22 Anos de Economia Brasileira (1994-2016)

O Diretor do CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, Gerson Gomes,  em trabalho do Centro de Altos Estudos do Século XXI, enviou-nos a nova edição dos Vinte Anos de Economia Brasileira (1994-2016) – abril 2017 (clique para download), que somam 22 anos (1994-2016) ao incorporar os dados de 2016. Lamentavelmente, devido à descontinuidades ou atraso na publicação de algumas séries, especialmente na área social e a mudanças metodológicas que limitam a comparação interanual dos dados não foi possível atualizar todos os gráficos e indicadores utilizados. Na medida do possível tentará corrigir essa falha em próximas edições.

Sua intenção ao realizar esse trabalho é disponibilizar, em um único documento, dados de diversas fontes oficiais e de estudos de domínio público que possam contribuir à análise objetiva das restrições e desafios enfrentados pela economia brasileira e ajudar na construção de alternativas e políticas para seu equacionamento e superação.

Nesta nova edição dos “20 Anos de Economia Brasileira”, incorporando os dados relativos a 2016, é visível o impacto da crise política, desencadeada a partir da eleição presidencial de 2014, sobre o desempenho da economia em 2015, paralisando o Governo e aprofundando os vetores de desaceleração que já vinham se manifestando, particularmente na esfera do investimento.

O crescimento inexpressivo registrado em 2014 se transmuta, assim, em profunda depressão econômica no biênio 2015/2016, encerrando o ciclo de crescimento e mobilidade social, iniciado em 2004, e colocando o País em instabilidade política e institucional .

Ilusões das Médias

Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, no livro “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, ressaltam que, antes de aprofundarmos mais a questão de saber porque é que as horas de trabalho não caíram em linha com o crescimento da economia, devíamos estar conscientes do que é dissimulado pelos nossos métodos de medição.

A média é simplesmente a tendência central de um conjunto de dados. A maioria das pessoas pensa intuitivamente nela como um número “típico”.

Média é uma representação estilizada (e parcial) da situação na Grã-Bretanha e na América dos nossos dias, onde a maioria das pessoas ganha menos do que a média e um pequeno número ganha muito mais. Em 2011, o rendimento médio no Reino Unido foi de 27 mil libras, mas o rendimento mediano foi de 21 500 libras. Isso significa que 50% da população ganhou menos de 21 500 libras e algumas pessoas muito menos do que esse valor.

A falácia de deduzir uma situação “típica” a partir do estudo de médias aritméticas é extremamente relevante para a distribuição de rendimentos. Não é possível dizer se o bem-estar dos cidadãos de um país vai subir ou descer sem sabermos o que aconteceu à distribuição de rendimento. Mas a falácia aplica-se em muitas das situações que nos interessam. Continue reading “Ilusões das Médias”

Profecia Não Realizada: Devenir Feliz

Devenir ou devir se refere ao processo de transformação constante pelo qual passam todos os seres e todas as coisas. É o processo de vir a ser. Tanto Marx, no socialismo, quanto Keynes, no capitalismo, acreditavam em um devir feliz.

Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, no livro “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, dizem que “o desemprego tecnológico apontava para um futuro sem trabalho, mas voluntário, não forçado”.

Com a elevação da produtividade, produzida com força do trabalho e tecnologia, a humanidade seria capaz de satisfazer todas as suas necessidades materiais por uma fração do esforço de trabalho existente – no máximo, três horas por dia.

Keynes, certamente, esperava um momento em que a atitude espontânea e feliz perante a vida que estava então confinada a artistas e espíritos livres se difundisse pela sociedade como um todo. Seu ensaio culmina em um arroubo de retórica, entrelaçando Aristóteles e o Novo Testamento:

“Vejo-nos livres para voltarmos a um dos princípios mais seguros e certos da religião e da virtude tradicional – que a avareza é um vício, que a usura é uma infração e o amor pelo dinheiro é detestável, que aqueles que caminham mais verdadeiramente nos caminhos da virtude e da sabedoria são aqueles que pensam menos no dia seguinte. Valorizaremos novamente os fins acima dos meios e preferiremos o bom ao útil. Honraremos aqueles que podem ensinar-nos a aproveitar virtuosamente e bem a hora e o dia, as pessoas encantadoras que são capazes de apreciar diretamente as coisas, os lírios do campo, que não trabalham arduamente nem correm”.

Uma palavra para este estado paradisíaco é chamar-lhe, simplesmente, de “Felicidade”. Continue reading “Profecia Não Realizada: Devenir Feliz”