Frente Ampla de Esquerda X Abraço de Afogados entre PMDB-PSDB-etc.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotaria todos os possíveis adversários no segundo turno, de acordo com o Datafolha, exceto Marina Silva (Rede) e o juiz Sergio Moro. Este “sem partido” (sic) supera Lula numericamente, porém com empate técnico: 42% a 40%. Marina está em tendência de queda e Lula em tendência de alta. Quem duvida do carisma popular de Lula em uma campanha eleitoral?

Lula: 43% X Bolsonaro: 31%

Lula: 43% X Dória: 32%

Se os golpistas da direita tiverem sucesso em mais um golpe na democracia brasileira, desta vez inviabilizando a candidatura de Lula, caso ocorra a eleição em 2018, veja outros cenários, tendo como comum as derrotas dos candidatos do PSDB (e partidos satélites) por uma Frente Ampla de Esquerda em torno da Marina ou do Ciro:

Marina: 50% X Dória: 24%

Marina: 50% X Ciro: 24%

Ciro: 36% X Aécio: 26%

Ciro: 34% X Alckmin: 28%

Ciro: 36% X Dória: 29%

Maria Cristina Fernandes (Valor, 02/05/17) analisa os cenários da eleição de 2018 conforme pesquisas realizadas em abril de 2017.

Quarenta dias antes do golpe da ex-presidente Dilma Rousseff, o então senador tucano Aloysio Nunes Ferreira participava de um debate no Instituto Fernando Henrique Cardoso. A bancada de seu partido no Congresso já havia se convertido, mas o senador paulista, àquele momento, ainda resistia a embarcar na degola. Nunes Ferreira resumiu seus argumentos: “Não quero que Dilma saia, quero sangrar a presidente. Não quero um país presidido por Michel Temer”.

O senador expôs as razões do seu ceticismo: um governo Dilma sangrando lentamente poderia inviabilizar as chances do PT em 2018. Já o país sob o comando do PMDB, com a economia em frangalhos, poderia devolver ao petismo as chances de voltar ao poder.

Um ano depois, a fala do senador que se tornaria líder do governo Temer no Senado e, a partir da saída de José Serra, chanceler, parece premonitória. O governo pemedebista tem a pior avaliação da história, o PT voltou a liderar as pesquisas de intenção de voto e o PSDB despencou. O cenário é atestado por quatro pesquisas: Datafolha, Ibope, Vox Populi e DataPoder360.

As delações da Odebrecht e da OAS ainda não eram completamente conhecidas quando os três últimos institutos foram a campo, mas já eram de pleno domínio público quando o Datafolha coletou seus dados. A delação não afetou a liderança de Lula, nem a ascensão do deputado Jair Bolsonaro para o segundo lugar das pesquisas.

Nas contas da Vox Populi, 95% dos entrevistados sabem que Luiz Inácio Lula da Silva está encalacrado. O ex-presidente lidera a disputa a despeito de seu governo, segundo o Datafolha, ser percebido como o mais corrupto da história. Sua liderança, de acordo com o DataPoder360, se consolida em um país em que a corrupção lidera como principal problema, na avaliação de 49%, seguido por saúde (13%) e desemprego (11%).

Lula, que lidera em todos os cenários, pode acabar impossibilitado de disputar, mas os candidatos que gravitam em torno do governo Temer hoje parecem impedidos de ganhar. O presidente golpista, ao contrário do que esperava sua base de apoio, se mostrou incapaz de segurar a Lava-jato. Os estilhaços da operação, além de ameaçarem os ministros do governo, o chanceler incluído, afetam as chances da agenda que um dia se chamou “Ponte para o Futuro” ter o aval das urnas. O Datafolha mostrou que sete em cada dez brasileiros rejeita a reforma da Previdência.

Marcos Coimbra, do Vox Populi, mede a curva de identificação partidária desde sempre. Viu a do PT chegar ao fosso no governo Dilma. Dois meses depois do golpe, já começava a se recuperar e hoje, diz, está em 20%. PMDB e PSDB, que chegaram a ganhar simpatizantes naquela crise, voltaram a cair com a posse de Temer e hoje, pela medição de Coimbra, estão com 5% e 4%, respectivamente.

O golpe não alargou a fatia do eleitorado que odeia o PT. Com a posse de Temer, seus aliados passaram a dividir uma fatura que, até doze meses atrás, estava pendurada nos petistas e devolveu ao lulismo o terço histórico de seu eleitorado.

A tese é corroborada pelas tabelas de Marcia Cavallari, do Ibope. Os nove nomes testados pelo instituto podem ser divididos em três blocos a partir do patamar de rejeição.

  • O primeiro é formado por três tucanos, Aécio Neves (62%), José Serra (58%) e Geraldo Alckmin (54%).
  • O segundo traz um empate técnico de Lula (51%), Marina Silva (50%) e Ciro Gomes de 2(49%).
  • O terceiro, dos ‘outsiders‘, traz de Bolsonaro (42%) a João Doria (36%) para chegar naquele que é o menos renegado, o ex-ministro do Supremo, Joaquim Barbosa (32%).

Da numerália colhida por Rodolfo Costa Pinto, do DataPoder360, instituto abrigado no site de notícias de mesmo nome, a que mais lhe chamou a atenção foi aquela que soma os votos em branco e nulos, além daqueles que não sabem o que responder: 34%. É o incontestável líder da disputa sem qualquer margem de erro.

A Era da Lava-Jato também tem servido largamente para projetar a imagem do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Nas tabelas do Datafolha, Vox e DataPoder360, que não testaram Joaquim Barbosa, é Bolsonaro quem ocupa um inconteste segundo lugar. Doria o ameaça com a vantagem de ter uma rejeição menor e um grau de conhecimento também mais reduzido, condição que tanto pode evoluir para apoio quanto para rechaço.

A ascensão de candidatos de fora da base de apoio do governo é parte do mesmo oposicionismo que azeda o eleitor em relação às reformas. No início de abril, antes do início da divulgação da campanha governamental, o DataPoder360 quantificou em 66% o rechaço à reforma da Previdência. A rejeição cresce com a renda, o que converge com o discurso do governo que é na classe média que mora a resistência.

O apoio à Lava-Jato é ainda maior: 75%. As rodadas de concessões pelas quais passaram o texto do relator mostraram que a conjuntura de caça às bruxas não podia ter sido pior para o ímpeto reformista pró livre-mercado do governo temeroso. Como a opinião pública é francamente favorável à operação, o rechaço ao Congresso é generalizado. Quem quiser se reeleger terá que garantir, no mínimo, o voto das corporações. Acrescente-se a permanência da crise econômica e está explicado porque num eleitorado delapidado por todos os lados, não se encontra quem aceite perder.

Ricardo Mendonça (Valor, 02/05/17) analisa os cenários para candidatos à esquerda.

Doze meses após a aprovação do golpe de Dilma Rousseff na Câmara e a pouco mais de um ano do início da campanha presidencial, o segmento da esquerda que nas últimas décadas foi liderado pelo PT vive diante de duas perspectivas radicalmente opostas para 2018.

  • Uma, a do ex-presidente Lula candidato, tem se insinuado cada vez mais propícia do ponto de vista eleitoral.
  • Outra, a que tem o petista impedido de disputar, se prenuncia desastrosa.

No cenário favorável, esse grupo chega à disputa com um candidato popular, experiente e, conforme as últimas pesquisas, líder isolado em todas as simulações. Lula tem rejeição alta e é réu em cinco ações penais. Mas as restrições do eleitorado ao seu nome apresentam tendência de queda e, como já ficou provado desde o mensalão, denúncias até agora não se mostraram suficientes para abatê-lo. Além disso, alguns dos potenciais rivais também são alvos de acusações, o que acaba “zerando o jogo” nesse campo. Lula é ainda a figura da oposição com as melhores condições de fazer alianças.

No segundo cenário, o danoso, o ex-presidente é impedido de competir em decorrência da Lava-Jato. Isso aconteceria após uma confirmação por parte do Tribunal Regional Federal do Rio Grande do Sul (TRF) de uma eventual condenação proferida pelo juiz Sergio Moro. Lula, nesse caso, seria enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

Para o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, seria “um desafio enorme” para a esquerda e haveria uma situação de grande “desorganização do debate” político no país. “O padrão mundial [em casos assim] tem sido de disputa de direita com extrema-direita”.

Moro, a rigor, pode não condenar Lula. Ou demorar tanto para julgar, a ponto de possibilitar sua inscrição na disputa. Uma eventual condenação na primeira instância também pode ser revertida no TRF. Mas poucos aliados do petista apostam nessas hipóteses. A decisão de questionar a legitimidade de Moro em todas as esferas possíveis, inclusive em âmbito internacional, comprova isso.

Sem Lula no páreo, a esquerda não tem um substituto natural ou igualmente competitivo de largada. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) e o próprio Haddad são citados.

  • O primeiro teria que se mostrar capaz de costurar apoios mais amplos para si no universo da esquerda.
  • O segundo falta demonstrar apetite condizente com o tamanho do desafio.

Mesmo superada a difícil etapa da escolha de um substituto, restaria saber qual seria a efetiva condição de Lula de transferir votos. Condenado, poderá viajar? Terá como gravar vídeos? Se for preso, situação cogitada, poderá ao menos dar entrevistas? Incógnitas.

Até agora, a única certeza no campo da esquerda é que, apto para a disputa, ninguém mais acredita na possibilidade de Lula abrir mão de ser candidato.

Como a decisão mais importante a ser tomada caberá ao Poder Judiciário, algo fora do alcance do ex-presidente ou do partido, o que resta aos aliados é fazer pressão pública contra a condenação.

Convencido da inocência do ex-presidente, o ex-ministro Alexandre Padilha dá o tom de como a esquerda lidaria com uma eventual interdição do petista:

  • “Tentar impedir Lula de concorrer é um ataque frontal à democracia”.
  • “Seria colocar em xeque a legitimidade da eleição e a credibilidade da via institucional”.
  • “Produzir uma crise de proporções difícil de calcular”.
  • “Não é uma hipótese fora de cogitação, afinal, acabaram de patrocinar o golpe do impeachment sem crime de responsabilidade”.
  • “Um novo golpe seria jogar com possibilidade de convulsão.”

Superado o óbice jurídico, pessoas próximas a Lula avaliam que a atual conjuntura, que combina baixo crescimento, desemprego e reformas impopulares, é favorável para nomes de oposição. Mesmo sinais de alguma retomada não são vistos como capazes de alterar o sentimento geral de insatisfação.

  • “A direita não está mais na rua”.
  • “Desde o impeachment, a rua foi retomada pela esquerda.”

Na mesma linha, a desaprovação de Michel Temer é vista como cristalizada, sem chance de recuperação. Uma frase recente do sindicalista Rafael Marques (Metalúrgicos do ABC) sintetiza um sentimento que começa a dominar parte da oposição: “Cada item que o governo Temer coloca, o Lula cresce dois pontos [na pesquisa]”. Se for isso mesmo, só falta combinar com o juiz. E, claro, com as urnas.

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