Debate sobre Reforma da Previdência

Será colocada na proposta de emenda à Constituição (PEC) um “gatilho” para que a idade de aposentadoria dos policiais federais e civis seja igual à dos militares, quando (e se) ocorrer esta segunda etapa da reforma. A regra para acesso, por outro lado, foi endurecida, e os policiais precisarão de 25 anos de contribuição ao INSS e 25 de atividade policial para pedirem o benefício.

O anúncio ocorreu após protesto de policiais civis na Câmara, que acabou com a chapelaria, principal entrada do Legislativo, quebrada. Mas o acerto já tinha ocorrido na noite anterior, com a presença inclusive do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O diretor-geral da Polícia Federal, que participou da negociação com vários parlamentares e políticos investigados em operações da sua corporação, como a Lava-Jato, se recusou a comentar… E precisa?! Sem comentários a respeito da casta dos guerreiros imporem seus argumentos à força das armas…

Com o intenso (a pressão de) debate público sobre a Reforma da Previdência, pelo relatório preliminar, as mulheres terão uma idade mínima de aposentadoria de 62 anos e os homens de 65 anos. O projeto original era que todos — homens e mulheres do setor privado ou serviço público — se aposentassem com 65 anos.

O fato de ter feito concessões como a idade mínima diferenciada da mulher, acumulação de aposentadoria e pensões até o limite de dois salários mínimos e admitir a idade mínima de 60 anos para o trabalhador rural exigirá novos ajustes em até 15 anos.

Além de permitir que as mulheres se aposentem três anos antes que o homem, haverá idade diferenciada de aposentadoria para professores, policiais federais e agricultores familiares. Mas não haverá diferenciação de gênero, o que poderá ainda poderá ser alvo de pressão para mudanças. Professores e trabalhadores rurais terão idade mínima de 60 anos.

Também sofreu mudança a fórmula de cálculo do valor da aposentadoria. Para receber 100% dos salários de contribuição, o trabalhador agora terá que contribuir por 40 anos para a Previdência e não mais por 49 anos. Isso acontecerá porque o cálculo passará a contabilizar 70% da média de contribuições (e não mais 51%) e o peso das contribuições será maior e progressivo (1,5% para cada ano que superar 25 anos de contribuição, 2% quando for superado 30 anos e 2,5% para os que superarem 35 anos). O cálculo do benefício vai considerar a média de 100% dos salários recebidos desde 1994.

A regra de transição será mais amena. Haverá uma idade mínima crescente que considerará o tempo de contribuição. O “pedágio” de 30% (percentual que incidirá sobre o que falta para o cumprimento de 30 anos de contribuição para mulheres e 35 anos, para homens) será cobrado de todos. Essa regra endurecerá um pouco para quem está mais próximo de se aposentar, em relação à proposta inicial do governo, o que reduzirá a despesa no curto prazo. Mas permitirá que mais pessoas se aposentem antes dos 65.

No caso do trabalhador do setor privado, a idade mínima de aposentadoria na transição é de 53 anos para mulheres e 55 para o homem. Mas essa idade aumentará 11 meses a cada dois anos para a mulher e de um ano a cada dois para homens, a partir de janeiro de 2020.

No caso do funcionário público, a idade mínima de aposentadoria na transição é de 55 anos para mulheres e de 60 anos para homens, com aumento de 10 meses ou um ano, respectivamente, a cada biênio. O relator deixou para uma futura lei complementar a regra, antes prevista na proposta de emenda à Constituição (PEC), de elevação da idade mínima de acordo com o aumento da expectativa de vida da população.

Juan Garrido (Valor, 19/04/17) resume a História da Previdência Social no Brasil.

Com a publicação da Lei Elói Chaves, em 1923, surgia o primeiro conceito consistente de previdência social no Brasil, depois da aplicação de alguns dispositivos poucos expressivos no tempo do Império (“socorros públicos”). O texto de Chaves propunha a formação de uma reserva para os empregados de cada uma das empresas ferroviárias no país.

O Brasil era um país agrário exportador e a combativa categoria dos ferroviários, promovendo agitações de rua, convenceu o governo de que havia urgência em adotar medidas de proteção. Nossa previdência social foi sempre um pouco responsiva — aconteciam os fatos e ela ia reagindo da forma esperada ou apropriada às determinadas situações.

Com o avanço da industrialização, as garantias trabalhistas ganharam mais atenção e incentivaram o surgimento de vários institutos de aposentadoria e pensões. No Brasil, a Previdência Social já passou por várias mudanças conceituais e estruturais, envolvendo o grau de cobertura, o elenco de benefícios oferecidos e a forma de financiamento do sistema.

O acontecimento mais importante entre os anos 1930 e 1960 foi a Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), de 1960. Por meio dela a legislação previdenciária foi unificada, criando-se um único órgão, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).

Este seria o embrião do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), instaurado em 1990 e do qual todo brasileiro com carteira assinada participa até hoje.

Outro marco foi a promulgação da Constituição Federal de 1988, responsável por consolidar a Previdência Social como um sistema de direitos da cidadania baseado na solidariedade. A universalização permitiu trazer para o sistema milhões de trabalhadores rurais que antes tinham cobertura do Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural), que seguia o modelo assistencialista. A nova Carta criou uma descentralização administrativa, mas não geopolítica, o que acabou virando mais problema que solução porque passamos a ter um Regime Geral de Previdência Social (RGPS) de abrangência continental, com as complexas implicações inerentes a todo gigantismo.

Outros fatos importantes como a introdução do Fator Previdenciário, no finalzinho dos anos 1990, e a inclusão do Microempreendedor Individual em 2009. No primeiro caso, foi um fator multiplicativo aplicado ao valor dos benefícios previdenciários que leva em conta o tempo de contribuição, a idade do segurado e a expectativa de vida no país. No caso dos microempreendedores, foi achou positivo incluir na proteção aquele que vive de pequenas empreitadas. O destaque neste ano de 2017 é a polêmica proposta de reforma previdenciária do governo Temer, cujo desfecho ainda é imprevisível.

Um dos aspectos mais controversos da proposta é a idade mínima de 65 anos para aposentadoria. O Brasil precisa aprovar uma idade mínima porque é um dos poucos países do mundo que ainda não adota essa norma. Ele comenta que em nações com maior longevidade de vida — caso dos Estados Unidos — a idade mínima para aposentadoria já é de 67 anos. Em vários países emergentes o mínimo é de 65 anos. Hoje o país gasta quase 12% do PIB com a Previdência, mas se a idade fosse fixada em 65 anos o gasto se reduziria para algo como 8% do PIB.

O grande problema da proposta do governo é dizer que homem e mulher, do campo ou da cidade, trabalhador do INSS ou do setor público, não são diferentes. Para uma parcela da população, a aprovação da reforma com 65 anos de idade mínima significaria trabalhar até o fim da vida e morrer sem se aposentar. A proposta do governo golpista é por si só excludente e traria importante retração de receita para a Previdência. Combinada com a terceirização e com a reforma trabalhista em discussão, poderá haver uma combinação explosiva, com perda brutal de receita.

A Constituição de 1988 adotou o modelo tripartite de financiamento do setor, segundo o qual Estado, empregadores e trabalhadores contribuem. Mas, desde 1989, a Fazenda se apropriou dos recursos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Com isso, a Previdência passou a contar apenas com a contribuição do trabalhador e do empregador, o que gerou na verdade um falso déficit, porque há 28 anos não mais se contabiliza a parte do governo como fonte de receita da Previdência.

Assim procedendo, a União nega que a Previdência faça parte da Seguridade Social, em confronto com os artigos 194 e 195 da Constituição. O ‘déficit’ da Previdência é uma “pedalada constitucional”, uma vez que a Previdência integra, de fato e direito, a Seguridade Social, que também abarca a Saúde e a Assistência Social.

No fim de janeiro passado, o governo anunciou um rombo de R$ 151,9 bilhões nas contas do Regime Geral da Previdência Social, o maior desde 1995. Mas quem confia nessas contas de um governo sem credibilidade e legitimidade?!

O governo federal pagou quase 79 milhões de benefícios previdenciários, assistenciais e trabalhistas em 2016, 102% a mais do que em 2003, demonstrando as conquistas sociais da Era Social-Desenvolvimentista (2003-2014). No período, a população brasileira com 14 anos ou mais cresceu a um ritmo bem inferior, de 14,1%, para 166,4 milhões.

Hoje, uma em cada duas dessas pessoas ganha uma renda federal, sendo que há quem possa receber mais de um benefício.

Muitos pagamentos têm o necessário caráter assistencial: são 9 milhões de aposentadorias rurais, 13,6 milhões de ‘Bolsas Família‘, 4,6 milhões de LOAS e 5,6 milhões de benefícios por invalidez, auxílio doença e acidentários. Além de crescerem em quantidade, esses benefícios acumularam ganhos médios elevados no período, muitos deles atrelados ao salário mínimo, o que foi muito bom para o mercado interno e a queda do desemprego até 2014.

Em 2016, o Brasil pagou 27,5 milhões de aposentadorias privadas (excluindo benefícios por invalidez, doença e acidentários), pensões e benefícios da Lei Orgânica de Assistência Social (para idosos de baixa renda e pessoas com deficiência). Este número não inclui aposentadorias e pensões de servidores federais (um pouco menos de 1 milhão) e estaduais e municipais (1,4 milhão).

Em resumo, tirando benefícios por invalidez, auxílio doença ou acidentários, foram quase 30 milhões de aposentadorias, pensões e pagamentos da Loas. Isso para um país que tem 25 milhões de pessoas com mais de 60 anos, número que as projeções demográficas indicam que vai triplicar até 2060.

Dos 28,9 milhões de benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS, voltado para o setor privado), 9,4 milhões são trabalhadores rurais, ou quase um terço do total. Já os números da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD) Contínua mostram que os empregados no grupo “agricultura, pecuária, produção florestal e pesca” são 9,2 milhões, o equivalente a 10,2% dos ocupados.

Elevado volume de benefícios do seguro-defeso é pago a pescadores artesanais durante o período de reprodução dos peixes. Em 2012, o número chegou a 970 mil, o equivalente a pouco mais de 10% do número de trabalhadores empregados no segmento de “agricultura, pecuária, produção florestal e pesca. Em 2016, o número de beneficiários do seguro-defeso caiu para 674,5 mil.

A evolução total do seguro-desemprego. Em 2014, foram 8,4 milhões desses benefícios, um ano em que os desempregados somaram em média 6,9 milhões por mês, segundo a PNAD. É um caso claro de “rotatividade elevadíssima” de emprego, com muita reinserção no mercado informal, ou seja, o trabalhador conseguia uma nova ocupação, sem carteira assinada, e continuava a receber o benefício mesmo já empregado.

Em 2016, os pagamentos foram de 7,2 milhões, desembolsados a um universo de 12 milhões de desocupados. Essa queda concentrou-se no seguro-defeso (recuo de quase 200 mil no período) e no seguro-desemprego para o trabalhador formal (quase 1,2 milhão). A queda nesse último grupo refletiu em parte medidas adotadas em 2015 restringindo o acesso ao benefício e talvez também por causa da recessão, que dobrou o número de desempregados, reduzindo o incentivo à rotatividade.

Houve algumas mudanças, como as que dificultaram o acesso ao seguro-desemprego, além de ter havido até mesmo uma queda no número de beneficiários do Bolsa Família, que saíram de 14,090 milhões de famílias em 2013 para 13,570 milhões no ano passado. Este se trata do programa mais focado, que chega efetivamente aos mais pobres, sendo ainda o de menor custo e o de maior retorno.

Já o abono salarial paga um salário mínimo por ano a quem recebe o equivalente a até duas vezes o valor do piso salarial no país. Em 2016, atendeu a 22,9 milhões de pessoas. Com os aumentos expressivos do salário mínimo, em especial a partir de meados da década passada, o abono passou a ser recebido por um número muito maior de pessoas, já que uma parcela maior dos salários passaram a valer até dois mínimos. Em 2003, o abono foi pago a 7,8 milhões de beneficiários.

Os ricos alegam que “não há PIB ou carga tributária progressiva que comporte a evolução dos gastos com esses benefícios, dada a estrutura demográfica do Brasil. A perspectiva de envelhecimento acelerado da população, em um país que já tem gastos elevados com idosos e nem tão idosos, aponta para um quadro insustentável, a ser enfrentado por medidas como a reforma da Previdência. Acabar com o abono salarial também é uma opção”. Enfim, os ricos se esquecem de quem eles exploram…

Adriana Carvalho (Valor, 19/04/17) avalia que a comparação do sistema público de previdência brasileiro com o de outros países revela singularidades e disparidades. Uma das particularidades é o fato de o Brasil estar entre os poucos que não estabeleceram até agora uma idade mínima para a aposentadoria. De uma lista de 177 países, apenas 13, como o Brasil, não estabeleceram esse critério. Entre eles, está também o Equador, mas lá são exigidos 40 anos de contribuição. Irã, Iraque e Egito também não definem idade mínima.

Estabelecer uma idade mínima de aposentadoria é um fator crítico para evitar que as pessoas se aposentem cedo demais. Se o nível de benefícios é relativamente baixo, aposentar-se muito cedo pode gerar altos riscos de pobreza entre os aposentados. Se é relativamente alto, a possibilidade de se aposentar cedo pode ameaçar o equilíbrio financeiro. O Brasil está no segundo caso.

O Brasil também chama a atenção pela diferença entre homens e mulheres na hora de se aposentar. Enquanto na média dos países avaliados pela OCDE ambos se aposentam com o equivalente a 63% dos ganhos que tinham antes da aposentadoria, no Brasil a chamada taxa de reposição é de 76% no caso dos homens e de 58% no das mulheres.

Na maioria dos 42 países avaliados pela organização, há igualdade ou diferenças pequenas entre homens e mulheres. As exceções são o Brasil, com 18 pontos percentuais de distância, e a Rússia, com 13 pontos percentuais. O único país entre os analisados em que as mulheres recebem mais é a Eslovênia: 60% elas e 57% eles.

Outro problema no Brasil é o fato de que uma pessoa pode receber aposentadoria mínima elevada e integral quando é elegível a isso ou em outras situações pode não receber nada. Quinze anos de contribuição é, comparativamente, um tempo pequeno.

Em média na OCDE, uma pessoa precisa de 26 anos para garantir a pensão mínima integral. Mas na França e na Suécia o cidadão pode receber uma pensão proporcional para cada ano de contribuição. O período de contribuição no Brasil pode ser maior do que 15 anos, mas as pessoas deveriam ser elegíveis também a uma aposentadoria pro-rata para quem somar períodos de contribuição curtos.

Na Alemanha, as pessoas têm que contribuir por 45 anos e se aposentam com algo em torno de 65% do salário até o teto de € 6 mil. Mas se contribuir com 5 anos pelo menos, já recebem alguma coisa. E é justo que recebam, pois contribuíram, ainda que pouco.

Os 25 anos de contribuição propostos na reforma estão longe da capacidade contributiva do mercado de trabalho brasileiro. É um mercado precarizado, pejotizado, que acaba de ver a aprovação da lei de terceirização. Se o tempo for elevado para 25 anos e a pessoa entender que não vai conseguir chegar lá, vai optar por não contribuir. É um desincentivo à Previdência Social.

Outra particularidade da Alemanha, onde dois terços dos aposentados são mulheres: aquelas que têm filhos recebem créditos para a aposentadoria. Segundo o relatório Pensions at a Glance, de 2015, publicado pela OCDE, o país dá os mesmos créditos para mulheres que interrompem suas carreiras para cuidar das crianças do que os dados para aquelas que continuam a trabalhar.

É uma estratégia que incentiva o aumento da taxa de natalidade. Isso mostra que a reforma do sistema de previdência tem que ser pensada como um projeto de nação. A que está sendo proposta no Brasil está descolada disso”. Uma reforma dessa magnitude precisa estar alinhada a outras medidas estruturantes do país.

A Dinamarca, por exemplo, incentivou a produtividade do mercado de trabalho. Eles entenderam que isso gera mais riqueza e tem impacto positivo inclusive sobre o sistema de previdência. Já o Brasil tem avançado muito pouco em produtividade, acaba de limitar o teto de gastos públicos por 20 anos e cortou em 45% as verbas para universidades federais.

A Dinamarca está no topo do Índice de Previdência Global da consultoria Melbourne Mercer, que leva em conta critérios de adequação, sustentabilidade e integridade dos sistemas.

Na edição de 2016, o Brasil passou de 17o. para 16o., mas continua com a sua classificação no nível C, avaliado como um sistema de nível intermediário. O país teve um aumento na sua nota geral motivado principalmente pela melhoria no nível esperado de reposição da aposentadoria e a uma postergação das idades de aposentadoria, mas observou queda no item integridade. Um ponto que afetou o Brasil nesse quesito se refere à não obrigatoriedade de se ter conselheiros independentes para gerirem os recursos dos fundos de pensão.

Domingos Zaparolli (Valor, 19/04/17) informa que no Grupo Pão de Açúcar (GPA), os contratados com mais de 55 anos de idade formam 2% da força de trabalho que tem uma base de 140 mil pessoas. Eles ocupam as mais diversas funções, de atendentes a gerentes de loja. É importante para os negócios ter uma equipe socialmente diversificada, que reflita o perfil do público. Gera empatia com o consumidor, nos permite entender melhor os interesses dos clientes e reagir rapidamente às novas demandas.

Mas o GPA é exceção. O estudo “Síntese de Indicadores Sociais 2016“, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstra a dificuldade do idoso no mercado de trabalho. Entre 2005 e 2015, a proporção de idosos de 60 anos ou mais na população do Brasil passou de 9,8% para 14,3%. Ao mesmo tempo, observou-se uma queda no nível de ocupação dos idosos de 30,2% para 26,3%. Entre os ocupados, 71,8% recebem até dois salários mínimos. No final de 2015 eram 30 milhões os brasileiros com 60 anos ou mais e 24,5% não recebiam aposentadorias ou pensões.

Outro levantamento do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad) trimestral, demonstra que no final do ano passado 6,8 milhões de idosos faziam parte da força de trabalho do país e entre eles o desemprego é de 3,4%.

desalento é mais forte entre os mais velhos e muitos que se encontram nessa situação desistem de buscar emprego e, por vergonha da situação, não se declaram desempregados, não sendo assim detectados pela amostragem. São os “nem nem maduros”, em uma referência aos jovens que nem trabalham nem estudam. A versão madura é formada por homens entre 50 e 64 anos que nem trabalham nem estão aposentados. A estimativa é que mais de dois milhões de pessoas estão nesta situação.

A população brasileira está envelhecendo, mas o mercado de trabalho não se adaptou para agregar os mais velhos. Há muito preconceito contra eles. Aos olhos do empregador, o idoso é um trabalhador com menos vitalidade e força física e menor mobilidade.

Outro problema, entre as pessoas com 60 anos ou mais inseridas no mercado de trabalho, a média de estudo é de 5,7 anos, entre os mais jovens, de 15 a 29 anos, essa média é de 10,1 anos. A rápida transformação tecnológica também é vista como uma barreira. Se o país quer elevar a idade mínima de aposentadoria, terá que criar as condições, por meio de incentivos, para que o mercado de trabalho absorva os idosos, hoje isso não ocorre.

O empregador brasileiro tem uma visão mais preconceituosa do que a média internacional em relação aos profissionais mais velhos que não alcançaram uma posição de liderança. Por outro lado, o profissional brasileiro também apresenta uma menor disposição em investir, por conta própria, no desenvolvimento de sua carreira por meio de cursos de atualização profissional ou mesmo por estudos complementares. A barreira da idade é muito menor para o profissional qualificado que se mantém atualizado.

Desde o início da crise no país, é perceptível uma disposição maior nas empresas por contratar profissionais mais experientes, que apresentam resultados rapidamente. Mas a recolocação dos mais velhos com baixa qualificação se tornou ainda mais difícil.

Os trabalhadores idosos com maior escolaridade conseguem se manter no mercado de trabalho por mais tempo, uma vez que geralmente exercem funções menos extenuantes. Entre os idosos com baixa qualificação, os principais empregadores são a indústria da construção, no caso dos homens, e o de serviços doméstico, entre as mulheres. São atividades que demandam grande esforço físico, portanto as oportunidades são menores de acordo com o avanço da idade, principalmente depois dos 64 anos.

O Brasil passa por uma mudança em seu perfil demográfico, com um rápido envelhecimento de sua população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em seu boletim Síntese de Indicadores Sociais 2016, houve uma queda na participação das pessoas de 0 a 14 anos de idade na população do país, de 26,5%, em 2005, para 21%, em 2015. No grupo de 15 a 29 anos, a participação no mesmo período foi reduzida de 27,4% para 23,6%. No entanto, a proporção de adultos de 30 a 59 anos de idade teve um aumento de 36,2% para 41%, assim como a participação dos idosos de 60 anos ou mais passou de 9,8% para 14,3%.

A projeção do instituto é que a população de idosos será superior à de crianças e jovens (até 14 anos) a partir da década de 2030 e, em 2050, será mais do que o dobro.

Esses dados são relevantes para a análise da política de previdência, uma vez que o sistema previdenciário nacional é estruturado no regime de repartição. Os benefícios pagos à atual geração de aposentados são financiados pelos indivíduos que estão hoje no mercado de trabalho e estes esperam ter sua aposentadoria suportada pela próxima geração. No futuro, haverá mais idosos no caixa para receber aposentadoria e menos contribuintes para financiar o sistema. Em 2013, havia no Brasil 9,3 trabalhadores ativos para cada inativo, em 2040 serão 3,8.

A expectativa de vida do brasileiro ao nascer é de 75,5 anos, mas esse é um indicador influenciado pela mortalidade infantil, que é de 13,8 óbitos por mil nascidos.

Suzana Liskauskas (Valor, 19/04/17) informa que as discussões referentes à reforma da Previdência Social vêm provocando um aumento do interesse do brasileiro pela Previdência Complementar Privada. Dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi) indicam que o crescimento de CPFs gira em torno de 6% ao ano e a arrecadação tem aumentado em 20% nos últimos dois anos. Mas especialistas em Previdência Privada afirmam ter havido um incremento maior do interesse de potenciais clientes desde novembro de 2016, quando as discussões sobre as regras do sistema ganharam destaque.

Em relação a planos de Previdência Privada, o potencial cliente ainda apresenta muitas dúvidas, o que tem motivado a indústria a focar os investimentos em Educação Financeira. O grande desafio é aumentar a consciência da população sobre a cultura previdência.

Uma pesquisa nacional feita pela FenaPrevi em parceria com a Ipsos, divulgada no fim de 2016, indica que 86% da população sabem pouco, não sabem nada ou desconhecem completamente regras do sistema previdenciário brasileiro. O levantamento contemplou 1.500 indivíduos com mais de 23 anos, de todas as classes sociais, em todas as regiões, entre os dias 21 de julho e 4 de agosto de 2016.

Fazer o cliente entender a importância da cultura previdenciária é apontado como o maior desafio de um mercado que se tornou muito mais competitivo nos últimos três anos, pelo uso de tecnologia em novas plataformas, aumentando o poder do cliente de comparação de produtos. E ainda pelo ingresso de gestores mais sofisticados a partir maio de 2016, quando passou a vigorar a Resolução CMN 4.444, que flexibilizou a aplicação de recursos das reservas técnicas, das provisões e dos fundos das entidades abertas de previdência complementar.

A Educação Financeira é uma preocupação. Ao vender planos de previdência é preciso facilitar o entendimento do cliente para mitigar erros. Não adianta oferecer previdência para quem quer trocar de carro em um ano. Quando se entende o perfil do cliente e se entrega uma solução, diminuem as chances de portabilidade e resgate, a carteira fica mais estável e a captação líquida, mais consistente.

O cliente precisa ter o entendimento sobre as características do produto, que é de longo prazo, para ter uma experiência boa com Previdência Privada. Se a venda não for adequada, o cliente mistura os conceitos de um fundo de investimento. O cliente deve entender a importância da compra de renda, as opções que ele pode fazer no futuro e as variações de rentabilidade. Isso não necessariamente fica tão claro numa etapa inicial.

Todas as seguradoras permitem transformar o patrimônio em diversos tipos de renda, da vitalícia à temporária. Tudo isso pode ser revisto a pouco tempo de requerer a aposentadoria.

Pode-se requerer uma renda temporária, em um prazo de dez anos, por exemplo. Se o titular falece no período, os beneficiários continuam a receber aquela renda até o fim do prazo contratado. No caso da vitalícia, quando o titular falece, o patrimônio é da seguradora.

A prova maior de que não existe ainda, na maioria dos casos, a preocupação do cliente com a transformação do patrimônio em renda é o prazo médio dos ativos que compõem os produtos de previdência. O cliente de Previdência Complentar ainda está muito preocupado na cota diária. À medida em que essa conscientização da renda futura aumente, o cliente vai querer entender mais a estratégia do produto adquirido.

O cliente precisa saber mais sobre o mercado de balcão de renda, ainda incipiente. Assim como se escolhe o fundo na fase de acumulação, no momento da aposentadoria deve-se fazer nova busca, saber que empresa está pagando melhor renda.

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