Casta dos Sábios-Sacerdotes no Brasil Republicano

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Em 1952, foi criada a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que coordena a ação da Igreja no país. No final dos anos 50, a Igreja preocupa-se com questões sociais geradas pelo modelo de capitalismo no país, como a fome e o desemprego. Em 1960, a Juventude Universitária Católica (JUC), influenciada pela Revolução Cubana, declara sua opção pelo socialismo. Pressões de setores conservadores da Igreja levam os militantes da JUC a criar um movimento de esquerda, a Ação Popular (AP). Na época, a Igreja está dividida quanto às propostas de reformas de base do presidente João Goulart.

Com o Regime Militar de 1964 crescem os conflitos entre Igreja e Estado. A partir de 1968, com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), há uma ruptura total diante da violenta repressão: prisões, torturas e assassinatos de estudantes, operários e padres e perseguições aos bispos. Na época, a Igreja atuava em setores populares, com as comunidades eclesiais de base. Inspiradas na Teologia da Libertação, elas vinculam o compromisso cristão e a luta por justiça social. Os abusos contra a ordem jurídica e os direitos humanos levaram a Igreja a se engajar fortemente na luta pela redemocratização, ao lado de instituições da sociedade civil.

Ao longo dos anos 80 e 90, com a redemocratização da sociedade brasileira e com alguns de seus ensinamentos fortemente criticados pela Santa Sé, a Teologia da Libertação perde parte de sua influência. Nesse período, cresce o vigor da Renovação Carismática Católica, surgida nos EUA. Em oposição à politização da Teologia da Libertação, o movimento busca uma renovação em práticas tradicionais do catolicismo pela ênfase em uma experiência mais individualista com Deus.

No transcorrer do século XX foi percebida uma diminuição no interesse em formas tradicionais de religiosidade. Um reflexo disso é a grande massa de “católicos não-praticantes” hoje presente no país.

Na hierarquia católica brasileira estão hoje presentes três vertentes principais:

  1. o clero tradicionalista, mais conservador e defensor da ortodoxia;
  2. os remanescentes da Teologia da Libertação, que desde os anos 70 tem formado uma espécie de “esquerda” eclesiástica; e
  3. os adeptos da Renovação Carismática ou de Comunidades Carismáticas, movimentos mais neoliberais.

A Renovação Carismática tem forte presença leiga e já responde sozinha por grande parte dos católicos praticantes no país. O movimento tende a ter uma moral conservadora e assemelha-se em certos aspectos às Igrejas Pentecostais, como no uso dos dons do Espírito Santo.

Uma das Comunidades Carismáticas mais conhecidas é a Canção Nova que é presidida pelo Monsenhor Jonas Abib, um dos precursores da Renovação Carismática Católica no Brasil, e possui um canal de televisão mantido por doações. Sua sede fica na cidade de Cachoeira Paulista. Outro ícone da RCC no Brasil é Padre Marcelo Rossi, fenômeno de mídia e cultura de massas que surgiu no final da década de 90. Cantando e fazendo coreografias em programas de televisão e missas lotadas, ele se propõe a pregar a mensagem de Cristo, conforme ensinada pela Igreja Católica.

Estão presentes também seitas – grupos dentro de uma comunhão religiosa principal, cujos aderentes seguem certos ensinamentos ou práticas particulares – que suscitam um aprofundamento na fé de que a marca do cristianismo original é a solidariedade social, e têm apoio do clero:

  1. o Opus Dei, cuja prelazia segue uma via de conduta conformista que passa pela santificação do trabalho, encontrando Deus nas coisas ordinárias da Terra,
  2. o Caminho Neocatecumenal: síntese catequética no estilo dos evangelizadores dos primeiros séculos do cristianismo, válida tanto para os batizados, quanto para a vivência da fé em pequenas comunidades de auto sustentação, cuja finalidade é a integração plena de seus membros na paróquia,
  3. o Regnum Christi: movimento de apostolado ao serviço dos homens e da Igreja que compartilha o carisma da congregação dos Legionários de Cristo.

Os católicos brasileiros são mais propensos a verem a natureza humana como boa, em vez de corrupta, e o mundo como bom, em vez de mau. Por que essa “boa fé”?!

São menos propensos a acreditar na literalidade da Bíblia, em comparação aos evangélicos. Quase 75% rezam todos os dias, mas apenas 12% se envolvem em atividades da igreja; apenas 26% dizem que são “muito religiosos”.

No Brasil, os católicos são menos conservadores que os evangélicos em assuntos como sexo antes do casamento, coabitação antes do casamento, homossexualidade e aborto. Segundo pesquisa de 2014:

  • a maioria dos católicos brasileiros (51%) são a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, número que cresce para 54% entre os sem religião e decresce para 25% entre os evangélicos.
  • 84% afirmam que o uso de métodos contraceptivos não é moralmente errado;
  • 76% são contra o aborto legal em todos os casos ou na maioria deles;
  • 47% que fazer uso de bebida alcoólica é moralmente errado;
  • 17% que o divórcio é moralmente errado;
  • 44% que o sexo fora do casamento é moralmente errado;
  • 68% acreditam na evolução das espécies;
  • 56% dizem que os padres deveriam poder se casar;
  • 78% que mulheres deveriam poder ser ordenadas na igreja;
  • 64% que a religião deve ser mantida separada de políticas de governo.

Nas últimas décadas, é notável o decréscimo na participação de católicos na população brasileira, sobretudo, a partir da década de 1990, na Era Neoliberal, quando se propaga o individualismo autossuficiente:

  • em 1872, 99,71% dos brasileiros eram católicos;
  • 95% em 1940;
  • 83% em 1991;
  • 74% em 2000;
  • 68% em 2009.

Ao mesmo tempo, cresceu no país o número de evangélicos, de pessoas sem religião e de seguidores de outras crenças. Segundo pesquisa da FGV de 2009, o catolicismo no Brasil vem perdendo fiéis, sobretudo, nos bolsões de pobreza situados em regiões metropolitanas, em especial para igrejas evangélicas pentecostais e para a não religiosidade.

O estudo apontou que a “velha pobreza brasileira“, particularmente as áreas rurais do Nordeste, mais assistida por programas de governo, continua fortemente católica, ao passo que a “nova pobreza“, isso é, a periferia das grandes cidades, menos assistidas por programas sociais, estaria migrando para o protestantismo e para a irreligiosidade.

O estudo apontou que o catolicismo continua forte entre os brasileiros mais pobres (72,8% na classe E) e entre os mais ricos (69,1% nas classes A e B). As regiões mais católicas do país são o Nordeste e o Sul.

O catolicismo perde adeptos sobretudo entre os jovens brasileiros: segundo o Instituto Data Popular, somente 44% dos brasileiros de 16 a 24 anos definiam-se como católicos. Esse fenômeno é denominado de “descatolização“.

Na arquidiocese de Porto Alegre, por exemplo, a quantidade de batizados, primeiras comunhões, crismas e casamentos vem diminuindo ininterruptamente. Em 2008, foram batizadas 26,8 mil crianças, contra 20,8 mil em 2013. Houve também quedas ainda maiores na primeira eucaristia (de 14,9 mil para 8,2 mil), nas crismas (de 7,6 mil para 4,8 mil) e até nos casamentos (de 3,1 mil para 1,8 mil).

Segundo o sociólogo da religião Ricardo Mariano, em décadas passadas, havia uma simbiose entre ser brasileiro e ser católico. Em 1940, meio século após a separação entre Estado e Igreja, 95% dos brasileiros ainda se consideravam católicos. O Estado laico existia no papel, mas não na realidade de fato.

A Igreja Católica teve uma onipresença perversa para a liberdade de expressão. Imprensa, delegacias de polícia, juízes, intelectuais e uma série de outras categorias, além do clero, criavam dificuldades para os outros credos, que foram discriminados e perseguidos. No Brasil, muitas pessoas diziam-se católicas como resposta a uma “pressão social”, fato que explica o incontável número de católicos, porém “não praticantes” no país.

Apenas na segunda metade do século XX é que a liberdade religiosa no Brasil realmente se tornou realidade. Segundo o citado sociólogo, nesse novo cenário de pluralismo, “é natural que as pessoas façam algo que não era tão comum no passado: refletir sobre qual é a sua religião e tomar uma decisão diante das opções disponíveis“.

A liberdade de escolha ajuda a explicar a perda de fiéis da Igreja Católica para a irreligiosidade, bem como de pessoas que vão procurar abrigo em outras igrejas, particularmente nas evangélicas. Outra consequência do pluralismo “seria a presente amplificação de conflitos, controvérsias e debates públicos envolvendo questões como feminismo, orientação sexual, aborto e direitos das minorias”.

Fonte: Wikipedia

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