Por que trabalhar? Por que ser Workaholic e não Worklover?

Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, no livro “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, afirmam que as explicações para o fato de a média de horas de trabalho não estar em linha com o crescimento do rendimento divide-se em três tipos genéricos. Diz-se que as pessoas trabalham as horas que trabalham:

  1. porque gostam,
  2. porque são obrigadas ou
  3. porque querem cada vez mais.

Lenine proclamou, citando São Paulo: “quem não trabalha não come”!

Keynes seguiu a política econômica do seu tempo, tratando o trabalho como o custo de obter coisas absolutamente essenciais.

Adam Smith escreveu: “o verdadeiro preço de todas as coisas […] é o trabalho árduo e a dificuldade de adquiri-las”.

Jeremy Bentham disse: “Na medida em que o trabalho é visto no seu sentido próprio, o amor pelo trabalho é um paradoxo”.

Não havia nenhuma novidade neste tratamento: a Bíblia diz-nos que o homem foi condenado a trabalhar para expiar dolorosamente a sua desobediência a Deus. A religião é o consolo para os conformistas.

No entanto, mais recentemente, algumas pessoas céticas sugeriram que esta relação ancestral do trabalho com “trabalho árduo e dificuldade” não é válida, ou tem uma validade reduzida. O trabalho já não é esforço no sentido economicista, mas um esforço de amor: uma fonte de estímulo, identidade, merecimento e sociabilidade.

Em suma, o trabalho não é apenas um meio para alcançar um fim: proporciona satisfações intrínsecas. É por isso que as pessoas continuam a trabalhar durante mais tempo do que “precisam”. Eu! Eu! Eu!

Os apóstolos das alegrias do trabalho reconhecem que a visão economicista do trabalho como um esforço sem alegria, que tem de ser compensado com um rendimento, pode ter sido adequada para o trabalho fisicamente brutal, mecânico e embrutecedor que a maioria das pessoas tinha de fazer no passado, mas é preciso acrescentar que nos nossos dias isso já não é verdadeiro em relação ao trabalho.

Na Era Pós-moderna, o trabalho tornou-se fisicamente menos exigente, mais interessante, estimulante e inovador. Isto é particularmente verdadeiro no caso de empregos de carreira em Economia Criativa e explica porque é que aqueles que são mais bem pagos trabalham muitas vezes mais horas do que os menos bem pagos.

Nós temos um setor “criativo” em constante expansão e muito mais escolha de trabalho “necessário” do que existia anteriormente. As pessoas podem revelar as suas almas não apenas nas suas compras, mas nos seus empregos.

Os críticos acrescentam que Keynes tinha um desdém esnobe de Bloomsbury pelas profissões manuais ou alienadas, o que o levou a não prestar atenção às satisfações intrínsecas que mesmo nessa altura muitas pessoas encontravam no trabalho.

Diz-se que o equivalente ao amor pelo trabalho é o medo do lazer. Pergunta-se muitas vezes: O que farão as pessoas se não tiverem de trabalhar? Embebedam-se ou drogam-se? Passam o dia deitadas no sofá diante da televisão?

Subjacente a este tipo de pergunta está a opinião de que os seres humanos são naturalmente preguiçosos, e por isso o trabalho é necessário para os tornar produtivos, para os manter “nos eixos”, para impedir que “se arruínem”.

Mas há mais uma coisa.

  • O trabalho proporciona uma sociabilidade obrigatória.
  • O lazer pode trazer uma solidão forçada.

Workaholic é uma gíria em inglês que significa alguém viciado em trabalho. É um trabalhador compulsivo e dependente do trabalho.  As pessoas viciadas em trabalho sempre existiram, porém, esse número está crescendo muito e se tornando um fenômeno em todo o mundo.

Um indivíduo workaholic geralmente não consegue se desligar do trabalho, mesmo fora dele, e muitas vezes deixa de lado seu parceiro, filhos, pais, amigos e família. Seus amigos acabam sendo apenas os que convivem no ambiente de trabalho.

Esse tipo de pessoa sofre e acaba tendo uma qualidade de vida muito ruim, pois as pressões do dia-a-dia e a autoestima exagerada fazem com que este tipo de profissional tenha insônia, mau-humor, impotência sexual, atitudes agressivas em situações de pressão e pode chegar a causar depressão, entre outros efeitos nocivos. Um dos maiores receios de um workaholic é o medo de fracassar, esse medo faz com que ele se condicione e continue sempre dando o melhor de si na busca por resultados.

Dizem os workaholics: “Eu? Eu tenho pavor dos fins de semana. Quem me dera não ter tempo de férias… não faço ideia do que fazer com ele. São quatro semanas em que não paro de lembrar a mim mesmo que sou um fracassado”.

Os termos workaholic e worklover expressam duas formas diferentes de comportamento no âmbito do trabalho. A diferença entre os dois é que:

  • o workaholic é viciado pelo trabalho, mas nem sempre gosta do que faz;
  • worklover – que significa “o que ama o trabalho” em inglês – gosta do seu trabalho, mas não o vê como um vício, ou seja, tem outras coisas importantes na sua vida.

Um worklover sabe encontrar o equilíbrio entre o trabalho e o lazer, e não descuida os aspectos sociais, mentais e familiares da sua vida.

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