Credo Liberal: Tratar Desiguais com Igualdade de Oportunidades

Economistas neoliberais argumentam que “decorridos 65 anos desde que se criou o BNDE em 1952, há hoje inúmeras instituições financeiras capacitadas tecnicamente a fomentar a emissão de ativos privados destinados ao financiamento de investimentos de longo prazo”.

Sim, é possível aqui gerar um funding em longo prazo, porém, desde que se aprove um crédito direcionado contra cíclico. Este crédito é instrumento de planejamento indicativo para incentivar investimentos estratégicos para a Nação que, porém, não atendem aos critérios curto-prazistas dos investidores.

Depois de desencadeado o processo de multiplicador de renda e monetário contra as expectativas pessimistas vigentes em O Mercado, mais adiante, estas se revertem. Em ciclo expansivo, torna-se possível captar, em condições então vigentes no mercado de capitais, o financiamento complementar via debêntures de infraestrutura ou mesmo lançamento primário de ações.

Alguns autores desenvolvimentistas, porém, ponderam que o mercado de capitais brasileiro é ainda incipiente. Os neoliberais, em contraponto, “forçam a barra” ao exigir que se lance ações mesmo em conjunturas em que seu valor de mercado esteja abaixo do valor patrimonial das empresas que os sócios-fundadores ergueram.

Senão, que se tome emprestado recursos externos! Acham que uma brusca oscilação cambial que compromete o endividamento externo de empresas investidoras em infraestrutura é parte das regras do jogo capitalista idealizado.  Criticam a socialização do prejuízo pela estatização da dívida.

Não se preocupam com o desemprego. É contumaz a proposta neoliberal de “deixar quebrar”. Esta quebra periódica seria apenas o ônus de um saneamento saudável e exigível para manter o livre-mercado sem intervenção estatal.

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Dicas para Pesquisa de Filmes no NETFLIX

A cultura do século 21 é muito mais ampla que a cultura pop, a vida digital ou o mercado de massas. Inclui comportamento, hypes, ciência, nostalgia e tecnologia traduzidos diariamente em livros, discos, sites, revistas, blogs, HQs, séries, filmes e programas de TV. Blog do Matias se propõe a ser um lugar para discussões aprofundadas, paralelos entre diferentes áreas e velhos assuntos à tona, tudo ao mesmo tempo.

Alexandre Matias, 41, nasceu em Brasília e mudou-se para Campinas em 1993. Começou a trabalhar como jornalista no Diário do Povo, em Campinas, e em 1995 criou a coluna Trabalho Sujo (http://trabalhosujo.com.br/), que manteve em papel pelo tempo que ele trabalhou no jornal, até 1999, quando a transformou em um site, que mantém até hoje.

Atualmente mantém o podcast Vida Fodona (http://fubap.org/vidafodona/) e uma coluna sobre música brasileira na revista Caros Amigos. Também produz a festa semanal Noites Trabalho Sujo na Trackers, no centro de São Paulo, onde mora desde 2001. Trabalhou ainda como tradutor de HQs, editor-executivo da Conrad Editora e editor-chefe da agência de notícias do projeto Trama Universitário, da gravadora Trama. Também editou o caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo e foi diretor de redação da revista Galileu, da editora Globo.

Você já se perguntou como Netflix recomenda títulos para você? Acontece que o serviço de streaming classificou seus catálogos de filmes e programas de TV em milhares de gêneros para ajudar a combinar e combinar com os gostos dos seus filmes. Quanto mais títulos você assistir, mais específicas serão as recomendações.

Netflix não publica uma lista de todos esses gêneros, então é necessário criar a maior lista do mundo de gêneros Netflix com mais de 27.002 gêneros. Você pode ver a lista completa em: NetFlix Streaming by Alternate Genres (Extended List)Você pode filtrar de acordo com o gênero, descrição e década. Clique no link para qualquer gênero para abri-lo no Netflix, diretamente no seu navegador. Também em: https://www.finder.com/netflix/genre-list

Reproduzo abaixo o post do Matias a respeito. Você encontrará link deste post na página deste blog Cultura & Cidadania denominada “Dicas e Serviços” para poder acessar a lista facilmente quando quiser.

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Leilões de Linhas de Transmissão: Quem não quer? Não pagou, apagou…

Sílvia Rosa (Valor, 17/04/17) informa que o pacote de projetos e concessões na área de infraestrutura do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), anunciado pelo governo golpista, que deve somar R$ 45 bilhões, tende a impulsionar as operações de financiamento de projetos (“project finance”) nos bancos. Neste ano, até 4 de abril, o volume de financiamento de projetos somava US$ 3,549 bilhões (cerca de R$ 11,2 bilhões), com um total de 50 operações, aumento de 77,9% em relação ao mesmo período do ano passado, que registrou US$ 1,995 bilhão referente a 27 projetos, segundo levantamento da Dealogic.

Com o BNDES deixando de atuar na concessão de “empréstimo-ponte”, que era concedido em um primeiro momento, até a solução de longo prazo sair, os bancos privados devem aumentar a participação no financiamento de projetos:

  1. por meio da estruturação de operações nos mercados de capitais ou
  2. com uma maior oferta de fiança bancária.

Será que isso, de fato, ocorrerá na escala adequada, isto é, necessária para alavancar a retomada do crescimento macroeconômico?

Em 2016, o volume em project finance somou US$ 10,261 bilhões, em 138 operações, queda de 49,7% em relação ao registrado em 2015, com o governo tendo postergado alguns leilões e concessões para este ano e as empresas reduzindo investimentos. A escala é muito diminuta comparada com o crédito direcionado por bancos públicos.

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Dinâmica do Crédito com Recursos Livres: Pró Ciclo e não Contra Ciclo de Depressão

Os neoliberais, como todos os crentes com uma fé cega, no caso, no Livre-Mercado, adotam um dogma que supõem ser inquestionável até que se deparam com a dura realidade. Porém, os sectários costumam reagir brigando com (ou condenando ao inferno) os céticos que lhes mostram evidências factuais e/ou números estatísticos que lhes falseiam as hipóteses apriorísticas.

Por exemplo, com oportunismo político, aproveitando de um golpe de Estado, eles iniciaram um programa de desmanche de todas as conquistas socialdesenvolvimentistas do período 2003-2014. Rompendo com a FIESP e outras associações patronais, que tinham dado apoio o golpe, estão podando o crédito direcionado sob a alegação que, senão o mercado de capitais, o crédito com recursos livres o substituirá. Será verdade?

Depois de uma Grande Depressão, provocada pela política monetária com juros disparatados, basta a livre-iniciativa para retomar o crescimento?

Uma das falhas do livre-mercado ocorre quando todos seus agentes privados deixam de tomar decisões de investimento, inibidos por expectativas pessimistas de vendas, lucros, capacidade ociosa, etc. Quando se deparam com o estado-das-coisas, seja aqui no Brasil, seja no resto do mundo, o crédito com recursos livres terá demanda se há capacidade produtiva ociosa, queda dos lucros e endividamento corporativo dolarizado?

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Visão Desenvolvimentista sobre o Fim da TJLP

Ernani Teixeira Torres Filho é professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-Superintendente do BNDES. Em artigo publicado (Valor, 06/04/17) ele expõe a visão desenvolvimentista sobre o fim da TJLP. Reproduzo-o abaixo.

“Em 31 de março, o presidente do Banco Central anunciou a extinção da TJLP, taxa de juros que incide sobre os créditos do BNDES. Em sua substituição, será criada uma nova taxa, a TLP, baseada na rentabilidade da NTN-B de cinco anos. Esse título público é indexado à inflação passada (IPCA) e paga, acima disso, uma taxa de juros real, fixada em leilão pelo mercado.

A escolha da variação da NTN-B para indexar os créditos do BNDES é um medida que gerará pelo menos três efeitos negativos sobre o financiamento do investimento de longo prazo no Brasil.

O primeiro é que seu custo aumentará. Entre 2002 e 2016, o diferencial entre as duas taxas foi muito grande. A título de exemplo, uma empresa que tivesse contraído um financiamento em NTN-B no início desse período e liquidado esse empréstimo em uma única parcela catorze anos depois teria pago três vezes mais juros do que se a mesma operação tivesse como base a TJLP.

As duas outras características ruins da taxa da NTN-B são sua grande volatilidade e seu comportamento pró-cíclico. Isso fará com que o BNDES perca alguns de seus atributos históricos.

  1. Não poderá mais ser um mecanismo de proteção do investimento produtivo frente à instabilidade macroeconômica.
  2. Não será mais capaz de promover a competitividade de segmentos de elevado valor agregado nacional, como os bens de capital.
  3. Deixará de servir como instrumento de atuação anticíclica, como ocorreu em 2008 e 2009.

Com a nova taxa, a atuação do BNDES passará a ser inteiramente ditada pelo ciclo da política monetária e pelo risco que o mercado impuser ao Tesouro Nacional.

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Economia de Livre-Mercado versus Economia Planificada: Financiamento

Alessandra Bellotto e Flávia Lima (Valor, 03/04/17) informam que o mercado de capitais foi uma das poucas fontes de financiamento a ganhar participação no saldo de dívida das empresas ao longo do ano passado. Na composição do funding corporativo, a fatia de títulos de crédito emitidos no mercado local não só cresceu como, de modo surpreendente, superou a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pela primeira vez em pelo menos dez anos. Lógico, o BNDES sob direção de sábios tecnocratas neoliberais indicados por O Mercado e nomeados pelo governo golpista teve uma queda de 35% nos seus desembolsos no ano, caindo de R$ 135 bilhões para R$ 88 bilhões.

Enquanto o estoque total de dívida das empresas apresentou queda superior a 8% no ano passado, para R$ 3,24 trilhões, a parcela representada por debêntures, recebíveis imobiliários e do agronegócio (LCI e LCA são captações bancárias e não operações de mercado de capitais), entre outros papéis, cresceu 6%, para R$ 609,4 bilhões, aponta levantamento do Centro de Estudos do Instituto Ibmec (Cemec).

Com isso, o mercado de capitais doméstico alcançou uma fatia de 18,8% do saldo de financiamento corporativo no fim de 2016, acima dos 16,3% registrados em 2015. As operações de dívida privada foram ganhando tração especialmente nos últimos três meses de 2016. Só nesse período, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), as emissões locais alcançaram R$ 42,6 bilhões, mais de 40% do total registrado no ano.

Na contramão, o estoque de empréstimos direcionados do BNDES cedeu 12,8% ao longo do ano passado, para um total de R$ 552,3 bilhões — maior queda percentual entre as fontes de recursos para as empresas. Após o recuo, o financiamento via BNDES corresponde a 17% do estoque total.

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