Investidores Institucionais e Risco Privado

FonteEFPC – ABRAPP Consolidado Estatístico_12_2016

Juliana Schincariol (Valor, 07/04/17) avalia que a queda de juros vai forçar os fundos de pensão a ampliar o risco de suas carteiras, a fim de garantir o cumprimento da meta atuarial. Levantamento da consultoria financeira Aditus, com base nas políticas de investimento entre 2017 e 2021 de 115 fundações com R$ 202 bilhões em ativos, mostra que a alocação em renda variável – direta ou via fundos de ações – deve passar dos atuais 5% para 7% do patrimônio ainda em 2017.

Pode até parecer pouco, mas isso representa um aumento de 20% da alocação, que soma R$ 5 bilhões.

O estudo da Aditus leva em conta os 115 maiores fundos de pensão do país – com patrimônio entre R$ 500 milhões e R$ 10 bilhões -, mas exclui gigantes como a Previ (funcionários do Banco do Brasil) e Petros (Petrobras), que passam por mudança na política de investimento. Essas fundações, que têm participação relevante em empresas, buscam agora reduzir a exposição em renda variável para ter mais liquidez conforme aumenta o número de participantes que se aposentam.

Conforme as taxas de juros se aproximam de um dígito, os fundos de pensão ficam com dificuldade para cumprir as metas de rentabilidade aplicando majoritariamente em dívida pública. As fundações estão no ponto mínimo de alocação em renda variável apesar da alta da bolsa no ano passado. Mas já há um movimento de volta para ativos de maior risco, como ações e títulos de dívida privada.

A retomada tende a ser feita de forma cautelosa, e não se deve esperar o mesmo patamar de exposição de mais 30% em renda variável de anos atrás, considerando bolsa e fundos de investimento. Tudo vai depender de como a economia vai reagir, disse, acrescentando que o mercado ainda está inseguro. ”

Os investidores preferem perder um rali como aconteceu no ano passado e se proteger da volatilidade. O entendimento é que, se a economia reagir e a trajetória de queda de juros se mantiver, o retorno à bolsa pode ser mais rápido no segundo semestre.

Diante da expectativa de retomada das aberturas de capital, os fundos de pensão podem voltar a investir em IPOs (ofertas públicas iniciais de ações, na sigla em inglês). No auge destas operações, em 2007 e 2008, as fundações entravam diretamente nas ofertas. Agora, a maioria deve participar via fundos, com uma gestão externa. Ter investimentos pulverizados tende a desconcentrar o risco. A tendência é as fundações buscarem gestão externa. Assim, há uma capacidade maior de reagir a uma eventual mudança de cenário.

No passado recente, nos planos de contribuição definida (CD), grande parte dos participantes mudou seu perfil para conservador, e agora também começa a surgir o movimento para escolha por maior risco, o que automaticamente aumenta a vontade das fundações.

No caso da renda fixa, o estudo da Aditus apontou uma redução de 90% para 84% na aplicação do patrimônio das fundações, enquanto a fatia em operações estruturadas, como Fundos de Investimentos em Participações (FIPs), deve crescer 1 ponto percentual, para 6%.

No caso dos investimentos no exterior, também percebe-se um leve aumento no apetite. Ao fim de 2016, a participação das entidades era de menos de 0,5% e até 2021 deve crescer para 0,6%.

Enquanto a maioria dos fundos de pensão assumem mais risco na renda variável para elevar a rentabilidade e cumprir as metas atuariais, grandes fundos de pensão como Previ (funcionários do Banco do Brasil) e Petros (Petrobras), passam por um movimento inverso. Quando se coloca na conta essas fundações, a exposição em bolsa do conjunto de fundos é maior proporcionalmente ao patrimônio e mostrou inclusive crescimento no ano passado.

Partindo de uma base de 256 fundos de pensão que administram R$ 755 bilhões, segundo a Abrapp, associação que representa o setor, a alocação das entidades em renda variável cresceu 8% em 2016, na comparação com o ano anterior, para R$ 137 bilhões. Este índice foi abaixo da taxa de inflação de 10,7%.

O valor corresponde a 18,1% do patrimônio, mas ainda está longe da participação de 33% de 2009, quando o principal índice da bolsa subiu mais de 80%. Levando em conta só o investimento direto em ações, a exposição dos fundos de pensão é de 9,5% do patrimônio total.

Previ e Petros revisaram recentemente seus investimentos com o objetivo de reduzir a exposição à renda variável, a fim de ter maior liquidez para o pagamento de benefícios. Só o plano de benefício definido da Previ soma R$ 157,2 bilhões, enquanto que o da Petros têm R$ 49,8 bilhões.

A política de investimento até 2021 das duas fundações prevê uma redução da exposição em ações. Entre os movimentos mais recentes, a Petros anunciou em março a venda de sua fatia na empresa de shopping centers Iguatemi por mais de R$ 500 milhões.

Os dois fundos também vão ganhar mais liquidez com o novo acordo de acionistas proposto para Vale – em que participam do bloco de controle por meio do veículo de investimentos Litel, junto com Funcef (Caixa Econômica Federal) e Funcesp (empresas elétricas de São Paulo). O mesmo já aconteceu com CPFL, que foi vendida para a State Grid.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s