Consequências do “Liberou Geral” Levyano: Enriquecimento de Poucos e Empobrecimento de Muitos

 O Banco Central do Brasil no Relatório de Inflação de Março 2017 apresenta em um boxe a Decomposição da Inflação de 2016.

Com o alarmismo artificial a respeito da “explosão da dívida bruta” (veja quadro comparativo acima), colocou-se como urgente e prioritário um ajuste fiscal draconiano a partir de 2015. Cometeu-se, então, o estelionato eleitoral que levou à queda de apoio popular ao governo Dilma, devido à volta da Velha Matriz Neoliberal, sob a pressão e os aplausos dos colunistas do PIG (Partido da Imprensa Golpista).

Mas a Decomposição da Inflação de 2015 e 2016 comprova a responsabilidade da política econômica levyana no “liberou geral” dos preços administrados. Provocou um choque tarifário que resultou em choque inflacionário e choque cambial, pela fuga de capitais de um ambiente de locaute empresarial golpista.

O choque de juros foi o único instrumento usado para “zerar tudo”, isto é, provocar a Grande Depressão, a maior da história econômica brasileira. O governo golpista, temeroso de não se salvar da Operação Lava-Jato com base no apoio da direita conservadora, manteve durante longo prazo a política de juros disparatados, que levou ao maior enriquecimento com renda do capital financeiro e empobrecimento com renda do trabalho.

Seguindo procedimento adotado em anos anteriores, esse boxe apresenta estimativas de componentes da taxa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2016, extraídos segundo decomposição baseada em modelos de projeção do Banco Central.

O objetivo é mapear os principais fatores determinantes da inflação a partir de modelos semiestruturais. Por esse procedimento, a taxa de inflação é inicialmente desagregada em inflação de preços livres e inflação de preços administrados.

A taxa de inflação dos preços livres do ano em análise é decomposta em cinco componentes:

(i) inércia associada ao desvio da inflação do ano anterio r em relação à sua meta;

(ii) diferença entre expectativas de inflação dos agentes e a meta para a inflação

(iii) variação cambial;

(iv) choques de oferta; e

(v) demais fatores da inflação de preços livres.

Por sua vez, a taxa de inflação dos preços administrados é dividida em dois componentes:

(i) inércia associada ao desvio da inflação do ano anterior em relação à sua meta; e

(ii) demais fatores da inflação de administrados.

Os componentes relacionados à inércia da inflação de livres e à inércia de administrados são então agrupados em um único componente. Vale ressaltar que essas estimativas são aproximações construídas com base em modelos e, portanto, estão sujeitas a incertezas inerentes ao processo de modelagem.

A inflação em 2016 foi de 6,29%, 4,38 p.p. inferior à verificada em 2015, de 10,67% (Tabela 1 e Gráfico 1), refletindo queda tanto na inflação de preços livres, como na de administrados. A inflação de preços livres caiu de 8,51% em 2015 para 6,54% em 2016, ao passo que a inflação de preços administrados apresentou queda ainda mais significativa, de 18,07% para 5,50%.

Quando se realiza a decomposição da inflação de 2016 (Gráfico 2) e se compara com a de 2015 (Gráfico 3), chega-se às seguintes conclusões:

i. A inércia advinda do ano anterior (com o desvio da meta) exerceu forte papel para explicar a inflação em 2016 (contribuição de 1,84 p.p.) em função da elevada inflação em 2015, a qual foi menos afetada pela inércia da inflação do ano de 2014 (contribuição de 0,50 p.p.);

ii. As expectativas de inflação (como desvio da meta) ainda foram um fator inflacionário (contribuição de 0,69 p.p.), mas de menor magnitude do que em 2015 (contribuição de 0,73 p.p.) e decrescente ao longo de 2016, como pode ser visto no Gráfico 4, que apresenta as expectativas para a inflação doze meses à frente (suavizada). As expectativas começaram o ano em 6,91%, mas foram se reduzindo de forma significativa ao longo do ano, atingindo 4,8% no final de 2016;

iii. O comportamento da taxa de câmbio foi desinflacionário em 2016 (contribuição de -0,17 p.p.), diferentemente do que ocorreu em 2015, quando foi um fator relevante no aumento da inflação (contribuição de 1,57 p.p.). Como pode ser visto no Gráfico 5, a depreciação da taxa de câmbio foi significativa ao longo de 2015, repercutindo também na inflação de 2016 por meio de seus efeitos defasados. Entretanto, a partir de março de 2016, a taxa de câmbio entrou em trajetória de apreciação, mais do que compensando os efeitos da depreciação anterior;

iv. Choques de oferta ainda foram importantes fatores inflacionários em 2016 (contribuição de 0,67 p.p.), ainda que em menor magnitude do que em 2015 (contribuição de 0,86 p.p.). Uma forma de ver o papel dos choques de oferta é comparar o comportamento do IPCA com os preços dos produtos in natura (Gráfico 6). Em 2015, a inflação dos preços dos produtos in natura foi bem superior à do IPCA, enquanto que na maior parte de 2016 essa diferença, embora positiva, foi menor.

Portanto, o exercício de decomposição da inflação de 2016 evidencia que a inércia foi um importante fator de resistência da inflação. Por outro lado, as expectativas de inflação, embora inflacionárias no agregado do período, apresentaram trajetória de significativo declínio, refletindo o processo de ancoragem das expectativas ao longo do período. No mesmo sentido, a taxa de câmbio passou de fator inflacionário para desinflacionário.

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