Política Pública para a Vida Boa

Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, no livro “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, enfrentam o adversário ideológicoo neoliberalismo – que brandirá o temido espectro do paternalismo. Ao sugerir que os fins e não os meios ou as capacidades deveriam ser o objetivo da política não estaremos sendo “ditatoriais em relação aos bens básicos”?

Duas reflexões podem ajudar a aliviar esta suspeita, ou pelo menos a torná-la menos importante.

Primeiro, até há muito pouco tempo, todas as nações ocidentais tinham nos seus códigos de leis um grande número de leis explicitamente destinadas a tornar as pessoas melhores do que elas teriam escolhido ser, por exemplo, com a censura da pornografia.

Muitas dessas leis continuam em vigor, e na verdade o seu âmbito foi alargado, embora agora normalmente sob o pretexto de impedir danos a terceiros. Exemplos disso são as leis contra as drogas, incesto e bestialidade, restrições à venda e uso de pornografia, álcool e cigarros, e muita legislação sobre saúde e segurança. Só no mundo elitista da filosofia acadêmica neoliberal é que diz que os Estados liberais não são “ditatoriais” relativamente aos bens básicos.

Em segundo lugar, como qualquer definição razoável determina que a vida boa é uma vida autônoma ou autodeterminada, o Estado, enquanto sociedade política de coerção, está limitado em termos do que pode fazer para promovê-la. É manifestamente absurdo forçar as pessoas a serem civilizadas sob pena de tortura. Mas há muitas coisas que o Estado pode fazer sem chegar a tais extremos. Continue reading “Política Pública para a Vida Boa”

Elementos da Vida Boa

Robert Skidelsky e Edward Skidelsky, no sexto capítulo do livro “Quanto é Suficiente? – O Amor Pelo Dinheiro e a Economia da Vida Boa”, defendem que a nossa dependência continuada do consumo e do trabalho se deve, acima de tudo, ao desaparecimento da discussão pública de qualquer ideia da vida boa.

Aqueles objetos fixos de ambição e desejo expressos por Keynes e Virginia Woolf – as 500 libras por ano, a sala de biblioteca só sua – há muito que se desvaneceram, não deixando nada a não ser as sortes inconstantes para nos orientar. Se quisermos recuperar um entendimento de o que significa ter o suficiente, teremos de reaprender a fazer a pergunta: o que é viver bem?

A vida boa é uma vida que é desejável, ou digna de desejo, não apenas uma vida que é vastamente desejada. Não podemos identificá-la contando opiniões individuais ou fazendo um questionário.

Mas a vida boa também não pode diferir totalmente das aspirações da maioria das pessoas em todo o mundo e através do tempo. Na Ética, ao contrário da Ciência, o erro universal não é uma possibilidade coerente, uma vez que o objetivo da Ética, o bem humano, é um bem relativamente ao qual todos os seres humanos têm uma palavra a dizer. Não há peritos de moral. Continue reading “Elementos da Vida Boa”