Frente Ampla de Esquerda X Abraço de Afogados entre PMDB-PSDB-etc.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotaria todos os possíveis adversários no segundo turno, de acordo com o Datafolha, exceto Marina Silva (Rede) e o juiz Sergio Moro. Este “sem partido” (sic) supera Lula numericamente, porém com empate técnico: 42% a 40%. Marina está em tendência de queda e Lula em tendência de alta. Quem duvida do carisma popular de Lula em uma campanha eleitoral?

Lula: 43% X Bolsonaro: 31%

Lula: 43% X Dória: 32%

Se os golpistas da direita tiverem sucesso em mais um golpe na democracia brasileira, desta vez inviabilizando a candidatura de Lula, caso ocorra a eleição em 2018, veja outros cenários, tendo como comum as derrotas dos candidatos do PSDB (e partidos satélites) por uma Frente Ampla de Esquerda em torno da Marina ou do Ciro:

Marina: 50% X Dória: 24%

Marina: 50% X Ciro: 24%

Ciro: 36% X Aécio: 26%

Ciro: 34% X Alckmin: 28%

Ciro: 36% X Dória: 29%

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Lazer versus Ócio = Trabalho Não Alienado versus Descanso

O livro de Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, não é uma defesa da ociosidade. O que os cidadãos querem ter mais é lazer, uma categoria que, devidamente compreendida, está tão longe de coincidir com ociosidade que é praticamente o seu oposto polar.

O lazer, no seu sentido verdadeiro e agora quase esquecido, é atividade sem um fim extrínseco, “intencionalidade sem intenção”, como disse Kant. O escultor ocupado a cortar mármore, o professor decidido a transmitir uma ideia difícil, o músico a debater-se com uma partitura, o cientista a explorar os mistérios do espaço e do tempo – essas pessoas não têm outro objetivo para além de fazer bem o que estão a fazer. Podem receber uma remuneração pelos seus esforços, mas não é essa remuneração que os motiva.

Na opinião de Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, eles estão envolvidos em lazer, não em trabalho árduo. É evidente que isto é uma idealização. No mundo real, as recompensas extrínsecas, incluindo recompensas financeiras, nunca estão inteiramente esquecidas.

No entanto, na medida em que a ação deles deriva não da necessidade, mas da inclinação, na medida em que é espontânea, não servil e mecânica, o trabalho árduo está no fim e o lazer a começou. Este – não a ociosidade – é o ideal. Só a pobreza de imaginação da nossa cultura leva a acreditar que toda a criatividade e inovação – em oposição àquele tipo específico destinado a melhorar os processos econômicos – precisa de ser estimulada pelo dinheiro. Continue reading “Lazer versus Ócio = Trabalho Não Alienado versus Descanso”

De quanto dinheiro necessitamos para a viver bem?

Em seu prefácio, Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, coautores de “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, dizem que “o objetivo deste livro é persuadir os leitores de que a vida boa existe e pode ser conhecida, e que devemos esforçar-nos ao máximo para a viver. De quanto dinheiro necessitamos para a viver surge no fim do debate, não no princípio.”

Este livro é uma tese contra a insaciabilidade, contra aquela disposição psicológica que nos impede, enquanto indivíduos e sociedades, de dizer “isto já é de mais!”. Concentra-se na insaciabilidade econômica, no desejo de mais e mais dinheiro.

Concentra-se essencialmente nas regiões ricas do mundo, onde se pode pensar razoavelmente que existe riqueza suficiente para uma vida coletiva decente. Nas regiões pobres do mundo, onde a grande maioria das pessoas ainda vive em grande pobreza, a insaciabilidade é um problema para o futuro. Porém, tanto nas sociedades ricas como nas sociedades pobres a insaciabilidade pode ser vista onde a opulência dos muito ricos é mais importante do que os meios de subsistência da maioria.

Os marxistas defendem que a insaciabilidade econômica é uma criação do capitalismo e que desaparecerá com a sua abolição.

Os cristãos alegam que é o resultado do pecado original.

A opinião de Robert Skidelsky e Edward Skidelsky é de que está enraizada na natureza humana – na disposição para comparar a nossa riqueza com a dos nossos pares e considerar que é insuficiente –, mas foi muito intensificada pelo capitalismo, que a transformou na base psicológica de toda uma civilização. O que foi em tempos uma aberração dos ricos é agora um lugar-comum da vida cotidiana. Continue reading “De quanto dinheiro necessitamos para a viver bem?”