Economia de Serviços: Ocupa Gente Desempregada pela Desindustrialização

Definição de “Serviços“: aquela atividade cujo produtor está diretamente em contato com o consumidor. Por exemplo, eu presto Serviço Educacional em aulas para muitos alunos: altíssima produtividade! 🙂

A economia brasileira, assim como outras economias de capitalismo maduro, todas elas em que a “Sociedade dos Ricaços” não faz empreendimentos que expandem a capacidade produtiva e gera empregos industriais se tornaram Economia de Serviços.

Sérgio Lamucci (Valor, 13/03/17) informa que a já elevada participação dos serviços no valor adicionado anualmente na economia brasileira cresceu ainda mais nos últimos anos, atingindo o equivalente a 73,3% em 2016, quase dez pontos percentuais a mais que os 64,7% de 2004.

O aumento se deu em boa parte à custa da indústria de transformação, que viu a sua parcela no valor adicionado cair de 17,8% em 2004 para 11,7% no ano passado.

Como reflexo da queda dos preços de commodities, a participação da indústria extrativa mineral também encolheu, recuando para apenas 1%, quando em 2012 o número era de 4,5%. Os dados fazem parte das Contas Nacionais, divulgadas em março, que mostraram uma retração do PIB de 3,6% em 2016.

Resultado da volta da Velha Matriz Neoliberal e não, como querem fazer crer os pregadores neoliberais (“colunistas chapa-branca”), da invenção de uma “bomba-relógio” programada perfeitamente para explodir no segundo mandato de Dilma, ou seja, “no próprio colo”…

O peso dos Serviços no valor adicionado, que já era alto, subiu para um nível bem acima de outros emergentes:

  • na China, o número está um pouco acima de 50%;
  • no Chile, é de quase 64%;
  • na Índia, fica em 45%.

Uma preocupação é que o setor em geral tem baixa produtividade, inferior à da indústria, o que afeta a capacidade de o país de crescer a taxas mais elevadas de modo sustentável.

Na atual recessão, a Indústria de Transformação, sofrendo com a perda de competitividade, perdeu muito mais VA do que os serviços. A produção da primeira caiu 4,7% em 2014, 10,4% em 2015 e 5,25 em 2016. Já os Serviços tiveram um desempenho menos pior: cresceram 1% em 2014 e recuaram 2,7% em 2015 e também 2,7% em 2016.

O comportamento bem diferente do deflator implícito da indústria de transformação e dos serviços (uma espécie de “inflação” de cada segmento), lembrando que o valor adicionado leva em conta preços e volumes. Em 2016, o deflator dos serviços ficou em 8,9%, enquanto o da indústria de transformação subiu apenas 3,8%. Isso ajuda a entender o aumento da fatia de serviços na economia.

Esse movimento antecede a recessão. A partir da metade da década passada, o setor de serviços passou a ganhar peso e a indústria de transformação a perder, em um quadro marcado pela força do mercado interno, com aumento do emprego e da renda, câmbio valorizado e elevação expressiva dos preços de commodities. A trajetória levou a uma discussão nos últimos anos sobre se o Brasil passa por uma desindustrialização precoce, com o setor de serviços ocupando espaço excessivo na economia.

É normal o segmento de serviços ganhar maior participação no PIB. Em países desenvolvidos, o percentual chega muitas vezes a 75% a 80% (caso de EUA, Reino Unido e França, por exemplo). A questão é que o processo no Brasil ocorreria cedo demais, considerando o atual nível de renda per capita do país. Um dos problemas é que boa parte das atividades de serviços tem baixa produtividade, enquanto a indústria têm ganhos de eficiência maiores. Em outras palavras, produz mais empregando menos…

O que muitos economistas ortodoxos não percebem é que, sem esse setor para dar ocupações precárias que sejam, o “barril-de-pólvora” social explodiria! Os potenciais empreendedores usam sua “livre-iniciativa” para nada iniciar! Se ganham dinheiro usufruindo de Serviços Financeiros, por que irão se aborrecer e arriscar o rico dinheirinho em empreendimentos geradores de emprego?!

Economista neoliberal diz que “indústria é mais produtiva por estar sujeita à concorrência internacional, sendo muito mais propensa a absorver tecnologias diferentes. Na maior parte dos serviços, não há espaço para competição com importados. Como esse segmento tem grande peso no valor adicionado, acaba por puxar para baixo a produtividade média do país”. Ora, ainda bem que, aqui, non tradables empregadores ainda existem para ocupar os desempregados pelos “setores produtivos” — e não os substituindo por selfservices informatizados…

Daí, o crente diz que “gostaria de que houvesse uma indústria mais robusta, eficiente e dinâmica no país, como a da Alemanha”. Só não percebe que sua pregação cotidiana a favor do corte dos gastos públicos da elevação dos juros para evitar a eutanásia dos rentistas com a insolvência governamental (leia-se “risco soberano”) a inflação levam à queda da demanda agregada e tiram o incentivo a investir capital na indústria e não nos serviços financeiros estéreis em geração de empregos.

“Mas o Brasil fez tudo para não ter isso”, afirma o idiotaaquele sem consciência do mal que faz a si próprio e aos outros com sua pregação ideológica –, citando a baixa taxa de poupança e a educação deficiente como fatores que atrapalham a indústria.

Segundo ele, “a poupança insuficiente, fruto em especial do regime previdenciário do país, leva a um equilíbrio de juros altos e câmbio valorizado, enquanto os problemas educacionais fazem a mão de obra ser pouco produtiva. Isso afeta a competitividade da indústria manufatureira. Se a poupança fosse maior, seria possível ter juros mais baixos e câmbio mais desvalorizado sem criar pressões inflacionárias, como na Coreia do Sul”, diz o ignorante do conceito de “poupança ex-post”, ou seja, que o investimento que gera, depois, esse resíduo contábil entre a renda multiplicada e o consumo, para equilibrar a Contabilidade Nacional.

O economista novo-desenvolvimentista vê um problema de desindustrialização no país, apontando os longos períodos de sobrevalorização do câmbio como um problema para a competitividade do setor. “A questão cambial tem sido negligenciada desde os anos 1990″, afirma ele, para quem “a brincadeira” de usar a apreciação da moeda para ancorar a inflação “atrapalhou demais”. A indústria perdeu a competitividade e se desconectou das cadeias globais de produção, segundo essa visão de foco único ou monocausal.

No setor de serviços, predominam atividades com baixa produtividade. Um estudo do Credit Suisse mostra que, em 2015, 54,8% da população ocupada estava empregada nos chamados “serviços tradicionais“, como comércio, turismo e serviços domésticos, enquanto apenas 12,8% estavam nos serviços modernos, como os ligados à inovação, por exemplo, onde há maiores ganhos de eficiência. Para o novo-desenvolvimentista, há uma regressão da estrutura produtiva do país, que compromete a capacidade de crescer a taxas mais elevadas, sem causar desequilíbrios.

Também chama a atenção o recuo da participação da indústria extrativa mineral na economia, que chegou a apenas 1% em 2016. O comportamento dos preços do petróleo e o minério de ferro explica essa trajetória. O deflator da indústria extrativa caiu 46,5% em 2015 e mais 47,5% em 2016. A participação desse segmento no valor adicionado chegou próximo do observado em 2000, quando ficou em 1,4%. Nos últimos anos, o ponto mais alto foi atingido em 2012, quando chegou a 4,5%.

Com a recuperação dos preços de commodities e as perspectivas positivas para o segmento, parcela da extrativa tende a retomar terreno nos próximos anos. A da indústria de transformação também pode aumentar um pouco, porque caiu demais com a recessão, mas não deve voltar aos níveis observados em 2004.

Dos outros componentes do PIB industrial, a Indústria de Construção respondeu por uma participação de 5,6% do valor adicionado em 2016, enquanto os Serviços de Utilidade Pública, com a produção e distribuição de eletricidade, gás, água e esgoto ficou em 2,9%. Para completar, a participação do Setor Agropecuário no valor adicionado foi de 5,5% no ano passado, o mesmo nível de 2005.

FNC: percebam que essa visão estreita, sem considerar os efeitos de encadeamentos para frente e para trás, não percebe a importância da Agroindústria e do Servindústria na economia brasileira!

Leia mais:

Comparação entre Indicadores Geoeconômicos e Socialdemográficos do G15

Comparação entre Graus de Urbanização e Estruturas Produtivas do G15

Servindústria Brasileira

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