Medição da Casta de Sábios-Universitários

numero-total-de-matriculas-2003-2014

A repressão politica no Brasil da ditadura militar pouco promoveu o Ensino Superior, tanto público quanto privado. O número de matriculas, em cerca de vinte anos, passou de 95.961, em 1960, para apenas 134.500, em 1980. A democracia foi benéfica para sua expansão. Veja abaixo a multiplicação quase por doze vezes até 1991.

graduacao-presencial-1991-2002

Em 2014, houve 6.486.171 matrículas em Cursos de Graduação Presenciais. Somaram-se, assim, mais 3.006.258 estudantes universitários na Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014).

graduacao-presencial-2014

Em 2014, segundo o INEP, o Censo apurou mais de 7,8 milhões de matrículas em Ensino Superior, considerando Cursos Presenciais e EAD. Isso significa aumento de 96,5% de 2003 (quando as matrículas eram 3.936.933) a 2014. Nos cursos a distância, 9 de 10 matrículas estavam na rede privada, já na modalidade presencial, 72% das matrículas se encontravam em cursos privados.

Contudo, quando se analisam as matrículas presenciais apenas em Universidades (e não em outras categorias administrativas), as públicas e as privadas abrigavam números mais próximos, respectivamente, 1.548.007 e 1.656.994. Em outras palavras, rigorosamente, estudantes universitários eram 3.205.001. Esta casta ainda não se massificou tanto quanto sugere o número de estudantes de Ensino Superior do gráfico acima.

Considerando o número de docentes universitários como componentes dessa casta de sábios, eram apenas 204.310 em 2014, sendo que os com Doutorado, que davam aulas em Universidades, eram a metade: 102.371 professores. Apenas estes poderiam ser considerados membros da casta dos sábios-universitários?

numero-de-docentes-2014

Negros ou pardos ganham cerca de 90% do salário de brancos em todas as classificações de estudo mais baixas, até o ensino fundamental completo. Dali em diante que a diferença cresce. Quando entram na universidade, a relação chega a ficar abaixo dos 80%.

Ao completar o ensino superior, o salário de todos dão um salto, mas ele é mais expressivo entre brancos. A média salarial vai de R$ 2.719,98 para os R$ 5.589,25 — aumento de 105%. Entre negros, a diferença parte de R$ 2.252,55 para os R$ 3.777,39 — ou 67% a mais.

Na média total, contando todos os graus de instrução, os rendimentos médios dos trabalhadores negros representam 69,58% em relação aos brancos em 2014, enquanto em 2013 eram 70,13%. Veja os dados da evolução abaixo.

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concluintes

Dados divulgados, em 2013, pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o Brasil tem o mais baixo nível de população que completa o ensino superior e o terceiro pior dentre os que acabam o ensino médio dentre 35 países pesquisados. As estatísticas revelam ainda que avançar nos estudos é crucial para a carreira profissional: em nenhum outro país concluir a faculdade faz tanta diferença em termos de emprego e renda.

Os experts da organização indicam que o porcentual da população entre 25 e 34 anos e entre 25 e 64 anos que atingiu o nível universitário no País em 2011, de 12,74% e 11,61%, respectivamente, era o pior de todos os pesquisados. Na Coreia do Sul, primeiro lugar no ranking, esses índices chegam a 63,82% e 40,41%, respectivamente.

Da mesma forma, o porcentual de homens e mulheres que completam o ensino médio também é baixo: o Brasil é 33.º entre 35. Essas falhas têm graves repercussões econômicas porque o Brasil é um país em que o nível de estudo faz grande diferença em termos de empregos e salários. Pelos cálculos da organização, um adulto com idade entre 25 e 64 anos que termina o ensino superior receberá em média 157% mais do que quem só terminou o nível médio. A média dos países da OCDE é de 57%.

O percentual de brasileiros com nível superior completo passou de 4,4%, em 2000, para 7,9% em 2010. No começo da década passada (2000), 6,1 milhões de brasileiros tinham terminado ao menos um curso universitário. Em 2010, já eram 12,8 milhões, o que representa crescimento de 109,83% nesses dez anos. Os dados integram os Resultados Gerais da Amostra do Censo de 2010, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apenas 16% dos trabalhadores brasileiros têm ensino superior completo. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Domicílios (Pnad) divulgados pelo IBGE, nos três últimos meses de 2014, três em cada 10 pessoas da força de trabalho brasileira não tinham sequer concluído o ensino fundamental.

Fonte: Wikipedia apud Censo Demográfico do IBGE em 2010

A situação é pior na região Nordeste, onde a maior parte da população ocupada (40,7%) não cursou nem os nove anos iniciais de ensino. Na região Norte, o percentual chega a 37,8%.

Já nas regiões Sul e Sudeste, ocorre o inverso. Nestes estados, o percentual das pessoas que tinham completado pelo menos o ensino médio é superior ao das demais regiões. Na região Sudeste, o índice chega a 59,1% e na Sul, 51,8%.

De forma geral, é pequeno o percentual de trabalhadores do país que têm nível superior completo: apenas 16% das pessoas ocupadas atingiram esse nível. A região Sudeste é que apresenta o maior nível, com 19,5%, enquanto a região Norte tem o menor, com 10,5%.

Veja os níveis de instrução dos trabalhadores brasileiros:
Nenhum nível de instrução 4,8%
Ensino Fundamental completo 10,8%
Ensino Fundamental incompleto 25,6%
Ensino Médio completo 31,1%
Ensino Médio incompleto 6,3%
Ensino Superior completo 16,0%
Ensino Superior incompleto 5,3%

pea-1992-2014

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