Encolhimento do Fluxo Comercial do Brasil

Assis Moreira (Valor, 13/04/17) informa que o comércio exterior do Brasil encolheu US$ 188 bilhões em quatro anos, calculado em dólar, como resultado do preço menor das matérias-primas e forte recessão no país, conforme dados da OMC.

As importações caíram US$ 107 bilhões em quatro anos, passando de US$ 250 bilhões em 2013 para US$ 143 bilhões no ano passado. As exportações caíram US$ 57 bilhões, de US$ 242 bilhões para US$ 185 bilhões. A balança de serviços caiu US$ 24 bilhões no período.

Entre os grandes emergentes com maior volume de comércio, a Rússia perdeu US$ 394 bilhões nas trocas com o resto do mundo no período; a Índia, US$ 155 bilhões; e o México, US$ 13 bilhões.

O valor em dólar do fluxo comercial tem sido muito influenciado pelo câmbio nos últimos anos. O valor do comércio mundial de bens encolheu US$ 3,3 trilhões, para US$ 15,4 trilhões, em boa parte pela queda do preço do petróleo, principal matéria-prima mundial.

Em 2015 e 2016, o Brasil exportou mais mercadorias por menos dólares. Ao mesmo tempo, foi o campeão na queda de importação.

A alta acumulada das exportações brasileiras em volume entre 2013-2016 foi de 11%. O valor em real das vendas ao exterior subiu ligeiramente no ano passado (+1%) e bastante em 2015 (cerca de 20%).

Já a redução das importações chegou a 27,9% em volume no período. Em valor, a queda foi de 19,8% em 2016 ante 2015, quando o valor já tinha declinado 25,2%.

A expectativa de Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC, é que a contração do PIB brasileiro desacelere neste ano e o comércio volte a crescer. “Quando importação cai, normalmente isso não é boa notícia, porque é quase sempre indicador de crescimento menor”, disse.

O Brasil caiu para a 28o posição entre os importadores mundiais, agora com apenas 0,9% da fatia global, ante 1,1% em 2015 e 1,3% em 2014. “A baixa registrada nas importações na América do Sul foi por causa em grande parte da situação no Brasil”, diz a OMC.

O país manteve em 2016 seu ranking como 25o maior exportador de mercadorias, com 1,2% do total. Quando o cálculo exclui o comércio intra-UE (entre os 28 países do mercado comum europeu), o Brasil sobe para 18o maior exportador, com fatia global de 1,5%.

O Brasil aparece ainda como 20o maior importador de serviços comerciais, com 1,3% do total. As importações de US$ 61 bilhões representaram queda de 10,8% em relação a 2015. O país não figura entre grandes exportadores de serviços.

Para 2017, a OMC prevê alta de 1,4% do volume de exportações da América do Sul, ante alta de 2% em 2016. Já as importações ficariam estáveis (+0,1%), ante queda de 8,7% em 2016 na região.

 

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