Casta de Sábios-Universitários em São Paulo

cidade_universitaria_usp

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi o movimento armado ocorrido no estado de São Paulo, entre julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte. O movimento cresceu a partir do ressentimento local com o fato de Vargas governar por decreto, sem uma Constituição e em um governo provisório. O golpe de Estado também afetou São Paulo ao corroer a autonomia que os estados brasileiros gozavam durante a vigência da Constituição de 1891.

Após o revés de São Paulo na “Revolução de 1932”, o Estado se viu ante a necessidade de formar uma nova elite capaz de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições, do governo e a melhoria do país. Com esse objetivo um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP) (a atual Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) em 1933, e o interventor de São Paulo (cargo que, naquele momento, correspondia ao de governador) Armando de Salles Oliveira criou a Universidade de São Paulo (USP), em 1934.

Nas palavras de Sergio Milliet, membro da casta dos sábios-intelectuais universitários: “De São Paulo não sairão mais guerras civis anárquicas, e sim ‘uma revolução intelectual e científica’ suscetível de mudar as concepções econômicas e sociais dos brasileiros”.

A ELSP assumiu o objetivo de formar elites administrativas para um novo modelo que vinha se configurando em que se notava uma atuação crescente do Estado, enquanto a USP voltou-se a formar professores para as escolas secundárias e especialistas nas ciências básicas. O modelo sociológico norte-americano constituiu o exemplo para ELSP, enquanto que o mundo acadêmico francês foi a principal fonte de inspiração para a USP.

Professores estrangeiros tais como Claude Lévi-Strauss, Fernand Braudel, Roger Bastide, Emilio Willems, Donald Pierson, Pierre Monbeig e Herbert Baldus difundiram nas duas instituições novos padrões de ensino e pesquisa, formando as novas gerações de cientistas sociais no Brasil.

A USP surgiu da união da recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) com as já existentes Escola Politécnica de São Paulo, Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito e Faculdade de Farmácia e Odontologia.

A FFCL surgiu como o elemento de integração da universidade, reunindo cursos nas diversas áreas do conhecimento. Ainda em 1934 havia sido criada a Escola de Educação Física do Estado de São Paulo, primeira faculdade civil de educação física no Brasil e que viria a ser incorporada pela USP anos depois. Na sequência foi criada a Escola de Engenharia de São Carlos – EESC e outras várias unidades foram sendo criadas pela universidade nos anos seguintes, e nos anos 1960 a universidade foi gradualmente transferindo as sedes de suas unidades para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em São Paulo.

Durante a década de 1970 e parte da de 1980, a USP passou por um esvaziamento intelectual, tanto do ponto de vista da produção do conhecimento quanto do da qualidade dos recursos humanos. Durante as décadas anteriores, a universidade serviu de palco para a discussão de um novo projeto de país, reunindo diversos intelectuais de esquerda em suas várias unidades, especialmente na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Com a limitação das liberdades democráticas promovida pelo regime militar brasileiro, vários professores da USP foram cassados e diversos deles foram obrigados a sair do país. Vários alunos envolveram-se na luta contra a ditadura, o que gerou afastamentos compulsórios de suas faculdades.

Paralelamente ao esvaziamento intelectual decorrente da repressão política, ocorreu na USP, nas décadas de 1960, 70 e 80, um processo de fragmentação de suas unidades. Foram criadas novas Faculdades e novos Institutos, o que resultou em novos cursos de graduação, novas linhas de pesquisa e programas de pós-graduação. A dissolução da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) costuma ser apontada como um símbolo paradigmático deste processo.

Originalmente pensada como o núcleo acadêmico da universidade, reunindo em si os vários campos do conhecimento puro, a FFCL, com o tempo, viu seus Departamentos ganharem autonomia e se transformarem em unidades plenamente autônomas e administrativamente separadas de sua unidade original. O Instituto de Física foi o primeiro departamento a desvincular-se da FFCL, seguido igualmente de outros Departamentos ligados às Ciências Exatas e Biológicas. Desta forma, com a permanência apenas dos cursos ligados às Humanidades, ocorreu uma reforma interna na unidade e ela passou a se chamar Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).

Em uma palestra do crítico literário Antônio Cândido, ele disse que, “na primeira metade do século 20, paulistanos e cariocas eram vistos pelo resto do Brasil, como tipos antagônicos”. Segundo o professor, mineiro de origem, “o carioca não costumava responder a cartas naquele tempo, enquanto era possível contar com uma resposta, sim, do paulistano. O primeiro cultivava mais as festas e o segundo, os automóveis. Um tendia para a tranquilidade e o outro para a pressa. Os dois tipos eram vistos deste modo pelo resto do País. Havia, naquele tempo, uma grande distância física, cultural e de costumes entre as duas capitais”.

Segundo Márcio de Ávila Rodrigues, “partindo do intelectual que o disse, trata-se de uma constatação, de uma teoria bem embasada, de um fato sociológico e histórico. Talvez hoje os dois estereótipos não estão mais tão bem demarcados hoje quanto na época abordada, principalmente por causa da influência dos veículos de comunicação, que aproximam falares e costumes, reduzindo as diferenças. E também dos veículos motorizados, transportando pessoas e aumentando o contato. Facilitando a interação de costumes”.

Enquanto isso, a Unicamp foi criada por lei, em 28 de dezembro de 1962, mas começou a funcionar efetivamente em 1966. Ela se tornou responsável por cerca de 15% da produção científica brasileira. Ela também produz mais patentes do que qualquer outra organização de pesquisa brasileira, atrás somente da estatal Petrobras. Vários rankings universitários internacionais classificam a Unicamp como uma das melhores universidades do mundo. Em 2015, o QS a classificou como a 195ª melhor universidade do mundo, além da 11ª melhor universidade com menos de 50 anos de existência do planeta e como a 24ª melhor instituição universitária dos BRICS e de outros países em desenvolvimento. Em 2015, a Unicamp foi a universidade com maior número de cursos bem avaliados do país pelo Ministério da Educação.

A UNICAMP foi projetada como um sistema integrado de centros de pesquisa, ao contrário de outras universidades brasileiras, geralmente criadas pela consolidação das escolas e institutos anteriormente existentes. Seu foco em pesquisa reflete que quase metade de seus estudantes são alunos de pós-graduação, a maior proporção entre todas as grandes universidades no Brasil. Ela também se destaca no grande número de cursos de pós-graduação oferecidos (153, comparados aos 70 cursos de graduação), além de oferecer vários cursos para cerca de 8 mil estudantes por meio de sua Escola de Extensão.

No ano de 2014, a UNICAMP contava com 33.634 alunos matriculados em 66 cursos de graduação (18.698 alunos matriculados) e 153 programas de pós-graduação oferecidos nos campi de Campinas, Piracicaba e Limeira. Seus 1.795 docentes, dos quais 99% com titulação mínima de doutor e 93% atuando em regime de dedicação exclusiva, seguiram liderando a produção per capita de artigos científicos publicados em revistas internacionais indexadas, com o número de publicações por docente chegando a 1,8. Esse indicador mantém a UNICAMP como a primeira universidade estadual paulista em produção per capita.

Somando todos os Campi, a USP possui um total de 246 cursos de graduação, 229 cursos de pós-graduação, 5,8 mil professores e 93 mil alunos matriculados entre graduação e pós-graduação (2012).

unicamp-em-numeros-1unicamp-em-numeros-2

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s