Crescimento da Economia de Serviços e Consumo Supérfluo

Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, coautores do livro “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, afirmam que a consequência da recente influência dominante na distribuição de rendimento foi:

  1. o crescimento da economia de serviços e
  2. a incapacidade de usar a tributação progressiva para compensar a tendência natural de desigualdade de crescimento da renda relativamente ao crescimento relativo dos serviços.

Ambos estabeleceram um limite para a diminuição de horas de trabalho.

No tempo de Keynes, nos países desenvolvidos a indústria representava 80% da produção e os serviços apenas 20%. Atualmente, esta proporção inverteu-se.

Em média, os empregos no setor dos serviços são menos bem pagos do que os empregos na indústria que substituíram, em parte porque não podem ser automatizados até ao mesmo ponto – pensemos nos professores, enfermeiros, cabeleireiros e taxistas – e em parte porque não podem ser sindicalizados com tanta eficácia. Continue reading “Crescimento da Economia de Serviços e Consumo Supérfluo”

Trabalhar para não morrer de tédio… ou de vodka

 

Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, coautores do livro “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, acham que seria um disparate negar que o trabalho remunerado sempre teve elementos de satisfação intrínseca. A maior parte das pessoas não trabalha apenas para comer. As pessoas podem trabalhar muitas horas por companheirismo ou para escapar aos problemas, ou tédio, da vida familiar.

A questão-chave para o cotidiano feliz é se a possibilidade de ser “feliz” no trabalho tem aumentado ao longo do tempo. Isto não é de forma alguma muito claro. Alguns trabalhos tornaram-se mais interessantes. O número de trabalhos vocacionaiso ensino, por exemplo – aumentou.

Diz-se frequentemente que a Internet tornou o trabalho mais divertido e a diversão mais parecida com trabalho. Também alargou as oportunidades de lazer no trabalho, pois o Facebook está apenas a um clique de distância em um celular inteligente com usuários burros. Os ambientes de trabalho são cada vez mais projetados para serem “divertidos”.

Mas a especialização que Adam Smith pensou que tiraria a técnica do trabalho também tornou uma grande parte do trabalho menos gratificante. O que é chamado “técnica” é frequentemente um eufemismo para tornar mecânico o que em tempos requeria pelo menos um pouco de conhecimento, atenção e envolvimento.

As técnicas do artesão, do mecânico, do construtor, do talhante e do padeiro deterioraram-se. Uma grande parte do trabalho, reduzido à pura rotina, continua a ser literalmente estupidificante. As rotinas laborais dos supermercados e call centers modernos foram apelidadas de “taylorismo digital” em homenagem ao inventor do tapete rolante. Continue reading “Trabalhar para não morrer de tédio… ou de vodka”