Uso de Celular: Problema de Educação Pessoal, Familiar e Coletiva

José de Souza Martins (Valor, 14/04/17) publicou mais um bom artigo sobre problema atual: o uso em ambiente social do celular. Antes de lê-lo reproduzido abaixo, vale recordar a etimologia da palavra cortesia: saber viver na corte. Seu significado:

  1. Característica daquele que se apresenta de maneira cortês.
  2. Amabilidade ou educação no trato com as pessoas.
  3. Atitude delicada ou amável.

“Foi em Porto Alegre. Eu estava, com minha mulher, numa churrascaria muito recomendada por amigos, fazendo os pedidos, quando o jovem casal entrou. Famoso jogador de futebol de famoso clube gaúcho, foram eles logo cercados de deferências pelos funcionários da casa. Sentaram-se a uma mesa relativamente próxima da nossa. Fizeram os pedidos rapidamente e de imediato tiraram do bolso e da bolsa os celulares e começaram a digitar. Não se olhavam. Quase cochichando, perguntei à minha mulher: “Como será que eles fazem para procriar?”. O garçom que nos atendia ouviu e respondeu em cima: “Eles baixam um aplicativo, ora!”.

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Arranjos Unipessoais: domicílios ocupados por apenas um morador

Maurício de Oliveira (Valor, 24/03/17) acha que, se há uma estatística comprovando que estamos cada vez mais individualistas, é esta: o número de pessoas morando sozinhas no Brasil quase dobrou nos últimos dez anos, saltando de 5,5 milhões para 9,9 milhões. São:

  1. mais jovens saindo da casa dos pais em busca de autonomia,
  2. mais pessoas que se separaram,
  3. mais senhoras e senhores que enviuvaram,
  4. mais gente que estuda ou trabalha longe da cidade de origem e até mesmo
  5. mais casais que mantêm uma relação estável e optaram por viver cada um no seu canto.

Na última década, em que a quantidade total de domicílios contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou de 53,3 milhões para 68,1 milhões, a participação dos chamados “arranjos unipessoais” — aqueles ocupados por apenas um morador — evoluiu de 10,4% para 14,6% dos domicílios.

Trata-se de um fenômeno estreitamente vinculado a outro, mais amplo: o encolhimento das famílias. Nesse mesmo período, a taxa de fecundidade caiu quase 20%, de 2,09 para 1,72 filhos por mulher, e a proporção de casais com filhos, morando todos sob o mesmo teto, recuou de 50,1% para 42,3% dos lares brasileiros.

Atravessamos recentemente o momento histórico em que a composição tradicional da família retratada em certas propagandas deixou de ser maioria no Brasil. Em contrapartida, o percentual dos casais sem filhos subiu de 15,2% para 20% dos domicílios.

A soma desses fatores fez o número médio de moradores por casa ou apartamentoo tamanho padrão do núcleo familiar brasileiro – ser reduzido de 3,5 para três pessoas. Isso quer dizer que, há dez anos, dois domicílios abrigavam juntos, em média, sete moradores. Agora, abrigam seis. Boa parte desses “sétimos elementos” foi morar sozinha.

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