Quem Ganha com a Volatilidade de O Mercado ou o Risco de Renda Variável?

Jorge Simino é diretor de investimentos e patrimônio da Fundação Cesp, patrocinada pelo Tucanistão (estado de São Paulo) há décadas. Ele se apresenta como um porta-voz contratado, diretamente, pela casta dos mercadores-financistas.

Diz que “os dois gráficos ajudam a explicar as dúvidas e recomendam também um certo cuidado com as inferências para a evolução do índice no futuro próximo.

Começando pelo gráfico 1; nele é possível constatar, a partir de janeiro de 2015, quando a desaceleração econômica já ficava mais forte, a presença de choques exógenos devidamente correlacionados: a correção dos preços administrados e a desvalorização da taxa de câmbio. No caso dos preços administrados, foi a implantação do realismo tarifário (mais fortemente no caso da energia elétrica, mas não só). E, no caso da taxa de câmbio, as dúvidas sobre quais seriam os rumos do governo reeleito (apesar da nomeação do ministro Joaquim Levy)”.

[Não é risível este eufemismo — toda palavra, enunciado ou maneira delicada ou suavizada que se usa para expressar certos fatos, ideias e verdades, em substituição a uma forma mais direta, menos agradável e menos polida e cuja sinceridade ou crueza poderia chocar ou agredir alguém — “realismo tarifário“, quando Joaquim Levy deu um choque tarifário a partir de sua crença ideológica neoliberal de que “preços livremente estipulados levariam a um equilíbrio geral dos preços relativos” como prognostica o único modelinho aprendido por ele no mestrado da EPGE-FGV?]

“Importante observar, ainda no gráfico, que no momento em que os choques dos preços administrados e da taxa de câmbio principiavam a arrefecer, começa a elevação dos preços dos alimentos e, assim, o IPCA acumulado de doze meses se arrasta acima de 6% ao ano (houve também um grande alívio no cenário externo a partir de meados de fevereiro quando a presidente do Fed, ajustou o discurso sobre a velocidade da subida da taxa de juros nos EUA).

Note, caro leitor, que o gráfico 2 tem exatamente o mesmo período de tempo. É possível constatar que, apesar da curva de desemprego se mostrar ascendente, o IPCA acumulado em doze meses permanece em alta justamente pelos efeitos apresentados no gráfico 1.

Pois bem, quando todos os choques exógenos cessam (preços administrados, taxa de câmbio e alimentos) de repente (não mais que de repente) o IPCA “despenca” com variações mensais surpreendentemente baixas e “derrubando” o acumulado de doze meses.

Em outras palavras, quando os preços ficaram cara-a-cara com a recessão [ora, que modestia, Grande Depressão de -7,2% em dois anos], sem a perturbação de outras variáveis, o recuo foi intenso.

No gráfico 2, é visível que quando a taxa de desemprego tem uma nova aceleração a partir de meados de 2016 (e os eventos exógenos desaparecem) o IPCA finalmente recua.

Claro está que a condução da política monetária também cumpriu um papel importante ao recuperar a credibilidade da autoridade monetária e, dessa forma, “ancorar” as expectativas para o futuro.

[O cinismo do “porta-voz” da casta dos sábios-mercadores para se referir aos 14 milhões de desempregados é espantoso: credibilidade da AM, diria um dos desempregados, é a mãe!]

Pois bem, é justamente as atuais projeções futuras do IPCA que me soam desconfortáveis [snif, snif...]. O relatório Focus do Banco Central indica projeções de 4,25% para os anos de 2019 e 2020 (isso para os chamados “top 5”). Ou seja, nos próximos três anos haverá recuperação do crescimento (alguma, mesmo que modesta), mas os empresários não tentarão recuperar margens perdidas (ainda que o endividamento continue elevado – ver balanço dos bancos de capital aberto); caso:

  1. nenhum evento interno e/ou externo acontecerá que se manifeste através de uma desvalorização do real de maior impacto;
  2. nenhuma intercorrência severa ocorrerá na condução das políticas monetárias ao redor do planeta, sem falar nas eleições nas terras tupinambás.”

[Para a casta dos mercadores, segundo esse “porta-voz”, democracia, eleição, são detalhes que custam caro para os corruptores… Melhor seria, em Terrae Brasilis, sem elas…]

O investidor estrangeiro que entrou maciçamente no mercado de ações entre 2010 e 2011 (e está segurando a sua posição em Brasil) perdeu horrores, mesmo com a alta da bolsa em dólar nos últimos 12 meses. Em reais, o Ibovespa acumula uma variação negativa de 5,91% desde o início de 2011. Feita a conversão em dólares, entretanto, a queda do índice atinge 49,32% por conta da alta de 87% do dólar sobre o real no período. Esse investidor ficou traumatizado…

No período do golpismo-golpe, de janeiro de 2016 até o fim de março de 2017, o movimento foi o contrário. Com a queda de cerca de 20% da moeda americana na comparação com a brasileira nesse período, o Ibovespa disparou 93,8% em dólar, enquanto, em reais, teve ganho de apenas 50,6%. Isso confirma que, após o recente rali, os preços no mercado de ações brasileiro ficaram mais altos para quem paga em dólar, o que faz o estrangeiro pensar duas vezes antes de ir às compras.

Outro sinal que confirma a redução de exposição do investidor não residente em ações brasileiras está no mercado futuro. Enquanto a posição em aberto dos estrangeiros em contratos futuros de compra do Ibovespa caiu 12,5% desde o início do ano, nesse mesmo período sua carteira de contratos de venda cresceu 26,8%, indicando um aumento nas apostas de queda do índice.

Nos últimos 24 meses, de abril de 2015 até março de 2017, o rendimento do Ibovespa foi de 27%. No entanto, a trajetória do índice no período foi marcada por altos e baixos expressivos.

No pior momento — fase do golpismo com o Congresso Nacional aprovando “pautas-bombas” para paralisar o governo eleito –, entre maio de 2015 e janeiro de 2016, o indicador chegou a registrar perdas de 28%. Depois, iniciou um intervalo de seis meses de ganhos até julho de 2016 que resultou na reversão dos prejuízos acumulados anteriormente. Desde então foram cinco meses de fechamento no território positivo e três no negativo.

Marcelo d’Agosto (Valor, 05/04/17) informa que “o investidor em fundos de ações também vivenciou essas mesmas oscilações, mas em graus diferentes conforme a estratégia de gestão de cada carteira. Em uma situação ideal, o investidor deseja o maior retorno possível em relação ao Ibovespa, mas com o menor desvio em comparação ao indicador.

No jargão de mercado, a parcela do retorno do fundo que é superior ao Ibovespa é chamado de retorno excedente. E na terminologia em inglês, também usada como jargão, o desvio da rentabilidade do fundo em relação ao Ibovespa – ou outro parâmetro de referência – é chamado de “tracking error“. Esse cálculo é a diferença média entre a rentabilidade diária do fundo e o indicador de desempenho da carteira em determinado período de tempo.

Do ponto de vista pragmático, para manter uma carteira de ações atrelada ao Ibovespa basta ao gestor replicar o índice. Se a participação de cada título em relação ao patrimônio do fundo for exatamente igual à composição do indicador, a rentabilidade de ambos será a mesma. Os fundos indexados adotam esse tipo de gestão.

No entanto, a estratégia de replicar o Ibovespa tem o inconveniente de tornar difícil superar o indicador. O “tracking error” seria zero, mas o retorno excedente do fundo em relação ao Ibovespa também seria inexistente. Poderia até ser negativo, caso a taxa de administração fosse excessivamente alta.

No outro extremo, o gestor de um fundo ativo poderia apostar todas as fichas em uma única ação, que nem mesmo fizesse parte do Ibovespa, e esperar que aquela companhia tivesse desempenho acima do indicador. A despeito do resultado obtido, a contrapartida da estratégia é a concentração do risco. Como consequência, o desvio da rentabilidade do fundo em relação ao Ibovespa, medido pelo “tracking error“, será elevado.

A maioria dos fundos com gestão ativa opera em um meio termo entre esses dois extremos. O objetivo é equilibrar a busca pelo máximo retorno excedente como menor “tracking error” possível.

As estratégias de gestão ativa mais utilizadas, e de certa forma as mais sólidas, envolvem aumentar ou reduzir o peso de determinadas ações ou setores em relação ao índice de referência. Para definir as participações específicas das empresas na carteira do fundo, pode-se adotar métodos qualitativos ou quantitativos.

Nos métodos qualitativos, o comitê de investimento da empresa de gestão de recursos define uma alocação estratégica conforme a visão de consenso dos especialistas. A partir daí os gestores possuem a liberdade para executar as alocações táticas, pinçando os papéis potencialmente mais rentáveis conforme as oportunidades de mercado.

Já os métodos quantitativos envolvem a análise estatística do desempenho das ações e a decomposição do retorno esperado em diversos “fatores”. Os principais fatores usados são a qualidade da companhia, o valor relativo da empresa em relação aos concorrentes e o momento da cotação do papel em relação ao histórico de negócios.

O histórico de uma amostra de 258 fundos de ações entre os de maiores patrimônio e quantidade de cotistas obtida a partir do sistema Morningstar Direct revela que, no período de baixa do Ibovespa, entre maio de 2015 e janeiro de 2016, 50 carteiras tiveram perdas superiores ao indicador. E 208 conseguiram implantar uma estratégia que amenizasse os prejuízos e caíram menos do que o Ibovespa.

Mas nem a agressividade nem a cautela na gestão explicam o desempenho dos fundos no período completo de dois anos. Entre as 50 carteiras que tiveram queda mais acentuada que o Ibovespa no intervalo de baixa, dez superaram o Ibovespa no período total. E entre as 208 que tiveram queda menor que o indicador, 99 conseguiram reverter o conservadorismo e superaram o Ibovespa.

O que as análises indicam é que tão importante quanto avaliar o desempenho passado, é fundamental que o investidor entenda a estratégia de investimento do fundo de ações que escolheu e tenha confiança de que é consistente no longo prazo.”

Só?! O especulador de O Mercado não conseguiu acertar sua especulação política? Os analistas de O Mercado não só apresentam falsas correlações entre eventos políticos e econômicos como fossem causalidades? Snif, snif…

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