Corrupção da Casta dos Governantes ou Casta dos Mercadores como Corruptora

Segundo o Dicionário de Política, Corrupção é o fenômeno pelo qual um funcionário público é levado a agir de modo diverso dos padrões normativos do sistema, favorecendo interesses particulares em troco de recompensa. Corrupto é, portanto, o comportamento ilegal de quem desempenha um papel na estrutura do Estado.

Podemos distinguir três tipos de Corrupção:

  1. a prática de uso da recompensa escondida (propina a partir de “caixa-dois”) para mudar a seu favor as decisões de um funcionário público ou de uma licitação de obra pública;
  2. o nepotismo, ou concessão de empregos ou contratos públicos baseada não no mérito, mas nas relações familiares ou afetivas;
  3. o peculato por desvio ou apropriação e destinação de fundos públicos ao uso privado, inclusive para enriquecimento pessoal.

A Corrupção deve ser considerada em termos de legalidade e ilegalidade – e não de moralidade e imoralidade. Tem de levar em conta as diferenças que existem entre práticas sociais e normas legais e a diversidade de avaliação dos comportamentos que se revela no setor privado e no setor público. Por exemplo, o diretor de uma empresa privada que chamasse o seu filho para um posto de responsabilidade não cometeria um ato de nepotismo, mesmo que o filho não possuísse os requisitos necessários, mas cometê-lo-ia o diretor de uma empresa pública.

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Bob Fields Rides Again

A partir da esq.: Castello Branco, o embaixador Lincoln Gordon, o consultor Walt Rostow e Roberto Campos, que foi ministro do Planejamento, em imagem de 1965, após o Golpe Militar no Brasil, avidamente, combinam a distribuição do despojo.

Sérgio Lamucci (Valor, 31/03/17), na data de aniversário do Golpe Militar em 1964, publicou reportagem sobre um de seus ideólogos, Bob Fields, que se dizia “liberal”, mas apoiava o governo autocrático da casta dos guerreiros-militares. É uma longa tradição de quem se apossa do Estado brasileiro pensá-lo como fosse “coisa sua”, ou seja, implementar um programa que não foi submetido ao escrutínio das urnas. Supõe, sempre, que o seu é o “governo dos melhores”…

No epílogo de suas memórias, lançadas em 1994, Roberto Campos escreveu que o Brasil precisava de uma nova agenda e uma nova visão. “No plano econômico, precisamos de uma nova semiótica, como antídoto ao veneno dos ismos. Essa semiótica consistiria na adoção de um novo sufixo – ação – que sinalizaria uma ideologia modernizante. Desinflação, desregulamentação, privatização, desgravação fiscal e integração no mercado internacional, eis a litania do novo credo!”, afirmou Campos, que completaria 100 anos em 17 de abril, sugerindo ideias que havia martelado ao longo de boa parte da vida. No plano social, o economista, que foi ministro do Planejamento, presidente do BNDE e embaixador em Washington e em Londres, defendeu concentração de recursos “na melhoria do capital humano”.

A imprensa “chapa-branca” pressupõe que a agenda descrita há quase 23 anos por Campos, quando o Plano Real era lançado, continua em grande parte atual! Argumenta contra os fatos, afirmando que, “depois do malogro das políticas intervencionistas e protecionistas”, devido à postergação dos efeitos da Grande Depressão,  “promovidas pela ex-presidente Dilma Rousseff”, chegou a hora e a vez de voltar a implementar um programa neoliberal rejeitado nas urnas em quatro eleições seguidas! Chega ao desplante de dizer que “parte do receituário de Campos em suas memórias foi adotada na segunda metade dos anos 90 e na primeira metade dos anos 2000, embora muitas medidas tenham deixado de ser prioridade já no governo de Luiz Inácio Lula da Silva”!

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