Correlação não é Causalidade: Dow Jones X Ibovespa

Denise Godoy (Valor, 04/05/17) avalia que, enquanto o mercado acionário americano renova sucessivas marcas históricas, a bolsa brasileira, apesar de algumas sessões isoladas de ganhos, segue patinando no mesmo nível, sem forças para sustentar uma tendência de alta firme.

Especuladores dizem que isso ocorre por causa das incertezas sobre as reformas golpistas em direitos sociais e a capacidade de o Brasil retomar o crescimento sustentável que têm desencorajado os investidores a fazer grandes apostas no mercado de ações local.

Já em Wall Street, o otimismo com os planos do novo presidente bilionário pró-mercado para impulsionar a atividade econômica vem sustentando uma inédita trajetória de alta, batizada de “rali do Donald Trump“.

Esse descompasso fica claro quando se analisa a movimentação relativa das bolsas brasileira e americana. A correlação entre o Ibovespa e o Índice Dow Jones, o mais importante do mercado de ações de Nova York, está no seu menor nível do ano: 0,68, segundo levantamento do Valor Data. Quanto mais perto o coeficiente se encontra de 1, mais próxima é a ligação entre dois indicadores. Isso significa que, se a bolsa americana sobe 1%, a bolsa brasileira avança 0,68%.

Continue reading “Correlação não é Causalidade: Dow Jones X Ibovespa”

Riscos de IPO: Economia de Mercado de Capitais X Economia de Endividamento

CDI acompanha Selic. Aqui tem a taxa de juros reais mais disparatada em todo o mundo. Ação acompanha, em última instância, os fundamentos da economia, além de especulação no mercado e impactos da política econômica.

Desde 2007, o auge dos IPOs, explodiram tanto a bolha imobiliária nos EUA quanto as bolhinhas imobiliárias brasileiras. O superciclo de commodities se encerrou em setembro de 2011. A política de mudança da relação câmbio/juros foi interrompida, subitamente, com o alarmismo artificial (pré-eleitoral) quanto à “inflação da seca” no primeiro quadrimestre de 2013.

As manifestações de junho de 2013 deram margem para a volta da direita, que se organizou junto aos Poderes, inclusive o Quarto Poder (o PIG) para dar o golpe parlamentarista no presidencialismo em 2016. O estelionato eleitoral em 2015, com a volta da Velha Matriz Neoliberal, colaborou para “botar lenha-na-fogueira” de mais um golpe de Estado no Brasil. E tem gente apostando em alta de cotações em um mercado de ações raquítico?!

Adriana Cotias (Valor, 08/05/17) adverte que, em um momento em que o investidor cresce os olhos para os ganhos intermitentes do Ibovespa e o mercado de capitais brasileiro ensaia a volta de ofertas de ações, como a da XP Investimentos, é necessário ter cuidado. Da safra de operações colocadas na rua entre 2006 e 2007, no auge da euforia com a bolsa local, poucos papéis apresentaram retorno acima do índice na última década. E, como era de se esperar, em tempos de crise financeira e juros disparatados, em relação aos do resto do mundo, as estratégias também ficaram muito aquém do desempenho da renda fixa no período.

Esse é o diagnóstico de Pierre Souza e William Eid Júnior, do Centro de Estudos em Finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV). Os pesquisadores se debruçaram sobre o histórico de 76 ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) realizadas em 2006 e 2007. De lá para cá, 54 papéis continuam no pregão. Caso o investidor tivesse como estratégia participar de todas as operações, tal carteira em dez anos traria um retorno de 20%, contra 42% do Ibovespa. Nesse intervalo, o CDI exibiu ganhos de 173%.

“Foi uma febre fazer investimento em IPO, mas o resultado no longo prazo não justifica a estratégia”, diz Eid, lembrando ter visto, na época, alunos de doutorado cogitando usar recursos da bolsa de estudos para comprar papéis de companhias estreantes no pregão, comportamento que ele compara ao do sapateiro que investia em renda variável em Wall Street na pré-crise de 1929.

Continue reading “Riscos de IPO: Economia de Mercado de Capitais X Economia de Endividamento”

Fundos de Investimentos Detentores da Dívida Pública X Emissões no Mercado de Capitais

** Não considera o volume de Operações Compromissadas. O total de Títulos Públicos Federais, somado as Operações Compromissadas com lastro nesses títulos na carteira dos fundos, equivale a 82% do estoque de Títulos Público Federais em mercado. Veja abaixo que as Operações de Mercado Aberto somavam R$ 1.158.639 milhões ou R$ 1,158 trilhões!

 Obs.: a diferença entre o total e a soma de prefixados e indexados é de R$ 1,16 trilhões; por dedução, estariam em pós-fixados flutuantes (LFTs).

Obs.: (1) EFPC Emp. Públicas, EFPC Emp. Privadas, Seguradoras, EAPC, RPPS, Capitalização, Fundos de Investimento; (2) Corporate, Middle Market; (3) Varejo, Varejo Alta Renda. EFPC = Entidades Fechadas de Previdência Complementar (fundos de pensão). EAPC = fundos de pensão abertos (PGBL/VGBL) já possuem o maior percentual do Patrimônio Líquido (PL) entre os Investidores Institucionais.

FUNDOS DE INVESTIMENTOS:

Após recordes sucessivos de captação, a indústria de Fundos de Investimentos registrou resgate líquido de R$ 21,6 bilhões em abril de 2017, o segundo maior da série iniciada em 2002, superado apenas pela saída líquida de R$ 28,9 bilhões, ocorrida em outubro de 2008, no início da crise internacional. Continue reading “Fundos de Investimentos Detentores da Dívida Pública X Emissões no Mercado de Capitais”