Hedge a la Avestruz

Marcela Rocha é economista de O Mercado. Publicou artigo (Valor, 11/04/17) em que revela a proteção de avestruz adotada por Ele.

“Ao contrário das expectativas, a conjuntura internacional após a vitória de Trump, por ora, não se configura em um cenário adverso para as economias emergentes. O ano de 2017 tem sido marcado por:

  1. a alta do índice acionário dos mercados emergentes,
  2. a valorização da maioria das moedas e
  3. o recuo do prêmio de risco destas economias.

Os principais riscos provenientes dos EUA para as economias em desenvolvimento, como ações protecionistas, retaliação comercial e promessas de estímulo fiscal, continuam presentes nos discursos de Trump e, inclusive, algumas ações já foram anunciadas. No entanto, a expectativa de que grande parte das propostas mais polêmicas de Trump permaneça somente no campo da retórica e que o Congresso americano atue para refrear medidas controversas e demasiadamente onerosas têm contribuído para o bom desempenho dos ativos emergentes no ano.

Ainda mais importante do que o fator Trump, o que ajuda a explicar a boa performance dos países emergentes no período são:

  1. os preços das commodities sustentados pela expansão sincronizada da economia global,
  2. o menor risco de uma desaceleração abrupta da economia chinesa e
  3. a perspectiva de maiores gastos com infraestrutura nos EUA.

O Brasil desfruta da janela de oportunidade externa e os principais ativos brasileiros também mostram retorno positivo no ano. Contudo, a boa performance dos ativos domésticos levanta questionamentos sobre o quanto da melhora foi influenciada pelos desdobramentos externos.

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Interpretações do Brasil: Conciliação e/ou Fisiologia

No livro Conciliação e Reforma no Brasil, José Honório Rodrigues defende uma tese: o segredo de como fizemos e continuamos a fazer nossa história, ou seja, a chave para entender-nos, é a conciliação. Não se deve, contudo, confundir sempre conciliação com conformismo.

Às massas populares o País deve a integridade territorial, a unidade linguística, a mestiçagem, a tolerância racial, cultural e religiosa, e as acomodações que acentuaram e dissolveram muitos dos antagonismos grupais e fizeram dos brasileiros um só povo. Como tal se reconhece – e tem sua autoestima. Porém, não se deve ver nessas massas populares apenas o conformismo religioso, pois elas também ofereceram as melhores lições de rebeldia contra uma ordem social injusta e estagnada.

A conciliação deu-se no cotidiano das relações humanas, mas foi frequentemente substituída pela inconformidade, a contestação e a revolta nas relações políticas, econômicas e sociais. O que caracteriza o nosso itinerário no tempo é um permanente divórcio entre a Nação e o Poder, entre o que a sociedade quer e o que o governo faz ou, na verdade, deixa de fazer…

A paz entre os donos do Poder acerta-se, geralmente, pelo adiamento do debate, sua redução aos termos mais simples, ou a ocultação dos problemas.

Em nome da concórdia, protela-se. Por exemplo, o então presidente Sarney dizia que havia apenas dois tipos de problemas no mundo: aqueles que o tempo resolve… e os insolúveis! Continue reading “Interpretações do Brasil: Conciliação e/ou Fisiologia”