Bolsa Controlada por Especuladores Estrangeiros

Com relação à participação dos grupos de investidores no segmento Bovespa, os não residentes permaneceram como os mais representativos, em 2016, com 52,1% do volume total negociado, seguidos dos institucionais locais, com 24,8%. Todos os grupos de investidores residentes não se arriscam em renda variável se podem ganhar em renda fixa a maior taxa de juros real do mundo.

Em 2016, o volume financeiro médio diário negociado no mercado de ações e de derivativos de ações (opções e termo) atingiu R$ 7,4 bilhões,
como reflexo, em especial, dos volumes do mercado a vista (R$ 7,1 bilhões), que representaram 96% do total negociado no segmento. É um volume ridículo se comparado com o volume de liquidez diária em operações compromissadas.

Mesmo se comparado com o estoque médio do Tesouro Direto,  R$ 33,5 bilhões não é muito significativo. Neste, o número médio de investidores foi de 304,8 mil em 2016. Continua sendo um pequeno número, considerando todos os investidores em Títulos e Valores Mobiliários: 9,6 milhões.

O capital especulativo estrangeiro, diversificando um pequeno montante de sua carteira global em termos geográficos, tira proveito do “Brasil estar à venda a preço de banana”, ganhando tanto na capacidade de controlar o Ibovespa quanto no cupom cambial. O explorador pioneiro entra comprando baratos mais ativos com a moeda nacional depreciada e sai com a moeda nacional já apreciada pelo comportamento de manada seguir a tendência e/ou o líder. Faz o repatriamento do ganho de capital com ganho cambial.

Fabio Graner (Valor, 13/03/17) informa que o estoque de investimentos estrangeiros em ações brasileiras disparou no ano passado e continuou em forte alta no início deste ano. A posição de investidores em papéis de empresas brasileiras negociadas aqui e no exterior atingiu US$ 288,4 bilhões em janeiro de 2017, ante US$ 255,7 bilhões em dezembro de 2016, segundo dados do Banco Central. No final de 2015, a posição de investidores estrangeiros em papéis do Brasil estava em US$ 143,9 bilhões, metade do patamar recente.

O movimento reflete, em sua maior parte, a valorização especulativa das ações do país, em alta desde meados de 2016, período da maior depressão econômica de sua história, juntamente com a variação cambial, mas também um fluxo positivo de estrangeiros, de mais de US$ 10 bilhões em 2016 e quase US$ 1 bilhão em janeiro de 2017. Mesmo assim, o nível atual do estoque de investimento externo em ações ainda está abaixo do verificado no final de 2013 (US$ 305 bilhões) e longe dos US$ 441 bilhões alcançados em 2010. Isto foi na Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014), quando o Brasil era “a bola-da-vez”… Antes da volta da VMN e do golpe…

Como ainda está distante de seus melhores momentos, o indicador aponta que há espaço para crescimento. A valorização do mercado acionário refletiu o otimismo do mercado com os papéis de empresas estatais, a partir do golpe de Estado, quando se imaginou que elas se voltariam apenas para gerar dividendos para pequenos acionistas minoritários. Mais recentemente, valorizaram-se os papéis ligados a commodities, que seguiram movimento internacional.

É difícil prever se uma continuidade do crescimento desse estoque de aplicações ocorrerá mais por efeito de preços do que pelos volumes de ingressos. Mas o efeito preço tende a diminuir seu peso.

Enquanto o estoque de investimentos em ações cresceu, o segmento da renda fixa teve queda, atingindo US$ 215 bilhões em janeiro de 2017, ante US$ 222,3 bilhões no fechamento de 2015 e US$ 225 bilhões em dezembro de 2016. Em 2016, houve saída líquida de US$ 30,4 bilhões de recursos estrangeiros. Em janeiro do ano corrente, houve saída de US$ 1,9 bilhão da renda fixa. Como o fluxo negativo foi maior do que a queda verificada no estoque, a melhora nos preços compensou boa parte do movimento.

Os números do BCB mostram também um crescimento relevante no estoque de investimento estrangeiro direto no Brasil (IDP), que encerrou o ano de 2016 em US$ 790 bilhões e saltou para US$ 834 bilhões em janeiro de 2017, uma expansão de 35,8% sobre o saldo de 2016 e mais do que o dobro do que havia em 2009. A alta neste ano é em parte explicada por valorização de preço e do câmbio, mas, nesse caso específico, também tem peso forte do fluxo para o país.

O Brasil está à venda baratinhoQuem quiser, leva!

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