuando no 4º regimento de Dragões, foi condecorado por franceses e belgas, sendo promovido a capitão e comandante de esquadrão, por sua atuação a frente de seus comandados. De volta ao Brasil por sua iniciativa e pioneirismo viria a se tornar o patrono da força blindada brasileira. Em 1919, o Exército Brasileiro foi reorganizado por uma missão militar francesa.

Durante a década de 1920, a história do exército foi marcada pelo Movimento Tenentista, uma série de rebeliões malsucedidas, ocorridas entre 1922 e 1927. A situação política do País levaria a maioria da oficialidade e tropa a apoiar o bem-sucedido Movimento de 1930.

O tenentismo foi o nome dado ao movimento político-militar constituído por uma série de rebeliões de jovens oficiais de baixa e média patente do Exército Brasileiro, no início da década de 1920, descontentes com a situação política do Brasil. Propunham reformas na estrutura de poder do país, entre as quais se destacavam:

  1. o fim do voto aberto (fim do voto de cabresto),
  2. a instituição do voto secreto e
  3. a reforma na educação pública.

Os movimentos tenentistas foram:

  1. a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, em 1922, não possuía uma proposta definida, tendo conteúdo mais corporativista, de defesa da instituição militar;
  2. a Revolta de 1924, na cidade de São Paulo, foi motivada pelo descontentamento dos militares com a crise econômica e a concentração de poder nas mãos de políticos de São Paulo e Minas Gerais;
  3. a Comuna de Manaus de 1924 com críticas ao poder estabelecido, procurando demonstrar o abuso do poder por parte dos oligarcas que estavam controlando o governo federal e estaduais;
  4. a Coluna Prestes: tropas tenentistas retiraram-se da capital de São Paulo, em 1924, e de armas na mão percorreram todo o interior do Brasil, sendo que no Rio Grande do Sul receberam a adesão de novos sublevados, como a do Capitão Luís Carlos Prestes, passando a ser chamados de Coluna Prestes que, após dois anos de luta, enfrentando tropas governistas e tropas de polícias estaduais, além de “Provisórios” armados às pressas no sertão do Nordeste, sempre se deslocando de um lugar para outro, terminou se internando na Bolívia.

O movimento tenentista não conseguiu produzir resultados imediatos na estrutura política do país, já que nenhuma de suas tentativas teve sucesso, mas conseguiu manter viva a revolta contra o poder das oligarquias, representado na Política do Café com Leite. Preparou o caminho para a Revolução de 1930, que alterou, definitivamente, a estrutura de poder no país.

Passou, inicialmente, da casta da aristocracia fundiária governante para a casta dos guerreiros. Posteriormente, com o surgimento da casta dos sábios universitários e a consolidação da casta dos trabalhadores organizados ou sindicalizados, cujas alianças quase sempre ganham as disputas eleitorais, aquelas castas – a dos guerreiros militares e a dos aristocratas governantes –, apoiadas pela casta dos comerciantes industriais e financistas, reagiram com periódicos golpes de Estado.

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