Princípio da Casta dos Comerciantes

De acordo com a definição “pura” da meritocracia, o processo de ascensão profissional e social é uma consequência dos méritos individuais de cada pessoa, ou seja, dos seus esforços e dedicações. As posições hierárquicas estariam condicionadas às pessoas que apresentam os melhores valores educacionais, morais e aptidões técnicas ou profissionais específicas e qualificadas em determinada área.

No entanto, a meritocracia pode ser entendida também como um termo pejorativo, pois está relacionado com a narração de uma sociedade que seria segregada tendo como base dois principais aspectos:

  1. a inteligência (QI elevado) e
  2. um grande nível de esforço puramente individual.

Outra crítica desferida sobre a meritocracia neste contexto, seria o método eficaz de avaliação destes “méritos”. Mérito tem quem se parece com o avaliador?!

Na verdade, a ascensão profissional ou social não depende exclusivamente do esforço individual, mas também das oportunidades que cada indivíduo tem ao longo da vida. As pessoas que nascem com melhores condições financeiras, com acesso às melhores instituições de ensino e à rede de contatos profissionais exclusivos, têm maiores chances de conquistar uma posição privilegiada em relação àquelas que não tiveram esta mesma “sorte”.

É verdade que não adianta ter grandes oportunidades na vida, caso não haja o mínimo esforço individual e vontade pessoal para aproveitá-las. Porém, a principal crítica à meritocracia está no fato de não ser este esforço individual o único fator que define o sucesso ou o fracasso, mas apenas um componente que engloba outras interações ou conceitos mais complexos que estão presentes nas sociedades.

É um equívoco dizer que os socialistas e os adeptos das demais ideologias que pregam o conceito de sociedade igualitária se opõem à meritocracia em princípio. Os democratas devem sim se opor à nomenclatura sem o critério de mérito pessoal, apenas na base do QI (Quem Indica) elevado. A rede de relacionamentos afetivos ou políticos não deve se sobrepor à impessoalidade no trato da coisa pública. Esta é uma lição histórica dos fracassos das precoces experiências do Socialismo Realmente Existente (SOREX) para os igualitários.

Como, então, devemos lidar com os outros?” pergunta o  filósofo objetivista David Kelley em ensaio publicado no livro organizado por Tom G. Palmer, A Moralidade do Capitalismo.

Responde que a ética social de Ayn Rand se fundamenta em dois princípios básicos:

  1. um Princípio de Direito e
  2. um Princípio de Justiça.

O Princípio de Direito diz que devemos lidar com os outros de forma pacífica, por meio de trocas voluntárias, sem iniciar o uso da força contra eles. É só assim que podemos viver de forma independente, com base em nossos próprios esforços produtivos. A pessoa que tenta viver controlando os outros é um parasita.

Assim, em uma sociedade organizada, temos de respeitar os direitos dos outros se quisermos que os nossos próprios direitos sejam respeitados. E é só assim que podemos obter os muitos benefícios oriundos da interação social:

  1. os benefícios das trocas econômicas e do intercâmbio intelectual, bem como
  2. os valores de relações pessoais mais íntimas.

A fonte desses benefícios é a racionalidade, a produtividade, a individualidade da outra pessoa. Essas coisas exigem liberdade para que possam prosperar. Se vivo pela força, ataco a raiz dos valores que busco.

O Princípio da Justiça é o que Rand chama de Princípio do Comerciante: viver pelo comércio, oferecendo valor pelo valor, sem buscar nem conceder o que não é merecido. Uma pessoa honrada não afirma que suas necessidades representam um crédito junto aos outros. Ela oferece o valor como base de qualquer relacionamento. Ela também não aceita uma obrigação involuntária de servir as necessidades alheias.

O Princípio do Comércio [“toma-lá-dá-cá”], Rand observa, é a única base sobre a qual os seres humanos podem lidar uns com os outros como iguais independentes.

A Ética Objetivista, em suma, trata o indivíduo como um fim em si mesmo no sentido pleno do termo. A consequência é que o capitalismo é visto pelos objetivistas como o único sistema justo e moral.

[Dedução equivocada, pois os sistemas socioeconômicos só podem, de fato, serem comparados com os existentes desde o passado mais remoto ao presente, mas não com o futuro ainda inexistente e incerto. Quem pode afirmar com certeza que no futuro não é possível um sistema mais justo? A luta social se dá, cotidianamente, para alcançá-lo.]

Uma sociedade capitalista, baseada no liberalismo clássico — e não no neoliberalismo contemporâneo –, se baseia no reconhecimento e proteção dos direitos individuais. Em uma sociedade capitalista, supostamente, “as pessoas seriam livres para buscarem seus próprios fins, pelo exercício de suas próprias mentes”.

[Argh, como esses fins, por exemplo, a publicação e a leitura de um livro dependesse exclusivamente do escritor.]

Como em qualquer sociedade, os homens são limitados pelas leis da natureza. Alimento, abrigo, roupas, livros e medicamentos não crescem em árvores, eles devem ser produzidos. E como em qualquer sociedade, os homens também são limitados pelas restrições da sua própria natureza, a extensão das suas capacidades individuais.

Mas a única restrição social que o capitalismo impõe é a exigência de que aqueles que desejam os serviços dos outros devem oferecer um valor em troca. Ninguém pode usar o Estado para expropriar o que os outros produziram.

[Individualmente ou com o esforço do trabalho de outras pessoas?]

Os resultados econômicos no mercado (a distribuição de renda e riqueza) dependem das ações e interações voluntárias de todos os participantes. O conceito de justiça se aplica não ao resultado, mas ao processo de atividade econômica. A renda de uma pessoa é justa apenas se for conquistada por meio da troca voluntária, como uma recompensa pelo o valor oferecido, como julgado por aqueles a quem é oferecido.

Os economistas sabem há bastante tempo que não existe um preço justo por um bem, dissociado das avaliações dos participantes do mercado sobre o valor do bem para cada um deles. O mesmo é verdade para o preço de serviços produtivos humanos.

Isso não quer dizer que devo medir meu valor por minha renda, mas apenas que se quiser viver por meio do comércio com os outros, não posso exigir que eles aceitem meus termos pelo sacrifício do próprio interesse.

[Empatia significa a capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras.

Está intimamente ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo – e à capacidade de ajudar. Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais.

A capacidade de se colocar no lugar do outro, que se desenvolve através da empatia, ajuda a compreender melhor o comportamento em determinadas circunstâncias e a forma como o outro toma as decisões. Portanto, o comércio (ou a troca de valores) exige empatia e altruísmo! ]

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