Comparando Recessões: 1996-2003 (Era Neoliberal) X 2015-2017 (Volta da Velha Matriz Neoliberal)

Naercio Menezes Filho, professor titular – Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP. Publicou artigo (Valor, 17/03/17) comparando recessões. Apesar de não concordar com o simplório e ideológico diagnóstico — “esse é o tamanho do estrago que foi feito pelas políticas econômicas equivocadas (nova matriz econômica) do governo Dilma” –, reproduzo-o abaixo.

 “A crise atual está tendo efeitos sociais importantes. A taxa de desemprego atingiu mais de 12% esse ano, deixando mais de 12 milhões de pessoas sem emprego. Como essa crise se compara com períodos de baixo crescimento no passado recente? O que há de diferente no comportamento do mercado de trabalho hoje em dia? Quais são as perspectivas para o futuro próximo?

O período compreendido entre 1996 e 2003 pode servir de comparação para o que vem pela frente, apesar da situação atual ser bem pior do que naquela época. Naquele período de sete anos o país ficou estagnado em termos de bem-estar, já que o PIB per capita em 2003 foi praticamente igual ao de 1996. Também houve queda de salários e aumento de desemprego.

É claro que hoje em dia a situação é bem pior. [Com a volta da Velha Matriz Neoliberal] Houve queda brutal do PIB em 2015 e 2016 e o PIB per capita em 2016 foi quase 10% menor do que em 2013. Supondo um crescimento próximo a zero em 2017, o PIB terá que crescer 2% ao ano até 2025 para que o PIB per capita retorne ao nível de 2013. Esse é o tamanho do estrago que foi feito pelas políticas econômicas equivocadas (nova matriz econômica) do governo Dilma.

[FNC: vejam o que causa a cegueira ideológica dos “coxinhas”: este diagnóstico é contraditório com os próprios números que apresentam!]

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Carlos Lessa na Presidência do BNDES (2003-2004): “Cavalo-de-Pau” no Banco

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Em entrevista concedida aos pesquisadores Gloria Maria Moraes da Costa (coordenadora), Hildete Pereira de Melo e Victor Leonardo de Araújo, no livro “BNDES: Entre o Desenvolvimentismo e o Neoliberalismo (1982-2004)” (Rio de Janeiro: CICEF, 2016), o ex-professor da UFRJ e UNICAMP – meu professor de Economia Brasileira, conjuntamente com a Professora Maria da Conceição Tavares, no Mestrado –, Carlos Lessa, dá um depoimento pessoal sobre sua experiência na Presidência do BNDES nos dois primeiros anos do Governo Lula.

Quando eu encontrava o Professor Lessa, brincava com ele, dizendo que ele estava dando um “cavalo-de-pau” em um transatlântico! Cavalo-de-pau é uma manobra executada com automóvel, que consiste em uma freada brusca e giro ou guinada do volante, fazendo o veículo derrapar e dar meia volta até parar em posição invertida.

A curva é realizada ao colocar o veículo rapidamente em uma marcha mais lenta, normalmente a segunda marcha, e girar o volante na direção da via oposta puxando o freio de mão. Se realizada corretamente, o veículo entrará em uma derrapagem controlada e passará para a via oposta, fazendo uma volta em 180 graus.

Em um cavalo-de-pau perfeito, o carro irá parar completamente no fim da manobra e estará pronto para acelerar e partir no sentido oposto. Porém, o cavalo-de-pau também é a manobra em que o carro gira em torno de seu eixo dianteiro (uma das rodas), em voltas de 360 graus, formando riscos circulares na pistaContinue reading “Carlos Lessa na Presidência do BNDES (2003-2004): “Cavalo-de-Pau” no Banco”