Marcação-a-Mercado (MtM): Renda Fixa vira Renda Variável antes do Vencimento

Muitos investidores incautos tinham a impressão de que, por ser “renda fixa” o ganho prefixado seria garantido, até que um amigo lhes disse o contrário. Então, perguntam à Leticia Camargo, que é planejadora financeira pessoal e possui a certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pela Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar): “posso perder dinheiro investindo em Tesouro Prefixado?” Leticia Camargo, CFP, responde:

“Pois é, caro leitor, quando investimos em renda fixa, isso nos faz parecer que o retorno está determinado e que já sabemos quanto vamos receber de juros. Afinal, renda fixa deveria proporcionar um rendimento fixo! A questão é que podemos até perder dinheiro neste tipo de investimento.

Podemos considerar três riscos em renda fixa:

1) risco de crédito, que é a possibilidade de o emissor deixar de pagar o principal e os juros;

2) risco de liquidez, que é o risco de não conseguir transformar rapidamente o título em dinheiro, sem perda de valor significativa; e

3) risco de mercado, que é a incerteza quanto ao comportamento dos preços daquele título até o seu vencimento.

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Como a Estatística Perdeu seu Poder

O seguidor deste blog pessoal percebe que sempre tento mostrar estatísticas para comprovar meus argumentos. Aprendi isto com a mestra Maria da Conceição Tavares: “Nunca afirme nada sem ter evidências empíricas para embasar sua afirmação”. E pratiquei no meu primeiro emprego: IBGE de 1978 a 1985.

Porém, nesta tenebrosa Era da Pós-Verdade, deparamo-nos com algo inesperado desde o Iluminismo racionalista do Século XVIII. Pós-verdade é um neologismo que descreve a situação na qual, na hora de criar e modelar a opinião pública, os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais.

Na cultura política, se denomina política da pós-verdade (ou política pós-factual) aquela na qual o debate se enquadra em apelos emocionais, desconectando-se dos detalhes da política pública. Apela para reiterada afirmação de pontos de discussão nos quais as réplicas fáticas – os fatos revelados pela evidência estatística – são ignoradas.

A pós-verdade difere da tradicional postura científica em busca da falsificação da hipótese, dando-lhe uma “importância secundária”. Resume-se à ideia de que “algo que aparente ser verdade é mais importante que a própria verdade”.

Para cientistas, a pós-verdade é simplesmente mentira, fraude ou falsidade encobertas com o termo politicamente oportunista de “pós-verdade”. Simplesmente, ocultaria a tradicional propaganda política.

Portanto, está declinando a capacidade que a estatística tem de representar o mundo com precisão. Como consequência, uma nova Era de Dados (big data) controlados por empresas privadas está assumindo o controle – e colocando a democracia em perigo. William Davies (The Guardian) publicou o artigo “Como a estatística perdeu seu poder – e por que devemos temer o que virá“. Vinicius Duarte Figueira (IBGE/GPR) fez a tradução abaixo. Continue reading “Como a Estatística Perdeu seu Poder”