Obstrução da Justiça + Tráfico de Influência + Prevaricação = Fora, Temer! E Trump!

O que tem de comum entre Trump e Temer? Obstrução da Justiça: um crime comum pelos quais Presidentes da República podem ser processados e cassados.

Este cargo eleito — ou nomeado pelos congressistas — exige seguir o Princípio da Impessoalidade, pois ele não se refere ou não se dirige a uma pessoa em particular, que tenha acesso privilegiado ao Estado, mas sim às pessoas em geral. Significa que a Administração Pública não pode atuar com vistas a prejudicar ou beneficiar pessoas determinadas, uma vez que é sempre o interesse público que tem que nortear o seu comportamento.

Receber e dar aval às ações corruptoras de um sujeito investigado pela Justiça que narra como ele está obstruindo, ilegalmente, a investigação e corrompendo agentes públicos?! Fora, Temer!

No affair russo, a sequência de maus passos de Trump no poder teve início em janeiro de 2017, logo no início de seu mandato, com a demissão forçada de Michael Flynn, seu primeiro conselheiro de segurança nacional, por ele ter mentido ao negar que tivera reuniões com membros do governo russo, entre eles o embaixador em Washington, Sergei Kysliak, para tratar do levantamento de sanções ao país. O FBI, sob comando de James Comey, já investigava a participação da espionagem russa na campanha presidencial americana, em benefício do magnata e o possível conluio entre eles.

Comey investigava a conexão russa da campanha quando Trump, um dia depois de se livrar de Flynn, pediu a ele que abandonasse a tarefa. Desde Richard Nixon e o caso Watergate não se via nada igual: uma ação do presidente dos EUA para obstruir a Justiça e impedir uma ação que poderia desvendar irregularidades e apontar um ou mais culpados na Casa Branca.

E o que fez Temer aqui também não foi semelhante a isso? Não só omissão de denúncia de crimes como também conivência com tráfico de influências?

Tráfico de influência consiste na prática ilegal de uma pessoa se aproveitar da sua posição privilegiada dentro de uma empresa ou entidade, ou das suas conexões com pessoas em posição de autoridade, para obter favores ou benefícios para terceiros, geralmente em troca de favores ou pagamento.

É um dos crimes comumente praticados no Brasil por empresários e políticos, principalmente contra a administração pública em geral. Consiste em solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou para outrem, vantagem ou promessa de vantagem (como se fosse um investimento), a pretexto de influir em ato praticado por funcionário público no exercício da função. A pena prevista para esse crime é de reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. A pena é aumentada da metade, se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. Veja Art. 332 do Código Penal.

Prevaricação é o crime cometido por um servidor público que usa o seu cargo e poder para satisfazer interesses pessoais, atrasando ou deixando de praticar as suas funções de ofício. Consiste em trair e desrespeitar uma ordem ou dever, agindo de má-fé e contra os bons costumes, a ética e a moral. Na política e no âmbito jurídico, a prevaricação é o crime praticado pelo funcionário da Administração Pública que abusa do poder que possui, provocando prejuízos sociais e econômicos para o país. O crime de prevaricação está previsto no artigo 319 do Código Penal Brasileiro (Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940).

Trump e Temer estão à mercê de investigações destrutivas de suas escaramuças. As promessas do primeiro de “renovar a política” e de devolver o poder “ao povo” se mostram o que eram desde o início: “fake news” do populismo de direita. O segundo logo comprometeu-se com sua base de apoio — as castas dos mercadores e dos oligarcas regionais controladores do Congresso Nacional — que, não lhe importando a impopularidade, tomaria medidas (“reformas”) que “ferrariam o povo”. Reconheceu não tinha mais idade e cacife político para pleitear reeleição como deputado. Resultado: tem o ódio popular contra si… e pouco lhe importa para dar continuidade a seu tráfico de influência.

Parlamentares republicanos manifestaram receio de a instabilidade na Casa Branca em episódios como a demissão de Comey levar eleitores a uma avaliação negativa do governo Trump, o que pode afetá-los nas eleições para o Congresso no ano que vem.

Pesquisa encomendada pela rede NBC e pelo jornal “The Washington Post” mostrou que apenas 29% dos americanos aprovou a forma como foi feita a dispensa do diretor do FBI. Já 38% se manifestaram contrariamente à demissão. Outros 32% disseram não ter opinião sobre o episódio. Ao todo, 78% entendem que a investigação sobre eventuais laços do governo com a Rússia deve ser feita de maneira independente, enquanto só 15% acham que o Congresso deveria fazê-lo. O resultado aponta, portanto, para uma desconfiança do público quanto à demissão de Comey por Trump.

Se o sistema político dos Estados Unidos estivesse funcionando como deveria, Donald Trump estaria em apuros. O Congresso estaria adotando medidas capazes, em última instância, de levar ao impeachment ou as pessoas do entorno do presidente o teriam dado como inepto para o cargo.

Mas Trump e seus asseclas direitistas ameaçam qualquer dissidência. Nenhum republicano eleito ousa se opor a ele. Qualquer um que pense em desafiá-lo sabe que se arriscará a um linchamento eletrônico capaz de pôr fim à sua carreira.

O governo dos EUA está em um perigoso beco sem saída. A maioria das pessoas sabe que Trump é inepto para ser o comandante-chefe. Mas ninguém dotado de poder suficiente para corrigir isso encontrou coragem para agir. Aqui, o MP, a PF, o STF, o 4o. Poder (PIG), todos sob pressão da opinião pública formada pela sociedade civil organizada, começa a reagir.

A tragédia para os EUA — e o mundo — é que isso tende a persistir pelo menos até as eleições legislativas do ano que vem. Lá como cá. Mesmo sinais claros de que Trump está tentando obstruir a Justiça, que foi o motivo principal do impeachment movido contra Richard Nixon, são minimizados. Aqui, avalia-se a forma e o tempo para tirar o golpista do cargo usurpado. Enquanto isso, essa “questão de tempo” paralisa a sociedade política e compromete o desempenho da economia brasileira.

Entre um terço e um quarto dos americanos são partidários ferrenhos de Trump. Eles têm o poder de expulsar os republicanos “rebeldes” nas prévias partidárias para o Congresso. Aqui, não chegava a 10% os apoiadores de Temer antes do escândalo do grampo: quantos ignorantes continuarão o apoiando?

Os “trumpianos” são moralmente abastecidos por um ecossistema fechado de sites noticiosos, que apresenta o mundo sob uma luz radicalmente diferente da do restante da mídia. Assim, Trump não demitiu James Comey na semana passada. O diretor do FBI (a Polícia Federal dos EUA) pediu demissão, segundo a Fox News. Do mesmo modo, Trump não revelou informações vitais de inteligência ao chanceler da Rússia. Nem pressionou Comey a encerrar a investigação sobre Michael Flynn, primeiro assessor de segurança nacional de Trump, demitido em fevereiro. Todas essas, a priori, são consideradas notícias falsas para os adeptos da pós-verdade.

A maioria dos sites direitistas norte-americanos ignorou as revelações contra Trump e se concentrou no ataque a tiros a Seth Rich, um membro do Partido Democrata que aparentemente vazou milhares de e-mails para o WikiLeaks no terceiro trimestre de 2016. Os leitores desses sites estão certos de que Hillary Clinton, ou pessoas próximas a ela, estão envolvidas no assassinato de Rich.

A direita alternativa (do inglês alternative right ou alt-right) é um grupo de pessoas com ideologias de direita a extrema-direita que rejeitam o establishment dominante nos Estados Unidos, Suécia, França, e em outros países como o Brasil via MBL, Vem Prá Rua, Veja e colunistas/blogueiros de direita. O supremacista branco Richard B. Spencer apropriou-se do termo em 2010 para definir um movimento centrado no nacionalismo branco, e foi acusado de fazê-lo para encobrir o racismo, supremacismo branco e neo-nazismo, crenças sobrepostas com anti-semitismo, nativismo e islamofobia, antifeminismo e homofobia, nacionalismo branco, populismo de direita e o movimento neo-reacionário. O conceito foi associado ainda com os múltiplos grupos de nacionalistas americanos, neo-monarquistas, defensores dos direitos dos homens “machistas, feios e idiotas”, e a campanha presidencial de 2016 de Donald Trump.

O termo chamou a atenção e considerável controvérsia ​​da mídia durante e após a eleição presidencial americana de 2016. A direita alternativa tem suas raízes em sites da Internet como 4chan e 8chan, onde membros anônimos criam e usam memes da Internet para se expressarem. É difícil dizer:

  1. quanto do que as pessoas escrevem nesses locais é crível por elas mesmas e
  2. quanto é destinado apenas a provocar indignação nos democratas de esquerda.

Os membros da direita alternativa usam sites como AltRight.com, Alternative Right, Twitter, Breitbart e InfoWars para transmitirem sua mensagem. As publicações geralmente apoiam Donald Trump e se opõem à imigração, ao multiculturalismo e ao politicamente correto.

Dica: para entender a política da direita norte-americana, cujos passos os tupiniquins idiotas seguem, assista no Netflix um documentário, lançado em 12 de maio de 2017, que explora a vida e a carreira de Roger Stone, um notório direitista, sem escrúpulos, republicano. Stone foi conselheiro de Donald Trump por um longo tempo, ajudando-o a criar sua carreira política.

Segundo Edward Luce (Valor, 18/05/17), não deveríamos subestimar o poder extraído por Trump dessas narrativas alternativas. Toda vez que as elites manifestam indignação contra seus atos, partidários de Trump se alegram com a angústia das elites liberais (esquerdistas na concepção norte-americana). Trump sabe como agradar a sua base eleitoral conservadora. Se isso significar passar segredos aos russos um dia depois de demitir a pessoa que investigava o suposto conluio de sua campanha com a Rússia, melhor.

A academia chama isso de “sectarismo negativo“. As pessoas não aderem mais a um partido por acreditar em sua plataforma, e sim porque desprezam o outro — aqui é típico o antipetismo rancoroso por causa da “proletarização da classe média”. Ao zombar de seus opositores, Trump está literalmente cumprindo o que prometeu. Trata-se de uma autorização à prática do niilismo.

Isso representa um terrível dilema para os republicanos/peemedebistas. Alguns têm esperança de poder aguardar até as eleições que renovarão parte do Congresso em 2108. Os índices de aprovação de Trump/Temer estão tão baixos que, se as eleições fossem hoje, os republicanos/peemedebistas perderiam o controle da Câmara dos Deputados e talvez do Senado. Com esse risco, os republicanos/peemedebistas começariam a abandonar o navio de Trump/Temer.

Os democratas/petistas e aliados poderão basear sua campanha na promessa de aprovar/ter aprovado o impeachment de Trump/Temer. Mas para isso faltam quase 18 meses.

Outros republicanos/peemedebistas ainda esperam tirar o que puderem antes de o Titanic começar a afundar. A maioria, como Paul Ryan/Rodrigo Maia, o presidente da Câmara, está preparada para passar pela indignidade de trabalhar com Trump/Temer se isso lhes der a oportunidade de aprovar um grande corte de impostos/corte de direitos dos trabalhadores. Para Ryan/Maia, esse corte liberaria o espírito animal dos EUA/Brasil e devolveria a liberdade aos indivíduos.

Trata-se de uma posição coerente da casta dos oligarcas controladores do Congresso em nome da casta dos mercadores. Mas Trump/Temer continua a dificultar a tarefa de Ryan/Maia, de reunir os argumentos necessários para defender essa tese. Atualmente, há uma boa chance de que o furacão em torno de Trump/Temer arraste consigo sua agenda econômica.

Mesmo se Ryan/Maia conseguir realizar a reforma fiscal/previdenciária, será que a barganha terá valido a pena? A resposta é não. Impostos sobem e caem. Mas um grande partido não pode apagar a maneira pela qual agiu em um momento decisivo da história da República.

Por décadas os republicanos/emedebistas da época do regime ditatorial militar defenderam a fibra moral da liderança americana/ gente brasileira. Trump/Temer está rasgando esses princípios diante de seus olhos. Não importa o que pensam os liberais/os petistas, nem os independentes ou a mídia e o serviço diplomático dos EUA.

As únicas pessoas que têm poder para punir Trump/Temer são os republicanos / peemedebistas e aliados cúmplices como tucanos e asseclas. E eles estão fazendo vista grossa.

É possível que mais republicanos/peemedebistas e outros ratos “saltem do navio quando este estiver afundando”. Será difícil conter as consequências eleitorais. Vazamentos mais devastadores das agências de inteligência/policiais federais e procuradores também poderiam incentivar os hesitantes.

Até lá, no entanto, os republicanos/peemedebistas e aliados coniventes estão se aferrando à sua barganha trumpiana/temerosa. É melhor eles torcerem para que esses cortes de impostos/direitos trabalhistas valham o sacrifício, porque logo a casta dos mercadores verá que esse arranjo político precário só traz instabilidade e prejuízos a seus negócios e lhes retirará o apoio tácito e, principalmente, a sustentação financeira corrupta

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