Manifesto do Projeto Brasil Nação

Manifesto da Casta dos GuerreirosOrdem do Dia do Exército Brasileiro – 19 de abril de 2017

Manifesto da Casta dos Sábios:

O movimento Projeto Brasil Nação nasceu da preocupação de um grupo de brasileiros com o que está acontecendo com o Brasil. Hoje, ao invés de uma nação coesa buscando a democracia e a justiça social, como éramos nos anos 1980, somos uma sociedade dividida, na qual um governo nascido de um golpe parlamentar tenta impor ao povo brasileiro uma política liberal radical. Desde 1980, ao invés de uma economia que cresce fortemente, a uma taxa superior a 4% ao ano, somos uma economia semiestagnada, crescendo menos de 1%.

Estamos, portanto, diante de uma crise econômica de longo prazo, que foi agravada pela descoberta de um amplo esquema de corrupção envolvendo empresas, políticos, lobistas e funcionários de empresas estatais. Essa crise moral e política que abriu espaço para um liberalismo radical moralista, de direita, como eu nunca havia visto antes. Uma verdadeira luta de classes de cima para baixo. Dada esse diagnóstico geral, realizamos uma série de reuniões para redigir o manifesto que agora estamos tornando público.

O manifesto visa lançar o movimento Projeto Brasil Nação – três substantivos unidos que dizem bem o que queremos: um Brasil que volte a ser uma nação e tenha um projeto de desenvolvimento econômico, político, social e ambiental. A última vez que a nação brasileira foi forte e soberana foi nos anos 1980, quando nos unimos para realizar a transição democrática e aprovar uma bela Constituição. Os cinco pontos do manifesto apontam o caminho econômico. Será também necessário encontrar o caminho político, mas para que ele seja encontrado no quadro da democracia é preciso que saibamos o que o governo deve fazer na área econômica.

O manifesto está copiado abaixo. Para assiná-lo, entre no site do Luiz Carlos Bresser Pereira, onde o manifesto está reproduzido e há uma forma de assiná-lo de forma a seu nome ir imediatamente para a lista dos apoiadores.

www.bresserpereira.org.br/  

Manifesto do Projeto Brasil Nação

O Brasil vive uma crise sem precedentes. O desemprego atinge níveis assustadores. Endividadas, empresas cortam investimentos e vagas. A indústria definha, esmagada pelos juros reais mais altos do mundo e pelo câmbio sobreapreciado. Patrimônios construídos ao longo de décadas são desnacionalizados.

Mudanças nas regras de conteúdo local atingem a produção nacional. A indústria naval, que havia renascido, decai. Na infraestrutura e na construção civil, o quadro é de recuo. Ciência, cultura, educação e tecnologia sofrem cortes.

Programas e direitos sociais estão ameaçados. Na saúde e na Previdência, os mais pobres, os mais velhos, os mais vulneráveis são alvo de abandono.

A desigualdade volta a aumentar, após um período de ascensão dos mais pobres. A sociedade se divide e se radicaliza, abrindo espaço para o ódio e o preconceito.

No conjunto, são as ideias de nação e da solidariedade nacional que estão em jogo. Todo esse retrocesso tem apoio de uma coalizão de classes financeiro-rentista que estimula o país a incorrer em deficits em conta corrente, facilitando assim, de um lado, a apreciação cambial de longo prazo e a perda de competitividade de nossas empresas, e, de outro, a ocupação de nosso mercado interno pelas multinacionais, os financiamentos externos e o comércio desigual.

Esse ataque foi desfechado num momento em que o Brasil se projetava como nação, se unindo a países fora da órbita exclusiva de Washington. Buscava alianças com países em desenvolvimento e com seus vizinhos do continente, realizando uma política externa de autonomia e cooperação. O país construía projetos com autonomia no campo do petróleo, da defesa, das relações internacionais, realizava políticas de ascensão social, reduzia desigualdades, em que pesem os efeitos danosos da manutenção dos juros altos e do câmbio apreciado.

Para o governo, a causa da grande recessão atual é a irresponsabilidade fiscal; para nós, o que ocorre é uma armadilha de juros altos e de câmbio apreciado que inviabiliza o investimento privado. A política macroeconômica que o governo impõe à nação apenas agravou a recessão. Quanto aos juros altíssimos, alega que são “naturais”, decorrendo dos déficits fiscais, quando, na verdade, permaneceram muito altos mesmo no período em que o país atingiu suas metas de superávit primário (1999-2012).

Buscando reduzir o Estado a qualquer custo, o governo corta gastos e investimentos públicos, esvazia o BNDES, esquarteja a Petrobrás, desnacionaliza serviços públicos, oferece grandes obras públicas apenas a empresas estrangeiras, abandona a política de conteúdo nacional, enfraquece a indústria nacional e os programas de defesa do país, e liberaliza a venda de terras a estrangeiros, inclusive em áreas sensíveis ao interesse nacional.

Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país.

O governo antinacional e antipopular conta com o fim da recessão para se declarar vitorioso. A recuperação econômica virá em algum momento, mas não significará a retomada do desenvolvimento, com ascensão das famílias e avanço das empresas. Ao contrário, o desmonte do país só levará à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento.

Para voltar a crescer de forma consistente, com inclusão e independência, temos que nos unir, reconstruir nossa nação e definir um projeto nacional. Um projeto que esteja baseado nas nossas necessidades, potencialidades e no que queremos ser no futuro. Um projeto que seja fruto de um amplo debate.

É isto que propomos neste manifesto: o resgate do Brasil, a construção nacional.

Temos todas as condições para isso. Temos milhões de cidadãos criativos, que compõem uma sociedade rica e diversificada. Temos música, poesia, ciência, cinema, literatura, arte, esporte – vitais para a construção de nossa identidade.

Temos riquezas naturais, um parque produtivo amplo e sofisticado, dimensão continental, a maior biodiversidade do mundo. Temos posição e peso estratégicos no planeta. Temos histórico de cooperação multilateral, em defesa da autodeterminação dos povos e da não intervenção.

O governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária.

Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos.

Nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social.

Para termos autonomia nacional, precisamos de uma política externa independente, que valorize um maior entendimento entre os países em desenvolvimento e um mundo multipolar.

Para termos democracia, precisamos recuperar a credibilidade e a transparência dos poderes da República. Precisamos garantir diversidade e pluralidade nos meios de comunicação. Precisamos reduzir o custo das campanhas eleitorais, e diminuir a influência do poder econômico no processo político, para evitar que as instituições sejam cooptadas pelos interesses dos mais ricos.

Para termos Justiça precisamos de um Poder Judiciário que atue nos limites da Constituição e seja eficaz no exercício de seu papel. Para termos segurança, precisamos de uma polícia capacitada, agindo de acordo com os direitos humanos.

Para termos liberdade, precisamos que cada cidadão se julgue responsável pelo interesse público.

Precisamos estimular a cultura, dimensão fundamental para o desenvolvimento humano pleno, protegendo e incentivando as manifestações que incorporem a diversidade dos brasileiros.

Para termos desenvolvimento econômico, precisamos de investimentos públicos (financiados por poupança pública) e principalmente investimentos privados. E para os termos precisamos de uma política fiscal, cambial socialmente responsáveis; precisamos juros baixos e taxa de câmbio competitiva; e precisamos ciência e tecnologia.

Para termos diminuição da desigualdade, precisamos de impostos progressivos e de um Estado de bem-estar social amplo, que garanta de forma universal educação, saúde e renda básica. E precisamos garantir às mulheres, aos negros, aos indígenas e aos LGBT direitos iguais aos dos homens brancos e ricos.

Para termos proteção do ambiente, precisamos cuidar de nossas florestas, economizar energia, desenvolver fontes renováveis e participar do esforço para evitar o aquecimento global.

Neste manifesto inaugural estamos nos limitando a definir as políticas públicas de caráter econômico. Apresentamos, assim, os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil Nação.

1 Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde
2 Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil
3 Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva
4 Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável paraempresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade
5 Reforma tributária que torne os impostos progressivos

Esses cinco pontos são metas intermediárias, são políticas que levam ao desenvolvimento econômico com estabilidade de preços, estabilidade financeira e diminuição da desigualdade. São políticas que atendem a todas as classes exceto a dos rentistas.

A missão do Projeto Brasil Nação é pensar o Brasil, é ajudar a refundar a nação brasileira, é unir os brasileiros em torno das ideias de nação e desenvolvimento – não apenas do ponto de vista econômico, mas de forma integral: desenvolvimento político, social, cultural, ambiental; em síntese, desenvolvimento humano. Os cinco pontos econômicos do Projeto Brasil são seus instrumentos – não os únicos instrumentos, mas aqueles que mostram que há uma alternativa viável e responsável para o Brasil.

Estamos hoje, os abaixo assinados, lançando o Projeto Brasil Nação e solicitando que você também seja um dos seus subscritores e defensores.

 

Subscritores Originais

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA, economista

ELEONORA DE LUCENA, jornalista

CELSO AMORIM, embaixador

RADUAN NASSAR, escritor

CHICO BUARQUE DE HOLLANDA, músico e escritor

MARIO BERNARDINI, engenheiro

ROGÉRIO CEZAR DE CERQUEIRA LEITE, físico

ROBERTO SCHWARZ, crítico literário

PEDRO CELESTINO, engenheiro

FÁBIO KONDER COMPARATO, jurista

KLEBER MENDONÇA FILHO, cineasta

LAERTE, cartunista

JOÃO PEDRO STEDILE, ativista social

WAGNER MOURA, ator e cineasta

VAGNER FREITAS, sindicalista

MARGARIDA GENEVOIS, ativista de direitos humanos

FERNANDO HADDAD, professor universitário

MARCELO RUBENS PAIVA, escritor

MARIA VICTORIA BENEVIDES, socióloga

LUIZ COSTA LIMA, crítico literário

CIRO GOMES, político

LUIZ GONZAGA DE MELLO BELLUZZO, economista

ALFREDO BOSI, crítico e historiador

ECLEA BOSI, psicóloga

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO, escritor

MANUELA CARNEIRO DA CUNHA, antropóloga

FERNANDO MORAIS, jornalista

LEDA PAULANI, economista

ANDRÉ SINGER, cientista político

LUIZ CARLOS BARRETO, cineasta

PAULO SÉRGIO PINHEIRO, sociólogo

MARIA RITA KEHL, psicanalista

ERIC NEPOMUCENO, jornalista

CARINA VITRAL, estudante

LUIZ FELIPE DE ALENCASTRO, historiador

ROBERTO SATURNINO BRAGA, engenheiro e político

ROBERTO AMARAL, cientista político

EUGENIO ARAGÃO, subprocurador geral da república

ERMÍNIA MARICATO, arquiteta

TATA AMARAL, cineasta

MARCIA TIBURI, filósofa

NELSON BRASIL, engenheiro

GILBERTO BERCOVICI, advogado

OTAVIO VELHO, antropólogo

GUILHERME ESTRELLA, geólogo

JOSÉ GOMES TEMPORÃO, médico

LUIZ ALBERTO DE VIANNA MONIZ BANDEIRA, historiador

FREI BETTO, religioso e escritor

HÉLGIO TRINDADE, cientista político

RENATO JANINE RIBEIRO, filósofo

ENNIO CANDOTTI, físico

SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES, embaixador

FRANKLIN MARTINS, jornalista

MARCELO LAVENERE, advogado

BETE MENDES, atriz

JOSÉ LUIZ DEL ROIO, ativista político

VERA BRESSER-PEREIRA, psicanalista

AQUILES RIQUE REIS, músico

RODOLFO LUCENA, jornalista

MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA, professora

JOSÉ MARCIO REGO, economista

OLÍMPIO ALVES DOS SANTOS, engenheiro

GABRIEL COHN, sociólogo

AMÉLIA COHN, socióloga

ALTAMIRO BORGES, jornalista

REGINALDO MATTAR NASSER, sociólogo

JOSÉ JOFFILY, cineasta

ISABEL LUSTOSA, historiadora

ODAIR DIAS GONÇALVES, físico

PEDRO DUTRA FONSECA, economista

ALEXANDRE PADILHA, médico

RICARDO CARNEIRO, economista

JOSÉ VIEGAS FILHO, diplomata

PAULO HENRIQUE AMORIM, jornalista

PEDRO SERRANO, advogado

MINO CARTA, jornalista

LUIZ FERNANDO DE PAULA, economista

IRAN DO ESPÍRITO SANTOS, artista

HILDEGARD ANGEL, jornalista

PEDRO PAULO ZALUTH BASTOS, economista

SEBASTIÃO VELASCO E CRUZ, cientista político

MARCIO POCHMANN, economista

LUÍS AUGUSTO FISCHER, professor de literatura

MARIA AUXILIADORA ARANTES, psicanalista

ELEUTÉRIO PRADO, economista

HÉLIO CAMPOS MELLO, jornalista

ENY MOREIRA, advogada

NELSON MARCONI, economista

SÉRGIO MAMBERTI, ator

JOSÉ CARLOS GUEDES, psicanalista

JOÃO SICSÚ, economista

RAFAEL VALIM, advogado

MARCOS GALLON, curador

MARIA RITA LOUREIRO, socióloga

ANTÔNIO CORRÊA DE LACERDA, economista

LADISLAU DOWBOR, economista

CLEMENTE LÚCIO, economista

ARTHUR CHIORO, médico

TELMA MARIA GONÇALVES MENICUCCI, cientista política

NEY MARINHO, psicanalista

FELIPE LOUREIRO, historiador

EUGÊNIA AUGUSTA GONZAGA, procuradora

CARLOS GADELHA, economista

PEDRO GOMES, psicanalista

CLAUDIO ACCURSO, economista

EDUARDO GUIMARÃES, jornalista

REINALDO GUIMARÃES, médico

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