Extinção da TJLP: Comentários do Ernani T. Torres (ex-BNDES)

As estimativas do CEMEC mostram que a parcela do investimento privado financiada por recursos fornecidos pelo BNDES em relação ao PIB caiu em 2016 para o menor valor da série desde 2004, para 0,8% do PIB, cerca da metade de 2015 (1,7%) e menos de 1/3 do nível de 2014 (2,6%). Depois de atingir 3,0% do PIB em 2009, em uma política anticíclica adotada pelo governo social-desenvolvimentista para mitigar o impacto da crise internacional, a parcela do BNDES foi mantida na média de 2,5% do PIB no período de 2010/2014, mediante a transferência de mais de R$ 400 bilhões de recursos do Tesouro para aquele banco. A acentuada queda observada em 2015 e, especialmente, 2016 resulta da reversão dessa política contra a depressão por parte do governo golpista e neoliberal.

Com o desmanche dos bancos públicos, os neoliberais estão tão felizes “como pintos no lixo”! Com os desembolsos do BNDES caindo 35% no ano passado, ficando apenas em R$ 88 bilhões em 2016, o mercado de capitais ganhou participação no saldo de dívida das empresas. Só isso lhes interessam, não importando o ônus social com a atual Grande Depressão: queda de 7,2% no biênio e desemprego de 13,5 milhões de trabalhadores.

Um colunista “chapa-branca” do jornal Valor foi presidente do Banco Central em duas ocasiões da Era Neoliberal (1992-93 e 1995-97): saiu por que? Por que saiu?

Sem nenhum pudor ele saiu da condição de Autoridade Monetária para dar consultorias a bancos junto com outro arauto do neoliberalismo, o ex-ministro que elaborou o fracassado Plano Verão. Do alto de suas tribunas no PIG, eles as usam para defender a péssima política econômica de colegas neoliberais como a dupla Joaquim Levy-Henrique Meirelles, que levou à maior depressão da história econômica brasileira.

Eles fazem coro para a defesa da estapafúrdia tese de que os problemas do presente estão no passado! Contrariamente, em 2002, defendiam que os problemas daquela conjuntura estavam no futuro! Agora, com o temor em relação à campanha popular “Volta Lula”, já voltam a vociferar contra o futuro!

Veja o que diz o Gustavo Loyola: “Tome-se como exemplo os economistas que estariam sendo consultados por Lula para elaborar um programa econômico para sua eventual candidatura presidencial em 2018. (…) Trata-se da repetição do receituário que deu errado nos governos petistas [?] e que levou o Brasil à pior depressão econômica desde a crise de 1929 [?!]. O diagnóstico que orienta esse tipo de programa é uma espécie de keynesianismo de botequim que vê no estímulo à demanda agregada o remédio para todos os males do crescimento”.

Ora, em contrapartida, o atual programa de desestímulo da demanda agregada, defendido por esse tipo de gente vendida, não é uma espécie de neoclassicismo de puteiro?

Inconformado com a saudade da maioria dos eleitores pelo Governo Lula, em vez de analisar as causas reais desse sentimento popular, continua o ideólogo neoliberal: “A agenda do ‘repetir os erros do passado’ não é atributo exclusivo de economistas petistas colaboradores de Lula. Infelizmente, por mais estranho que pareça, há empresários com saudades da gestão equivocada da economia característica do governo passado. O chororô de alguns empresários em recente reunião com o presidente Temer a reclamarem do BNDES é típico. Parece que não se conformam com a gestão séria e competente de Maria Silvia (?!) que corrigiu a atuação do BNDES para eliminar a excessiva dependência da instituição de recursos subsidiados do Tesouro e focar os desembolsos do Banco para projetos que mostrem maiores retornos sociais. (…) Com o governo Temer, o Brasil teve a chance de voltar a ter uma política econômica responsável que pode conduzir o país a uma trajetória de crescimento sustentado nos próximos anos.” 😦

Apesar dos bancos públicos obterem os piores desempenhos na história recente no ano de 2016, o ex-presidente do BCB (que não deixou nenhuma saudade) expressa sua parcialidade na defesa do governo golpista: “a qualidade da gestão dos bancos públicos melhorou muito [?!], o que também deve contribuir para reduzir a pressão futura sobre o Tesouro em busca de recapitalização dessas instituições”. 😦

Como a imprensa não está dando passagem às opiniões dos desenvolvimentistas em total desacordo com essa linha de pensamento neoliberal, Ernani Teixeira Torres, excelente ex-economista do BNDES, enviou-nos um texto que escreveu repercutindo a extinção da TJLP:

Ernani Teixeira Torres – Artigo sobre Extinção da TJLP

Apresentação do Ernani T. Torres no Seminário da AFBNDES-2017

Leia mais:

NOTA-CEMEC-02_2017-Padrão-de-Financiamento-das-Empresas-2000-a-2016

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