Religião da Humanidade

templo_positivista

Houve, no Brasil, dois tipos de positivismo:

  1. um “positivismo ortodoxo“, mais conhecido, ligado à Religião da Humanidade e apoiado por Pierre Laffitte, discípulo de Comte, e
  2. um “positivismo heterodoxo“, que se aproximava mais dos primeira fase dos estudos de Augusto Comte, que criaram a disciplina da Sociologia, e apoiado por outro discípulo de Comte, Émile Littré.

Em sua segunda fase, após a morte de uma amiga (Clotilde de Vaux, esposa de um prisioneiro) pela qual era apaixonado, em 1846 (conhecera ela há dois anos), Auguste Comte, por meio da obra “Sistema de Política Positiva” (1851-1854), institui a Religião da Humanidade.

Após a elaboração de sua Filosofia, Comte concluiu que deveria criar uma nova religião: afinal, para ele, as religiões do passado eram apenas formas provisórias da única e verdadeira religião: a Religião Positiva. Segundo os positivistas, as religiões não se caracterizam pelo sobrenatural, pelos “deuses”, mas sim pela busca da unidade moral humana. Daí a necessidade do surgimento de uma nova religião que apresenta um novo conceito do Ser Supremo, a Religião da Humanidade.

Segundo os positivistas, a Teologia e a Metafísica nunca inspiraram uma religião verdadeiramente racional, cuja instituição estaria reservada ao advento do espírito positivo. Estabelecendo a unidade espiritual por meio da Ciência, a Religião da Humanidade possui como principal objetivo a “regeneração social e moral”.

Assim como a Religião Católica está fundamentado na Filosofia escolástica de Tomás de Aquino, a Religião da Humanidade está fundamentada na Filosofia positivista de Auguste Comte, esta fundamentada na Ciência clássica.

A Religião da Humanidade possui, como Ser Supremo, a Humanidade Personificada, tida como deusa pelos positivistas. Ela representa o conjunto de seres convergente de todas as gerações, passadas, presentes e futuras que contribuíram, que contribuem e que contribuirão para o desenvolvimento e aperfeiçoamento humano.

A Ciência clássica se constitui no dogma da Religião da Humanidade. Também existem templos e capelas onde são celebrados cultos elaborados à Humanidade (chamada Grão-Ser pelos positivistas). A religião positivista caracteriza-se pelo uso de símbolos, sinais, estandartes, vestes litúrgicas, dias de santos (grandes tipos humanos), sacramentos, comemorações cívicas e pelo uso de um calendário próprio, o Calendário Positivista: um calendário lunar composto por 13 meses de 28 dias.

O lema da religião positivista é : “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. Seu regime é: “Viver às Claras” e “Viver para Outrem”. Auguste Comte foi o criador da palavra “altruísmo” — amor espontâneo pelo próximo; abnegação, filantropia, proximismo — palavra que segundo o fundador, resume o ideal de sua Nova Religião.

Os últimos anos da vida de Comte transcorreram em grande solidão e desencanto, sobretudo por ter sido abandonado por Émile Littré. Seu mais famoso discípulo não concordava com a ideia de uma nova religião. Auguste Comte faleceu no dia 5 de setembro de 1857.

3 thoughts on “Religião da Humanidade

  1. Prezado Fernando,

    o enraizamento do real (realidade), precisa partir de um centro comum “a consciência” cuja base está na episteme (conhecimento da natureza); as tentativas dos religiosos, filósofos e até mesmo cientistas, em afirmar que existe uma verdade absoluta no cosmos, cai por terra pelo fato da impossibilidade de tal empreendimento.

    Sic…https://rcristo.com.br/2017/03/15/como-atingir-a-razao-esclarecida-sobre-nossas-crencas-valores-e-interpretacoes-da-realidade/

    “No confronto do que sabemos ou podemos saber, obtemos múltiplas respostas, múltiplas afirmações/negações = múltiplas interpretações!

    Deus é uma ideia que foi posta em um livro: a bíblia e depois abduzida (imposta) na mente das pessoas no decorrer de milênios, cujo objetivo é induzir todo tipo de afirmações equivocadas a partir dessa ideia (redundância), na tentativa de conduzir as pessoas para uma condição moral arbitrária (servindo como fundamento para as castas manterem a dominação sobre os menos favorecidos, ex: igrejas, seitas, credos, etc.) e contrária à razão esclarecida. Como não existe uma verdade absoluta, o resultado é um vazio { }, redundante e sem meios de evoluir para uma condição posterior e natural, isso causa todo tipo de abuso doutrinário/opressor sobre aqueles cuja educação não foi capaz o suficiente de torna-los imunes a essa pseudo-verdade!”

    A crença em deus ou divindades provavelmente seja o “último pilar civilizatório humano”. As civilizações futuras não terão mais essa crença. Abs.

    1. Prezado Reinaldo,
      é a infrutífera tentativa dos religiosos em explicar o natural pelo sobrenatural…

      Curiosamente, por razões psicológicas e/ou emocionais de Auguste Comte, no final da vida tentou juntar Ciência Positiva e Religião. Acabou sendo abandonado por discípulos antes fieis.
      abs

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